Cheias no Guadiana mantêm hoje zonas ribeirinhas de Alcoutim inundadas, com o nível da água a rondar seis metros após descargas das barragens e chuva persistente.
Várias zonas ribeirinhas da vila de Alcoutim, no Algarve, continuam hoje inundadas devido ao aumento do caudal do rio Guadiana, cujo nível das águas atingiu cerca de seis metros, na sequência das descargas das barragens de Alqueva, Pedrógão e Chanza e da precipitação persistente na bacia hidrográfica.
Em declarações à agência Lusa, o coordenador da Proteção Civil Municipal, João Simões, adiantou que alguns estabelecimentos de restauração e quiosques localizados junto ao rio permanecem submersos, tanto na vila de Alcoutim como nas zonas das Laranjeiras e Guerreiros do Rio, não havendo, até ao momento, registo de danos pessoais.
Segundo o responsável, o nível das águas encontra-se estável, prevendo-se que possa começar a baixar durante o período de vazante da maré, embora as descargas das barragens se mantenham.
«Acreditamos que comece a baixar, embora tenhamos já duas horas de vazante e não houve uma redução significativa do caudal do rio, dado que as barragens continuam a fazer descargas», referiu.
Durante a noite, cerca de 14 embarcações que se encontravam fundeadas junto a Alcoutim ficaram à deriva devido à força da corrente, tendo uma delas entrado no parque de estacionamento da vila, sem provocar feridos.
A Estrada Municipal 507, na marginal do rio Guadiana, mantém-se temporariamente condicionada ao trânsito rodoviário, estando a Proteção Civil a apelar à população para que evite circular ou permanecer junto às zonas inundadas.
Entretanto, em nota divulgada pelo município, a autarquia manifestou «elevada preocupação» com a evolução da situação hidrológica no Guadiana, e recorda que o cenário levou à declaração de Situação de Alerta Municipal.
O município alerta para «riscos acrescidos para a segurança de pessoas, bens e infraestruturas», em particular nas zonas ribeirinhas e áreas historicamente mais vulneráveis a cheias, antecipando já a existência de prejuízos materiais e o risco de agravamento da situação nos próximos dias, caso se mantenham os atuais níveis de caudal e as condições meteorológicas adversas.
Segundo a autarquia, em nota enviada hoje às redações, têm sido reforçadas a vigilância no terreno, a articulação com as entidades envolvidas e os mecanismos de coordenação, estando em curso medidas preventivas para minimizar impactos e salvaguardar a população.
O município apela ainda à adoção de comportamentos de autoproteção, à evitação de deslocações desnecessárias para zonas de risco e ao cumprimento rigoroso das indicações das autoridades.
Portugal continua a ser afetado pela depressão Leonardo, depois da passagem da depressão Kristin, tendo sido registadas 11 mortes desde a semana passada, além de centenas de feridos e desalojados. O mau tempo provocou destruição parcial ou total de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e estruturas, cortes de estradas, encerramento de escolas e perturbações nos serviços de transporte, bem como falhas no abastecimento de energia, água e comunicações.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos. O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros, tal como o barlavento noticiou.