Sejam miúdos ou graúdos, instituições públicas ou privadas, todos são convidados a fazer a diferença. Desde estudantes do ensino primário a universitários, associações ou empresas. Desde 2009 que o projeto «Voluntariado Ambiental para a Água» é promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA-ARH Algarve). Paula Vaz, 52 anos, é a coordenadora da iniciativa desde o primeiro dia. Explica que «o projeto vive essencialmente dos vários parceiros regionais, nacionais e internacionais e das dinâmicas do voluntariado ambiental». O desafio passa por envolver a sociedade na gestão participada dos recursos hídricos do Algarve relativamente a diversas tipologias de massas de água: superficiais, subterrâneas, de transição e costeiras.
São vários os recursos hídricos monitorizados pelos voluntários. Veja-se, por exemplo, o caso dos rios, que vão desde a ribeira do Vascão às ribeiras de Aljezur, Monchique, Odiáxere, Odeleite, Sabrosa, Bensafrim, Odelouca, Algibre, Alcantarilha, Cadouço, Quarteira, ribeiras da Fonte Filipe e da Fonte Férrea, da Fonte Benémola, da Calçada, das Mealhas, dos Machados, da Tareja, da Foupana, entre outras. «Em algumas ribeiras, a monitorização é realizada da nascente à foz em vários troços», explica Vaz. Caso o leitor queira propor a monitorização de um rio perto de si, poderá também fazê-lo.
Após a inscrição, os voluntários são contactados e realizam uma ação de formação no local. No contexto de ribeiras e da identificação e triagem costeira, dura uma manhã. Nas ribeiras, a monitorização acontece uma vez por ano, na primavera, e os grupos analisam diversos troços. Já no litoral, as monitorizações são várias e decorrem ao longo do ano.
Participação ativa da sociedade
Mais do que uma questão ambiental, este é também um projeto de empreendedorismo social, como explica Paula Vaz, «fomos impelidos pela vontade de criar uma solução inovadora e sustentável. Nas saídas de campo podemos sentir a alegria e o entusiasmo dos participantes. Independentemente dos fatores sociais, verifica-se um sentido de utilidade e de pertença aos territórios e aos ecossistemas visitados. Depois existe todo um acesso aos conteúdos científicos, sensibilização ambiental, diálogo intergeracional e intercultural, que nos permitem afirmar que contribuímos para a fomentação de uma cidadania mais ativa no Algarve».
Próximas atividades e balanço do projeto
Paula Vaz confidencia que se verifica «uma maior participação dos grupos de voluntários que adotam um ecossistema de modo contínuo e ao longo dos anos».
«Além deste envolvimento de mais cidadãos e do seu contributo para a monitorização da qualidade ecológica da água, um dos impactes mais visível tem sido a remoção de uma das espécies invasoras presente em toda a nossa orla costeira: o chorão-das-praias», evidencia. Só na Ria Formosa, entre outubro de 2014 e junho de 2015, foram removidas cerca de 30 toneladas.
De entre as principais ações que realizaram ao longo dos últimos anos, Vaz destaca «a valorização e recuperação de ecossistemas, a plantação de espécies autóctones, a remoção de invasoras e limpeza, ações de sensibilização e formação e a promoção anual do Encontro Regional de Voluntariado Ambiental para a Água, em diferentes concelhos». Este ano, a sexta edição irá realizar-se em Faro, a 4 e 5 de dezembro.
Antes, a 23 de novembro, existirá uma atividade experimental em Silves que visa dar a conhecer o projeto e fazer uma introdução ao tema. Os interessados poderão inscrever-se através do email [email protected]. O dia será dividido em duas partes: de manhã as atividades desenvolvem-se na Quinta Pedagógica de Silves e a parte da tarde está reservada para uma visita a um troço da ribeira de Odelouca.
O futuro do projeto e a sua replicação a nível nacional
O futuro passa por dar continuidade ao trabalho em curso mas alargando o leque de bioindicadores que permitam, em tempo útil e com metodologias direcionadas para não especialistas, avaliar os ecossistemas dependentes de água.
Vaz acredita que «com as parcerias adequadas se poderá testar em todo o território nacional a metodologia utilizada no Algarve», conclui. A realização de auditorias científicas periódicas permite avaliar o impacto ao nível ambiental e de conservação dos ecossistemas nos espaços intervencionados, aferindo a fiabilidade dos dados recolhidos pelos voluntários que acaba por complementar as redes de monitorização oficiais.
Regra geral, a grande maioria das massas de água no Algarve são de boa qualidade «no entanto há alguns problemas bem identificados. Alguns deles com soluções já encontradas e que serão implementadas a curto e médio prazo e outros mais complexos, cuja resolução de gestão depende, entre muitos aspetos, do envolvimento da população do Algarve», sublinha Vaz. Por último, defende que ser voluntário «implica compromisso e continuidade. Não é apenas uma atividade lúdica, embora também tenha essa componente, é um modo de estar na vida ao serviço da comunidade, dando o nosso tempo e esforço aos outros».
……………………………………………………………………………………………
Entidades participantes
Universidades do Algarve, Évora e Coimbra; Instituto Superior Dom Afonso III – INUAF; seis Centros de Formação; Associações de Escolas do Algarve; Centros de Ciência Viva do Algarve e de Tavira;escolas do Algarve (1º, 2º, 3º ciclo, secundário, públicas e privadas); DGEST – DR Algarve; ICNF; PNRF; RSCMVRSA; IPDJ; IPTM; Drapalg; CIECEM Universidade de Huelva.
Câmaras Municipais: Faro, Olhão, Tavira, Loulé, Lagos, S.B. Alportel, Silves, Albufeira, Lagoa, Monchique, Portimão, Castro Marim, V.R.S.A.
Empresas: FAGAR, AmbiOlhão, Águas do Algarve, ALGAR, Booking, Hubel, Zoomarine.
Associações: «A Rocha» (Alvor), Almargem (Loulé), RIAS (Olhão), «A Nossa Terra» (Monchique), ASSP Algarve, ECOS, Ordem Franciscana Secular – Fraternidade de Faro.
……………………………………………………………………………………………
Monitores do projeto
A monitorização voluntária é constituída por alguns Agrupamentos de Escolas do Algarve, pela Universidade do Algarve – CCMAR, pelo Centros de Ciência Viva de Tavira e pelas associações Almargem, «A Rocha», «A Nossa Terra» e a Associação de Solidariedade Social dos Professores do Algarve.
……………………………………………………………………………………………
Estatísticas do projeto
Estudantes voluntários: 4249
Professores voluntários: 243
Escolas envolvidas: 59
Empresas ou Associações: 14
Monitorizações em Ribeiras: 67
Monitorizações no litoral: 44
……………………………………………………………………………………………
Torne-se voluntário
Basta aceder ao website http://voluntariadoambientalagua.apambiente.pt/ e preencher a ficha de inscrição em «Área do Voluntário» ou pelo telefone 289 889 000.