ACALB e AHRESP contestam as novas regras para a noite em Albufeira e defendem diálogo com a autarquia para evitar impactos na economia local.
A Associação Comercial de Albufeira (ACALB) realiza na segunda-feira, 1 de junho, às 17 horas, uma conferência de imprensa para apresentar publicamente as preocupações do tecido empresarial relativamente ao despacho municipal que altera os regulamentos de horários e ruído no concelho.
A sessão contará com a presença da direção da ACALB e tem como objetivo esclarecer a posição da associação, apresentar os impactos previstos das medidas na atividade económica local e informar sobre as diligências já desenvolvidas junto da autarquia.
Segundo a ACALB, a aplicação das novas regras, numa fase que coincide com o início da época alta turística, levanta dúvidas quanto à sua exequibilidade técnica, legalidade e impacto económico.
A associação considera que os efeitos das medidas poderão atingir transversalmente setores como a restauração, animação turística, hotelaria, comércio, transportes e emprego local.
«A ACALB reafirma a sua total disponibilidade para o diálogo institucional e para a construção de soluções equilibradas, sustentáveis e compatíveis com a realidade económica e turística de Albufeira», refere o coletivo em nota enviada hoje às redações.
Também a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) manifestou hoje preocupação com o despacho municipal publicado no dia 22 de maio e defendeu a criação de uma mesa de trabalho conjunta com a Câmara Municipal.
A associação reconhece que a convivência entre turismo, residentes e utilização do espaço público exige equilíbrio, mas recorda a importância económica da atividade turística para o concelho.
«Albufeira é um dos maiores polos turísticos do país, sendo que os setores da restauração e do alojamento turístico são o motor da sua economia, do seu emprego e da sua identidade enquanto destino», sustenta a AHRESP.
O coletivo acrescenta que a proximidade aos empresários, o conhecimento técnico acumulado e a experiência em processos regulatórios permitem apresentar contributos que conciliem a qualidade de vida dos residentes com a competitividade do destino e a sustentabilidade das empresas.
A contestação das associações surge após o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina, anunciar novas limitações aos horários de funcionamento da atividade noturna, justificadas com a necessidade de compatibilizar a atividade económica com o direito ao descanso da população.
Segundo o autarca, os bares passarão a encerrar às 03h00, as discotecas às 05h00 e as lojas de conveniência, supermercados e garrafeiras às 23h00.
Rui Cristina argumentou que os albufeirenses convivem há anos com «ruído excessivo» e «noites sem descanso» e defendeu que é necessário garantir que a população possa «descansar na sua própria casa».
O presidente da Câmara assegurou que «a noite em Albufeira vai continuar», mas com «regras, com equilíbrio e com respeito».
O autarca anunciou ainda o reforço da fiscalização do ruído, através da utilização obrigatória de limitadores de som, garantindo que «não haverá sistemas paralelos, manipulações ou formas de contornar as regras».
Albufeira é um dos concelhos mais turísticos do país e tem registado ao longo dos anos problemas relacionados com ruído, consumo excessivo de álcool e desacatos em zonas de diversão noturna, como a baixa da cidade e a zona da Oura.
Em maio de 2025, a venda de bebidas alcoólicas para consumo na via pública passou a ser restringida entre as 23h00 e as 08h00. Um mês depois, a autarquia implementou um código de comportamentos que prevê coimas entre 300 e 1.500 euros para situações de nudez ou circulação em biquíni ou fato de banho fora das zonas balneares, tal como o barlavento noticiou.
As duas associações mantêm disponibilidade para dialogar com a autarquia e defendem a procura de soluções que conciliem a atividade económica, a competitividade turística e a qualidade de vida dos residentes.
Foto: Bruno Filipe Pires