A AHETA alertou o primeiro-ministro Luís Montenegro e o Governo para o risco de filas e congestionamento no Aeroporto de Faro durante o verão devido ao novo sistema europeu de fronteiras.
A AHETA — Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve — dirigiu uma comunicação urgente ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e aos responsáveis pelas pastas da Economia e do Turismo, manifestando «a sua mais profunda apreensão» face ao sistema europeu de controlo de fronteiras Entry/Exit System (EES), plenamente operacional desde 10 de abril.
A exigência central da associação passa pela «suspensão temporária do sistema EES no período compreendido entre 1 de junho e 30 de setembro, garantindo que o pico da procura turística não seja marcado por esperas de várias horas e protestos massivos de passageiros e operadores».
O peso do mercado britânico
Em carta aberta, a preocupação da AHETA é amplificada pelo facto de o mercado do Reino Unido, «que representa mais de 50% do tráfego no Aeroporto de Faro entre abril e outubro», ser externo ao Espaço Schengen e, por isso, estar totalmente sujeito aos novos controlos biométricos e de registo.
A associação alerta que o esforço de diversificação de mercados, «que tem trazido resultados muito positivos na captação de turistas provenientes dos Estados Unidos e do Canadá, poderá ser severamente comprometido, uma vez que estes passageiros de longo curso também enfrentarão as mesmas barreiras burocráticas à chegada».
Exemplo de Lisboa
O alerta vem depois de uma reunião com a direção do Aeroporto de Faro e tem como pano de fundo o que se passou em Lisboa. No final de dezembro de 2025, perante «filas monumentais» na zona de chegadas, o Governo suspendeu o EES por três meses no Aeroporto Humberto Delgado para evitar «o colapso da operação». O sistema foi retomado gradualmente e estava ativo na plenitude em março, antes do arranque completo do EES a nível europeu.
Após a reunião com a direção do Aeroporto de Faro, a AHETA manifesta «o seu profundo receio de que as perspectivas para o verão de 2026 sejam assustadoras», antevendo «um cenário de congestionamento agravado que poderá superar o caos vivido em anos anteriores, resultando em danos irreparáveis para a reputação e imagem do Algarve enquanto destino turístico de excelência».
O que a AHETA pede ao Governo
A associação insta o executivo a seguir as recomendações da ABTA — Associação Britânica de Agentes de Viagens — e a aplicar «na sua máxima extensão» as medidas de contingência previstas pela União Europeia, que permitem aos estados-membros suspender parcialmente o EES até 90 dias, com possível extensão de 60 dias.
Além da suspensão estival, a AHETA reclama «um reforço urgente de meios humanos e de pontos de controlo eletrónicos junto da ANA Aeroportos e das autoridades de fronteira», defendendo que «é imperativo fazer tudo o que estiver ao alcance do Estado e das instituições para minimizar as dificuldades de quem visita o país».
Para a associação dos hoteleiros algarvios, «a hospitalidade portuguesa é incompatível com as imagens de filas intermináveis», sendo fundamental «proteger a rentabilidade das empresas e a qualidade da experiência turística que define a região».
A 30 de abril, a Ryanair pediu a suspensão do EES até setembro, pedido que entretanto já foi reforçado para evitar que as famílias que viajam em férias tenham de sofrer «desnecessariamente» nas longas filas dos aeroportos portugueses.
