O presidente da empresa gestora da albufeira do Alqueva, José Pedro Salema, manifestou hoje «reservas» à captação de água no Rio Guadiana para reforçar as reservas de Odeleite, no Algarve, e lembrou que «a manta é curta».
«Levantamos algumas reservas a essa captação se exigir a libertação de caudais adicionais», disse à agência Lusa o presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), em Ferreira do Alentejo, à margem de um colóquio sobre «Alterações Climáticas, Seca e Recursos Hídricos».
O Plano de Eficiência Hídrica do Algarve prevê a captação de água no Rio Guadiana, a partir do Pomarão para a albufeira da barragem de Odeleite.
O projeto «está na calha», mas José Pedro Salema recordou que o Alqueva já liberta «importantes caudais para cumprir o caudal ecológico a jusante» e, nesse sentido, encontra-se «muito perto da capacidade» máxima de descarga.
«Se essa captação nos obrigar a descarregar mais água, isso é uma preocupação para nós. A manta é curta. Ou tapa os pés, ou tapa a cabeça. Se já estamos todos esticadinhos e queremos mais um pouco, vai faltar a alguém», concluiu.
O Plano de Eficiência Hídrica do Algarve (PREHA) prevê a captação de água no Rio Guadiana, a partir do Pomarão para a albufeira da barragem de Odeleite, e a construção de uma terceira barragem no Sotavento (leste) algarvio, na ribeira da Foupana.
Estão ainda em curso, no âmbito do Plano de Eficiência Hídrica do Algarve, investimentos para aumentar as reservas na região, como a construção de uma dessalinizadora em Albufeira, orçada em 90 milhões de euros, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e cujo concurso foi lançado na semana passada.
O Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva é garantia de água para a agricultura, com uma área de regadio com 130 mil hectares, para o abastecimento público e industrial e para a produção de energia hidroelétrica, além de potenciar o turismo na região do Alentejo.
Ontem, no mesmo colóquio, o investigador e professor universitário Rodrigo Proença de Oliveira defendeu que a escassez de água deve ser combatida através de pelo menos quatro eixos de atuação diferentes.
Segundo os últimos dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o consumo urbano de água no Algarve teve um aumento de 4,6 por cento em janeiro, face a 2023.
Uma resolução publicada em 20 de fevereiro em Diário da República dá conta que o governo admite «medidas adicionais mais gravosas» para garantir as reservas mínimas que permitam o abastecimento de água para usos prioritários no Algarve.
Hoje o barlavento publicou um «Manifesto pela sustentabilidade do território» assinado por um conjunto de profissionais com longas carreiras ao serviço das causas públicas