As atividades terrestres — da destruição do coberto vegetal ao uso de pesticidas — são «as maiores ameaças» às florestas marinhas da costa portuguesa, alerta hoje uma investigadora do CCMAR.
O alerta é de Ester Serrão, professora da Universidade do Algarve (UAlg) e investigadora do Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR), à margem da 4.ª edição do Festival das Florestas Marinhas, que decorre em Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira, de 13 a 22 de maio.
Segundo a investigadora, uma das coordenadoras científicas do festival, «as maiores ameaças às florestas marinhas em Portugal são as atividades terrestres, que depois têm impacto no oceano».
Por exemplo, «quando há destruição da vegetação, provocamos erosão terrestre e existe uma série de partículas do solo que vão sendo arrastadas pelas chuvas, vão parar à costa e soterrar as florestas marinhas».
«O facto de provocarmos erosão costeira que vai soterrar as rochas e cobri-las de sedimentos faz com que não haja habitat, ou seja, um espaço de rocha limpa onde os pequenos estados microscópicos se possam agarrar», acrescentou.
Ester Serrão apontou ainda o lançamento de fateixas e o arrasto marítimo como práticas igualmente destrutivas. «Deita-se uma âncora sobre corais e destruímos os corais, deita-se uma âncora sobre uma pradaria marinha e arrancamos as plantas», exemplificou.
A investigadora sublinhou que as florestas marinhas «são essenciais para toda uma série de funções dos ecossistemas marinhos da costa» e que «é importante mostrar que são ecossistemas únicos e muito ricos, mas que enfrentam desafios crescentes, ligados à ação dos seres humanos».
«Queremos que as pessoas saiam do festival a olhar para o oceano de forma diferente, e todos com um sentido de responsabilidade e de contribuir para conservar estes ecossistemas, que são tão essenciais para sustentar as gerações futuras e a biodiversidade marinha na nossa costa», afirmou.
O festival é promovido pelo CCMAR em parceria com o município de Odemira, o Colégio Nossa Senhora da Graça, a Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes e a UAlg. O programa inclui observação de vida marinha, workshops, exposições, documentários e experiências aquáticas no rio Mira e na zona costeira.
No domingo, dia 17 de maio, o Colégio Nossa Senhora da Graça acolhe a reunião científica «Que futuro para as florestas marinhas de Portugal?», aberta ao público, com coordenação de Ester Serrão e de Isabel Sousa Pinto, da Universidade do Porto.
Entre 18 e 22 de maio decorre ainda um programa de descoberta de algas e plantas marinhas do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), dirigido a estudantes universitários.
Programa geral — destaques por dia
13 de maio — arranque com atividades para a comunidade escolar, incluindo Mar de Emoções (Oceanário de Lisboa) e Robô Navegador: uma Aventura no Fundo do Mar (Centro de Ciência Viva de Lagos);
14 e 15 de maio — programa intensivo para escolas, com atividades como Mudar a Maré (Oceanário de Lisboa), herbários de algas, microscopia, e sessões sobre ervas marinhas e mamíferos marinhos;
15 de maio — primeiro passeio público no litoral rochoso entremarés, Maré ao pôr-do-sol, às 19h00 na Praia do Farol, com interpretação da biodiversidade marinha (máximo 20 pessoas, inscrição prévia);
16 de maio — dia mais intenso para o público geral, com passeios de barco no rio Mira, mergulhos, workshops de fotografia de aves e de desenho de natureza, Missão Praia Limpa, e um programa noturno extenso que inclui dois documentários — Gorringe, o gigante do Atlântico (Fundação Oceano Azul, 18h30) e Rios Urbanos — Rio Mira (RTP, 21h00) — a estreia do documentário Florestas Marinhas da Costa Portuguesa de Sylvie Dias (22h15), e ainda um momento musical com alunos do Centro de Valorização da Viola Campaniça e do Cante de Improviso (22h30). Para fechar a noite: lançamento de vinho subaquático (Adega do Mar) e observações astronómicas;
17 de maio — reunião científica das 9h30 às 17h00, seguida do documentário 23 Milhas de Vasco Coelho, vencedor do prémio do Lisbon Underwater Festival 2026, às 17h00.
Programa científico — estrutura da reunião do dia 17
Três sessões temáticas ao longo do dia: Ecologia, Conservação e Monitorização; Cultivo, Inovação e Bioeconomia; e Restauro e Futuro das Florestas Marinhas. O debate final, plenário e aberto ao público, centra-se na questão «Que agenda para as florestas marinhas de Portugal até 2030?».
Exposições permanentes durante o festival
Oito exposições no Colégio Nossa Senhora da Graça, entre as quais OceanArt 2026: Science to Art (UAlg e CCMAR), fotografia da Expedição Oceano Azul Gorringe (Fundação Oceano Azul), e Floresta de Algas de Pedro Mendes Leal. Uma exposição de fotografia de João Mariano sobre apanha submarina de algas está instalada no Largo da Junta de Freguesia.
Fotos: Miguel Rodrigues/ Fundação Oceano Azul
