Alcoutim monitoriza a evolução do caudal do Guadiana com preocupação devido às chuvas previstas para sábado.
Alcoutim acompanha com preocupação a evolução do caudal do rio Guadiana, devido ao volume de água que pode chegar das barragens a montante, mas com algum alívio pelo facto de a chuva ter parado e a situação se encontrar controlada para a preia-mar da tarde.
Em declarações à agência Lusa, o coordenador da Proteção Civil Municipal, João Simões, afirmou que a principal preocupação está agora nas chuvas previstas para sábado, depois de a chuva ter cessado durante a manhã. O responsável falava na zona baixa da vila de Alcoutim, onde o rio inundou uma área de parque de estacionamento.
«Não vai passar daqui, está controlado», garantiu João Simões, afastando, para já, o risco de o rio atingir as habitações nas próximas horas. Para reforçar a proteção da área urbana, foi também construída uma barreira de areia destinada a impedir a entrada de água na vila.
A água cobriu a zona de um parque de estacionamento, onde se encontram uma estátua de Bordalo II e um pequeno estabelecimento comercial, mas não existe receio de que, com a preia-mar às 17h30, o nível do rio suba de forma a ameaçar mais bens ou locais.
Sem precipitação, a tendência é para uma descida gradual do nível da água, embora João Simões tenha salientado que essa redução tem sido «muito pouco» perceptível durante a baixa-mar. As barragens de Alqueva e Pedrógão continuam a efetuar descargas, tal como a de Chança, localizada na foz da ribeira homónima, que marca a fronteira entre Portugal e Espanha, na zona de Pomarão, no concelho de Mértola.
«Na maré baixa, desceu 20 centímetros, não mais. E depois, com o incremento da preia-mar, subiu um metro. Hoje já desceu um bocadinho, mas não compensou», explicou.
A principal apreensão prende-se com «o que está previsto para sábado», com «nova precipitação intensa a montante de Alqueva», que poderá obrigar a novas descargas das barragens. Ainda assim, para já, «a tendência é para ir baixando», acrescentou o coordenador da Proteção Civil.
Enquanto João Simões prestava declarações à Lusa, várias dezenas de pessoas acompanhavam, a partir da zona mais elevada da baixa de Alcoutim, o trabalho de vigilância desenvolvido pela Proteção Civil e pela Autoridade Marítima. A forte corrente do rio tem colocado embarcações em dificuldade, obrigando à intervenção dos operacionais em pelo menos 14 situações.
Entre os populares encontrava-se António Pereira, de 84 anos, natural de Alcoutim, que recordou cheias muito mais severas no passado, quando o rio chegou a atingir a Praça da República, vários metros acima do nível atual.
«Antigamente não havia barragens e isso acontecia. Lembro-me de ver o rio até ali acima, até amarravam ali alguns barcos», contou.
Também Fernando Frederico, de 74 anos, considerou que a inundação atual «não tem nada a ver com o que chegava a acontecer» noutras épocas.
«A água chegava bem mais acima. Em comparação com esse tempo, isto não é nada», afirmou.
Ambos reconheceram, no entanto, que uma subida desta dimensão já não se registava «há muitos anos», restando agora aguardar que a chuva prevista e as descargas das barragens não provoquem uma nova subida do nível do rio nos próximos dias.