Aterro do Sotavento sobrelotado, ecopontos cheios e turismo sazonal aumentam pressão sobre o sistema de resíduos no Algarve.
A Ecotopia Activa alertou, na segunda-feira, 18 de maio, para a pressão sobre a capacidade do Aterro Sanitário do Sotavento e considerou insustentável a atual situação do sistema de gestão de resíduos no Algarve.
Segundo a associação, o sistema multimunicipal de gestão de resíduos da região, gerido pela Algar, continua fortemente dependente da deposição em aterro, apesar das metas europeias associadas à economia circular e à valorização de resíduos.
A organização refere que dados públicos e estudos setoriais apontam para níveis elevados de deposição de resíduos em aterro no Algarve, frequentemente na ordem dos 80 por cento.
A Ecotopia Activa considera que esta realidade resulta de limitações estruturais do sistema, defendendo investimento contínuo, reforço da capacidade de valorização e melhoria da eficiência operacional.
A associação alerta ainda para situações frequentes de sobrelotação dos ecopontos em vários pontos do território, considerando que estas evidenciam constrangimentos na resposta operacional e na adequação da infraestrutura à produção real de resíduos.
Segundo a mesma fonte, a pressão turística sazonal agrava o funcionamento do sistema e aumenta os custos suportados pelos municípios e pelos cidadãos.
A Ecotopia Activa defende também a implementação efetiva da recolha seletiva de biorresíduos, prevista na legislação europeia, como forma de reduzir a dependência do aterro e aumentar a valorização da fração orgânica.
A associação considera ainda necessário reforçar campanhas contínuas de sensibilização e educação ambiental, através de ações no espaço público, escolas, meios digitais, rádios locais e iniciativas comunitárias.
Defende igualmente o reforço dos meios humanos, mecânicos, logísticos e operacionais associados à recolha seletiva, para melhorar a eficiência da triagem e evitar a sobrecarga frequente dos ecopontos.
A associação apela à definição de uma estratégia regional coerente de transição para a economia circular, considerando que a continuidade de um modelo fortemente dependente de aterro não é compatível com as metas ambientais europeias nem com a resiliência ambiental do Algarve.
Recorde-se que, em fevereiro de 2025, o barlavento já tinha noticiado que o Aterro Sanitário do Sotavento se aproximava do limite de capacidade.
Foto: Bruno Filipe Pires.