Os alunos da Escola Básica EB 2/3 de Algoz preparam-se para transformar o seu recinto escolar numa mini floresta, numa ação ambiental que pretende criar uma «sala de aula ao ar livre» e envolver a comunidade.
A plantação, marcada para o dia 8 de novembro, é uma ação conjunta entre o Rotary Club de Silves, o Agrupamento de Escolas Silves Sul e o Projeto Nativawaky.
Integrada no projeto «Uma Escola, Uma Floresta» da Nativawaky, esta iniciativa terá uma área de 110 metros quadrados (m²) onde serão plantadas 330 árvores e arbustos nativos, representando 30 espécies da flora local.
A organização espera mobilizar 80 voluntários, entre alunos, professores e comunidade, numa ação que pretende impactar positivamente o ambiente e o desenvolvimento educativo dos estudantes.
«Estas florestas são verdadeiras salas de aula ao ar livre, facilitando o ensino e a consciencialização ambiental», explicou Sónia Soares, fundadora da Nativawaky.
A par da plantação, a escola inaugurará um novo Laboratório de Biodiversidade. Ambos os espaços têm como objetivo funcionar em sinergia, promovendo o estudo da cidadania ambiental entre os alunos e fortalecendo o envolvimento da comunidade escolar em ações de sustentabilidade.
«Com estes espaços, os alunos terão a oportunidade de explorar temas ambientais no próprio espaço escolar, promovendo atividades que vão desde a sensibilização ambiental para todos os níveis de ensino, até ao contacto direto com a natureza», na perspectiva do Agrupamento de Escolas Silves Sul.
A iniciativa conta ainda com o apoio logístico da Câmara Municipal de Silves e da Junta de Freguesia de Algoz, bem como com a doação de composto Nutriverde pela empresa Algar.
A organização destaca que a criação de uma mini floresta no espaço escolar ajudará a reduzir o ruído, controlar a poluição e a temperatura, regenerar os solos e capturar CO₂, além de contribuir para o bem-estar físico e mental dos alunos.
Sónia Soares sublinha a importância da iniciativa. «As crianças que crescem na natureza serão adultos mais ativos na preservação do ambiente», considera.
Programa
A iniciativa, intitulada «Plant’ação», inicia-se às 09h30 com a recepção dos voluntários, seguida de um discurso de boas-vindas e um briefing sobre as tarefas de plantação. Às 10h00, começa a plantação, incluindo a preparação das bombas de sementes que serão utilizadas mais tarde para semear áreas específicas.
Às 11h30, haverá uma pausa para lanche, retomando-se as atividades às 11h45 com a cobertura do solo e a rega das plantas. Às 12h30, serão lançadas as bombas de sementes na mini floresta, seguidas de uma foto de grupo e um discurso de encerramento, prevendo-se o término da ação por volta das 13h00.
Além do seu impacto direto no ambiente, esta mini floresta permitirá a exploração de conteúdos programáticos, aproximando os alunos da natureza.
Estas mini florestas oferecem benefícios significativos, como a redução de ruído, luminosidade, poluição e temperatura, além de promoverem a regeneração dos solos, a captura de CO₂ e a retenção de água. Além disso, ajudam a melhorar a saúde física e mental dos alunos, reforçam as relações entre os mais jovens, reduzem o stress e estimulam a curiosidade. Estes espaços também favorecem o desenvolvimento de uma consciencialização ambiental intergeracional, incentivando a proteção ambiental na comunidade.
Sobre a Nativawaky
É um projeto nascido em Outubro de 2022, pela sua fundadora Sónia Soares, e que tem como desafio reflorestar Portugal de forma mais biodiversa e densa, obtendo florestas mais resistentes, resilientes e sustentáveis, inspiradas no Método Miyawaki. Em Portugal, é o primeiro projeto a plantar mini florestas Miyawaki no Algarve. A utilização desta metodologia permite ainda a plantação de mini florestas em espaços escolares e meios urbanos, sendo verdadeiros santuários de biodiversidade ou uma sala de aula ao ar livre, com diversos benefícios ambientais, elevado potencial educacional e grande contributo para a saúde da população local.
O que é o Método Miyawaki e qual a sua taxa de sucesso?
Desenvolvido pelo professor japonês Akira Miyawaki, este método é simples e reproduz a forma como a natureza funciona. Desta forma, pressupõe a plantação única e exclusivamente de espécies nativas da região onde se quer plantar uma floresta, contribuindo para a preservação e renaturalização do ambiente e das espécies locais. Tem uma taxa de sucesso de 97 por cento para a sobrevivência das plantas, um crescimento em média 10 vezes mais rápido e com uma manutenção mínima, será autossustentável em menos de 36 meses, não precisando mais de água (rega) para continuar a crescer de forma saudáve
