A viagem começou a ser preparada em junho. «Como tenho sido muito ativo em várias feiras e na imprensa, o contacto foi feito através de um tradutor que trabalha para várias empresas internacionais», revela Paulo Lopes, que organizou o programa no Algarve para os formandos da Europäischen Immobilien Akademie (EIA). «Perguntaram-me se poderia fazer um seminário sobre o mercado imobiliário de Portugal em língua alemã», que aconteceu na manhã da passada sexta-feira, 30 de outubro, no Hotel Viking, nos Alporchinhos, concelho de Lagoa. «Ficaram com uma ideia do país, de como é viver em Portugal, quais são as vantagens fiscais, a o estilo de vida, a gastronomia e a natureza», conta.
Segundo Beata Leinen, diretora de estudos da EIA, apenas quatro dos 35 formandos já visitara alguma vez Portugal. A maioria «trabalha na área imobiliária», embora também haja gente ligada à banca e à área financeira que quer complementar a sua atividade. «Outros estão a fazer a sua formação de forma a poderem subir de grau nas empresas onde trabalham e completar o mestrado», explicou.
Esta academia é a única na Alemanha que está vocacionada para os mercados externos da Europa. Tem sede em Saarbrücken, perto da fronteira entre a França e o Luxemburgo. «Existimos há 23 anos e somos reconhecidos pelo Ministério da Educação alemão. Mas só em 2008 começámos a organizar viagens de campo, com uma vertente mais prática. Temos sete cursos diferentes, cada ano letivo recebemos até 500 alunos», acrescentou Beata Leinen.
Atualmente, há novas regras naquele país para se exercer a profissão de mediador imobiliário. Até recentemente, não era obrigatória a frequência de formação prévia. Com a nova legislação, a procura tem vindo a crescer. «Não temos por base um currículo académico científico. As pessoas que dão formação estão na vida prática, são profissionais. Os formandos podem escolher os módulos que precisam ou querem frequentar. Quando acabam os mestrados, podem ter uma comparticipação do Estado para as propinas».
Nestas viagens de campo, «procuramos comparar dois mercados próximos. Já aconteceu na Suíça, Liechtenstein e Áustria. Turquia e Grécia». Em Málaga (Chiclana de la Frontera) foram acompanhados por um agente imobiliário especializado em quintas. «Sabe, os alunos não gostaram muito da Costa del sol», confidenciou.
Logo a seguir à conferência no Hotel Viking, houve uma visita guiada a Vilamoura e à Quinta do Lago. «Quisemos mostrar-lhes um pouco o que é o triângulo dourado do Algarve, que também se destaca a nível internacional, no que toca a resorts turísticos», explicou Paulo Lopes. No dia seguinte, a comitiva passeou por Carvoeiro e Ferragudo, «a outra vertente com potencial atrativo para o residente estrangeiro».
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Uma casa de férias ou a reforma ao sol?
«Acharam muito curioso Portugal ter abolido o imposto de sucessão e de doação entre familiares de primeiro grau, progenitores e descendentes, pais e filhos. Muitos não sabiam e ficaram espantados. Acharam positivo, porque, na maioria dos países europeus, continua a existir este imposto», explicou Idálio Silva Coelho, um dos oradores convidados pela «Casaibéria».
O advogado luso-alemão centrou a sua apresentação nos benefícios fiscais que um investidor estrangeiro pode beneficiar, quando compra uma casa em Portugal, como a possibilidade de requerer o estatuto de residente não-habitual. E, por via disso, ficar isento durante 10 anos do pagamento de IRS, desde que cá não obtenha rendimento. «É atrativo, por exemplo, para os reformados».
«Fizeram muitas perguntas sobre a questão fiscal em Portugal, e não tinham noção do crescimento dos preços. Na Espanha, em 20 anos, houve um aumento do valor imobiliário de cerca de 170 por cento. Em Portugal, durante o mesmo espaço de tempo, houve um aumento máximo de 10 por cento ao ano», o que na opinião de Paulo Lopes, torna o país mais atrativo ao investimento. Para este empresário, o cliente alemão «continua a ser o que compra uma casa de férias para a família».
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Pontes de contacto Portugal/Alemanha
Cada vez que a Europäischen Immobilien Akademie (EIA) planeia uma viagem de estudo, informa com antecedência a associação de profissionais do sector da Alemanha. «Às vezes trazemos empresários com interesse em determinados mercados. Temos sempre mais pedidos do que vagas», sublinhou Beata Leinen.
Na página de internet da EIA são referenciados os parceiros que apoiaram a comitiva. «Acontece muito telefonarem-nos à procura de parceiros de negócio, ou que possam ajudar a resolver problemas com imóveis no estrangeiro».
Segundo Paulo Lopes, consultor da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), ficou combinado um seminário com a congénere alemã, uma vez que Günter Brittnacher, diretor da EIA, é membro da direção.
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Visita guiada à Quinta do Lago
Visitas guiadas é algo que Constantino Jordan tem feito ao longo dos anos. Mas, «estudantes adultos é a primeira vez que recebo», brincou.
Segundo este consultor e conhecido empresário, «a Quinta do Lago tem muita construção nova, porque com o regresso da confiança, há muita iniciativa que estava parada e que agora recupera. Este é um bom local para se investir. Não é à prova da crise, mas é um investimento que se mantém estável. É uma zona de grande qualidade, que mantém o retorno garantido. E é importante sublinhar, como expliquei a este grupo, que só esta zona do concelho de Loulé representa o mesmo que a Autoeuropa no PIB português».