A medalha de prata conquistada hoje por Portugal nas estafetas mistas dos Campeonatos da Europa de corta-mato, em Lagoa, foi «a cereja em cima do bolo» de uma «organização espetacular», afirmou o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), Domingos Castro.
Em declarações à agência Lusa, o dirigente destacou o reconhecimento recebido por parte das entidades internacionais. «Em primeiro lugar, e não sou eu que o digo, é o feedback que tenho, foi uma organização espetacular. E, para combinar, a cereja em cima do bolo é a medalha que nós ganhámos nas estafetas mistas».
Domingos Castro revelou que acreditava desde cedo na possibilidade de a estafeta portuguesa chegar às medalhas. «Eu disse: quero entregar as estafetas mistas. Já era um prenúncio de que acreditava que podíamos ser medalhados».
Apesar da ausência de Nuno Pereira, que não competiu por doença, o presidente da FPA elogiou o comportamento da equipa. «O Nuno Pereira ficou doente, não correu, mas os quatro portaram-se muitíssimo bem, criaram um grupo muito bom».
O dirigente reconheceu que houve desilusões nas provas individuais, nomeadamente as desistências de Mariana Machado e José Carlos Pinto, ambos campeões nacionais em título neste percurso e com expectativas para as corridas em Lagoa. «As coisas não correram bem para eles, tinham algumas expectativas».
Ainda assim, Domingos Castro enquadrou os resultados no contexto competitivo do atletismo. «Eu fui atleta, sei que estas coisas acontecem. São coisas da vida do atletismo e dos atletas».
Para o presidente da FPA, os Europeus realizados em Lagoa confirmaram a capacidade organizativa de Portugal. A prova foi «quase perfeita, para não dizer que foi perfeita», reforçando a ideia de que o país «já é um habitué de excelência, a todos os níveis», o que poderá abrir caminho a mais competições continentais em solo nacional.
O balanço desportivo foi também analisado por Paulo Murta, técnico nacional de meio-fundo e marcha, que recorreu à chamada «regra dos terços». «Tivemos um terço que se superou, que esteve bem. Tivemos um terço dentro do esperado. E tivemos um terço que, normalmente, corre sempre menos bem».
Paulo Murta apontou várias condicionantes que influenciaram o rendimento global da seleção. «É normal uma queda, é normal torcer um pé, é normal uma má disposição, além de um surto de gripe que nos afetou».
Ainda assim, destacou o nível apresentado pela estafeta mista. «Apresentou-se com um nível muito bom e conseguiu o segundo lugar num lote de países com grande possibilidade de lutar pelas medalhas».
Nas provas individuais, o técnico sublinhou a presença portuguesa em lugares de relevo. «Houve vários top-20».
Apesar das baixas registadas, o responsável pelo crosse da FPA considerou o balanço positivo. «Mesmo assim, o resultado tem de ser positivo. Não é o positivo que a gente queria, mas é positivo».
A 31.ª edição dos Campeonatos da Europa de corta-mato, disputada em Lagoa, ficou ainda marcada pelos triunfos da italiana Nadia Battocletti e da britânica Innes Fitzgerald, que prolongaram os seus reinados no crosse europeu.
Na estafeta mista, Portugal conquistou a medalha de prata, atrás da Itália, depois de uma recuperação decisiva no último percurso, protagonizada por Isaac Nader. O campeão do mundo dos 1.500 metros levou a equipa do quinto ao segundo lugar, após o trabalho desenvolvido por Patrícia Silva, Rodrigo Lima e Salomé Afonso.
Fotos: FPA/ Sportmedia e Marcelino Almeida