O Faro Blues regressa ao Teatro Lethes com um cartaz internacional que reúne artistas dos EUA, Suíça, Países Baixos e Portugal, de 28 a 30 de maio.
Segundo a organização, o objetivo passa por afirmar Faro como «um farol do Blues em Portugal», conjugando música, turismo e património cultural numa experiência que reúne «artistas de renome mundial e talentos emergentes que estão a redefinir o género, com o encanto único da região».
Abertura «intensa e carregada de alma»
O festival arranca a 28 de maio com dois concertos de caráter distinto. Bonny B. & Ice B. abrem a programação com uma história tão singular quanto a sua música: nascido no Camboja durante a ditadura de Pol Pot e refugiado na Suíça aos sete anos, Bonny B. transformou uma vida marcada pela adversidade numa das carreiras mais originais do Blues europeu.
Cantor, harmonicista e mestre da cigar box guitar, acumula décadas de digressões internacionais, cerca de vinte álbuns e uma ligação profunda a Chicago, onde partilhou palco com Buddy Guy, Louisiana Red e John Primer.
Em 2005, foi convidado por Claude Nobs para atuar ao lado de B.B. King no Festival de Jazz de Montreux. Em Faro, apresenta-se acompanhado pelo irmão Michel «Ice B.» Chanmongkhon, prometendo um concerto intenso e carregado de alma.
A encerrar a noite, os portugueses Annie Road apresentam-se em formato acústico em duo, destacando a expressividade vocal de Ana Fernandes e o trabalho criativo de Pablo Banazol, músico e compositor com ligações a projetos como Neruda e Ala dos Namorados.
Uma das bandas portuguesas que mais tem contribuído para renovar o Blues nacional, os Annie Road prometem um concerto intimista, elegante e profundamente emocional.
Autenticidade do Delta encontra o jazz português
No segundo dia sobe ao palco Richard Ray Farrell, um dos mais autênticos bluesmen da atualidade. Nascido em Niagara Falls, Nova Iorque, começou como músico de rua em Paris aos 18 anos e construiu ao longo de mais de quatro décadas uma carreira internacional marcada pela colaboração com figuras históricas como Lazy Lester, Louisiana Red, Frank Frost e R.L. Burnside.
Mestre da guitarra slide e da harmónica, profundamente enraizado no Delta Blues e no storytelling tradicional, chega a Faro com a autenticidade rara de quem não apenas toca Blues — mas o vive verdadeiramente.
A noite prossegue com os Rhythm Traders, projeto liderado por Zé Eduardo, uma das figuras mais respeitadas do jazz português.
A banda apresenta-se em formato alargado de oito elementos — secção rítmica, sopros, violino e voz — numa sonoridade que atravessa geografias e épocas, do som urbano de Chicago às atmosferas festivas de New Orleans, expandindo o Blues para territórios de fusão com funk, soul e rock.
Gospel, histórias e emoção fecham o cartaz
A programação encerra a 30 de maio com dois concertos internacionais. A Gervis Myles Blues Band traz dos Estados Unidos da América (EUA) uma música que nasce da fusão entre Gospel, Blues, Soul, Jazz e R&B. Gervis Myles cresceu rodeado de música, teve encontros decisivos com lendas como B.B. King, Honeyboy Edwards e Jimmy «Duck» Holmes, e apesar de só ter iniciado a carreira em palco aos 37 anos, conquistou rapidamente reconhecimento pela intensidade emocional da sua voz. O espetáculo promete espiritualidade, emoção e energia, onde o poder do Gospel encontra a profundidade do Blues.
A fechar o festival, o neerlandês Robbert Duijf regressa em formato solo, trazendo um Blues cru, emocional e profundamente sincero. Inspirado pelo Gospel Blues, Delta Blues e folk britânico-americana, com influências em nomes como Charley Patton, Blind Willie Johnson e John Lee Hooker, Robbert constrói uma sonoridade honesta e espiritual onde música, histórias e emoção criam uma ligação imediata com o público.
Atividades paralelas
Além dos concertos, o Faro Blues 2026 inclui um programa paralelo que alarga o festival a outros públicos. André Sousa Machado, um dos bateristas mais versáteis da cena portuguesa, orienta duas sessões de workshop dedicadas à bateria e ao universo rítmico do Blues — uma dirigida a jovens músicos e outra a adultos —, explorando os fundamentos rítmicos que deram origem ao Blues e influenciaram grande parte da música contemporânea.
Em simultâneo, a exposição de pintura «Arte em Duas Vozes», de Margarida Freire, propõe um diálogo entre pintura, emoção e música, explorando cor, ritmo e movimento numa experiência sensorial que evoca a intensidade e a liberdade do universo Blues.
Bilhetes e reservas
Os bilhetes encontram-se à venda na bilheteira do Teatro Lethes, na plataforma BOL e nas lojas aderentes. Os preços são de 15 euros para entradas diárias e 37,50 euros para o passe dos três dias. Para associados da Blues a Sul, os valores são de 12 euros por dia e 30 euros para o festival completo.
De notar que a plataforma BOL apenas permite a compra de bilhetes diários para o público. A compra de para passes de três dias e bilhetes de associados deverá ser feita diretamente na bilheteira do Teatro Lethes, ou reservada por telefone (289 878 908/ 919 172 008), ou email ([email protected]).
A 12.ª edição do Festival Internacional de Blues de Faro é organizada pela Blues a Sul – Associação de Blues do Algarve, em parceria com o Teatro Lethes, ACTA e Associação Recreativa e Cultural de Músicos, com apoio do município de Faro.