Carneiro afasta leitura partidária da vitória Presidencial de António José Seguro e lembra que nada muda no papel do PS na oposição
O secretário-geral do Partido Socialista pediu que «não se confundam os planos», lembrou que «naturalmente o PS é um partido da oposição» e que a vitória de António José Seguro nas Presidenciais foi «uma grande vitória dos democratas de todo o país».
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, recusou que a vitória de António José Seguro nas eleições Presidenciais seja um «balão de oxigénio» para o partido, por estarem em causa planos diferentes.
Ontem, à chegada ao quartel-general de António José Seguro, de onde saiu menos de uma hora depois, José Luís Carneiro explicou porque marcou presença esta noite nas Caldas da Rainha, ao contrário do que fez na primeira volta.
«Decidimos os dois não vir há três semanas e decidimos hoje os dois vir para dar um abraço, um abraço a um grande amigo de há muito tempo», afirmou.
Questionado sobre se esta vitória representava o «balão de oxigénio» de que os socialistas precisavam após resultados negativos nas últimas eleições, José Luís Carneiro negou e pediu que «não se confundam os planos», sublinhando que «naturalmente o PS é um partido da oposição» e que esta foi «uma grande vitória dos democratas de todo o país».
O líder do PS considerou que este é um resultado positivo para todos os «democratas, humanistas e os que se batem todos os dias» por um país «em que o diálogo e a tolerância se imponham à sobranceria, à arrogância, ao divisionismo» e à desvalorização das instituições.
«A vitória de António José Seguro é uma vitória sua em primeiro lugar, da sua coragem. Ele avançou sozinho, com estimativas eleitorais muito baixas e, a partir de uma atitude de coragem, progressivamente conquistou os portugueses. Isto é uma grande alegria», acrescentou.
Interrogado sobre se não se arrepende de o PS não ter apoiado Seguro mais cedo, Carneiro disse que o resultado mostra que «a decisão foi tomada no momento oportuno».
O líder do PS falou ainda de «uma grande alegria para os socialistas de todo o país» pelo facto de um antigo secretário-geral chegar à Presidência da República 25 anos depois.
«Que se tenha em consideração que cerca de dois terços dos portugueses se mostraram a favor da estabilidade constitucional e da defesa dos valores constitucionais. Isso é em si mesmo uma mensagem muito importante», frisou.
António José Seguro tornou-se no Presidente da República eleito com o maior número de votos expressos em 50 anos de democracia, ao superar os 3.459.521 votos de Mário Soares no sufrágio de 1991, tal como o barlavento noticiou.
Na segunda volta das eleições Presidenciais de 8 de fevereiro, o antigo secretário-geral do Partido Socialista chegou aos 3.482.481 votos, totalizando 66,82 % dos votos válidos, de acordo com os dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.
André Ventura obteve 1.729.371 votos, ou seja, 33,18% do total.
Até hoje, Mário Soares, na sua reeleição em 1991, era o Presidente da República eleito com maior número de votos, 3.459.521, e maior percentagem, 70,35%.
Esta foi a 11.ª vez que os portugueses foram chamados a escolher o chefe de Estado em democracia, desde 1976.
O atual Presidente da República, eleito em 2016, é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março de 2026.
Desde 1976, foram eleitos António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).