Antigo líder do PSD criticou responsáveis políticos que tentam ser mais populistas do que os próprios populistas.
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho criticou os políticos que, para tentarem agradar a todos ainda mais do que os populistas, se tornam postiços, comparando-os a «prostitutos sem caráter».
Numa intervenção de quase 50 minutos na apresentação de um livro, na terça-feira, 26 de maio, em Lisboa, Passos defendeu que a política tem de ter uma dimensão de liderança e criticou o que chamou de «uma maldição que tomou conta do espaço europeu e também do espaço português»: «Os líderes não quererem desagradar a ninguém, o que é uma coisa virtualmente impossível pelo menos durante muito tempo».
O antigo líder do PSD avisou que quando, com medo do populismo, o político do chamado mainstream «lhe veste a casaca para evitar que o populismo chegue com o voto ao palácio e resolve ser mais populista do que o populista, normalmente a história mostra que a coisa não funciona».
«O que é autêntico e genuíno sempre se manifesta e de uma forma muito mais eficaz do que o que é postiço e então o postiço fica sem nada: fica sem integridade, fica como um prostituto sem caráter, sem reduto de pensamento, simplesmente vendido ao aplauso que o momento lhe possa fornecer», afirmou, sem explicitar a quem dirigia o recado, numa apresentação onde esteve sentado ao lado do líder do Chega, André Ventura,
E continuou o alerta: «Mas a mesma multidão que o aplaude o condena passado muito pouco tempo quando o futuro que não é desejado chega».
«Se não queremos que esse futuro chegue, se não queremos que esta Europa fluida tome conta do nosso espaço normativo e político, é preciso fazer qualquer coisa e qualquer coisa que nos distinga dos outros», disse.
Passos voltou à ideia que transmitiu quando era primeiro-ministro de quem nem sempre o mais importante é vencer as eleições.
«Há pessoas que não se importam de perder a defender aquilo em que acreditam e o mundo vive disso: o mundo não vive daqueles que só querem ganhar com as ideias dos outros», disse.
O antigo primeiro-ministro saudou que tenham sido tomadas em Portugal medidas para estancar uma imigração «considerada excessiva pela generalidade das pessoas».
«Ao ritmo a que as coisas estavam, qualquer dia estaríamos com certeza a falar não do povo português, nem da cultura portuguesa nem de coisa nenhuma», afirmou.