Muita gente desconhece que em Portugal, desde há alguns anos, joga-se futebol americano a sério. E que o Algarve tem duas equipas, os «Sharks» em Faro, e os «Algarve Pirates» em Portimão. Todas as outras congéneres têm sede a norte do Tejo.
Este clube algarvio vai na quarta época, não se encontrando a competir na liga nacional, este ano, porque houve uma debandada de jogares, quando o treinador americano Don Dixon regressou aos Estados Unidos da América por razões profissionais.
Quando Leandro Antunes, que acumula as funções de presidente da direção, preparador físico e treinador principal, agarrou nos «Algarve Pirates», há cerca de dois meses, o plantel estava reduzido a dez atletas.
Atualmente, este número passou para 35, embora «uma equipa ideal deva ter cerca de 60 jogadores, levando a jogo 45. Mas estamos fora de uma cidade, o que dificulta o recrutamento», reconhece.
O plantel apresenta dois estrangeiros, um russo e outro búlgaro. Os restantes elementos são portugueses recrutados em Portimão, Lagos, Lagoa e Albufeira. Têm o apoio técnico de vários elementos da London Olympics, equipa que já se sagrou campeã nacional inglesa por várias vezes. O treinador Murray, que fez parte dessa equipa, embora reformado, presta uma ajuda preciosa e frequente aos «Pirates».
A equipa quer regressar à competição na próxima época, num campeonato onde estão previstos 11 clubes a nível nacional, embora já tenha envolvido anteriormente 16 equipas.
Leandro Antunes esclarece que se trata de um desporto amador à maneira antiga, com poucos associados e sem patrocínios, pagando os atletas as despesas, incluindo equipamentos e deslocações do seu próprio bolso.
A autarquia portimonense apoia com a redução de 25 por cento no preço de utilização do campo, três noites por semana para os treinos. E está em curso uma campanha de angariação de sócios, que já ultrapassam a meia centena.
«Este desporto é como o xadrez, com os vários setores a trabalhar em conjunto para um fim comum. Cada elemento tem de saber exatamente o que tem que fazer. A técnica vai até à posição dos pés e ao posicionamento exato no campo. Um mau posicionamento do jogador para o sprint é suficiente para não conseguir blocar o adversário, ou ultrapassá-lo e concretizar», explica o treinador. É um desporto muito físico, mas também muito técnico, que se transforma rapidamente em paixão. Se o atleta estiver em boas condições físicas, com uma alimentação correta, o perigo de lesões é diminuto», disse-nos este apaixonado, com experiência em vários desportos de contacto.
Quem estiver interessado é bem-vindo. Os treinos decorrem no complexo desportivo da Mexilhoeira Grande, às terças, quintas e sextas, a partir das 21h00.