Lídia Jorge recebeu a Medalha de Mérito Cultural em Loulé, onde reafirmou a ligação ao Algarve e às suas origens.
A escritora Lídia Jorge recebeu, em Loulé, a Medalha de Mérito Cultural, distinção entregue pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, numa cerimónia realizada no Solar da Música Nova, na quarta-feira, dia 8 de junho.
A homenagem assinalou o percurso literário da autora algarvia, a poucos dias de completar 80 anos, e reconheceu o contributo que tem dado à cultura portuguesa e a projeção internacional da sua obra.
Durante a cerimónia, Lídia Jorge destacou a importância de receber a distinção na sua terra natal, sublinhando a ligação que mantém ao Algarve e a Loulé ao longo da sua vida e carreira.
«Por natureza, e não por plano, nunca enjeitei o espaço da origem. Pelo contrário, fui somando à experiência primordial da infância sucessivos círculos concêntricos que se foram alargando», afirmou a escritora, acrescentando que «à Medalha de Mérito de âmbito nacional» atribuída pelo Governo gostaria de juntar a expressão «atribuída em Loulé, Algarve».
A ministra Margarida Balseiro Lopes considerou a escritora uma das figuras mais relevantes da literatura portuguesa contemporânea, destacando o impacto da sua obra desde a publicação de «O Dia dos Prodígios», em 1980.
«Mais do que os prémios ou as distinções, aquilo que permanece é a força de uma escrita que continua a dialogar com diferentes gerações de leitores», referiu a governante.
O músico Dino D’Santiago participou igualmente na homenagem, evocando o percurso da autora e a dimensão humana e universal da sua escrita.
Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, anunciou que Lídia Jorge será a patrona da candidatura de Loulé a Capital Portuguesa da Cultura 2028.
O autarca considerou que a escritora representa «a profundidade, o pensamento crítico, a integridade» e constitui um exemplo para as novas gerações.
A escritora defendeu ainda o papel da literatura como espaço de resistência ao avanço da inteligência artificial e da uniformização do pensamento, sublinhando que «nenhuma máquina poderá rivalizar com a capacidade criativa que nós, os seres humanos, detemos».
Fotos: Mira / Câmara Municipal de Loulé.






