A integração do HPA na CUF permitirá aos doentes algarvios beneficiar da experiência de quatro décadas da rede na área da oncologia, afirma Pedro Bastos, responsável pela unidades de saúde do grupo no Algarve, Alentejo e Madeira.
barlavento: A aquisição do Grupo HPA pela CUF está concluída. Para um utente algarvio, o que muda efetivamente a partir de agora? Qual é a principal transformação que gostaria que os algarvios associassem a esta entrada da CUF na região?
Pedro Bastos: A principal mudança é a integração das unidades de saúde do Algarve na maior rede nacional de cuidados de saúde. Para os doentes, isso significa maior articulação entre equipas, maior continuidade assistencial e acesso a uma rede mais ampla de conhecimento científico e diferenciação clínica. Um dos avanços mais relevantes é a possibilidade de os médicos das unidades de saúde do Algarve, mas também do Alentejo e da Madeira, passarem a aceder à informação clínica dos doentes acompanhados noutras unidades de saúde CUF. Esta integração reforça a segurança clínica e permite uma visão mais completa do percurso assistencial de cada pessoa. Gostaria que os algarvios associassem esta entrada da CUF a uma mensagem de confiança, estabilidade e visão de longo prazo.
Se tivesse de resumir esta operação numa frase, qual seria a principal mensagem para os utentes do Algarve?
A principal mensagem é simples: estamos a reforçar a capacidade de resposta no Algarve, integrando unidades de saúde de referência numa rede nacional, mais articulada, mais próxima e preparada para acompanhar melhor os doentes e as suas famílias ao longo da vida.
Que vantagens concretas terá um doente do Algarve por passar a integrar uma rede nacional como a CUF? E vice-versa?
Um doente do Algarve passa a beneficiar de uma rede nacional de cuidados de saúde, com equipas que podem trabalhar de forma mais articulada, partilhar conhecimento e aceder a informação clínica relevante. Isto é particularmente importante para quem vive no Algarve mas se desloca frequentemente a outras regiões do país. A informação clínica passa a acompanhar melhor o doente dentro da rede, permitindo decisões mais informadas e maior continuidade de cuidados.
No sentido inverso, um doente acompanhado noutra unidade de saúde CUF que precise de cuidados no Algarve poderá também beneficiar da capacidade instalada, da experiência e do conhecimento das equipas locais. Esta integração aproxima igualmente os doentes do Algarve da experiência de 40 anos da CUF Oncologia, o maior diagnosticador privado de cancro em Portugal e o terceiro a nível nacional entre hospitais públicos e privados, de acordo com o Registo Oncológico Nacional. Através de uma rede integrada de equipas multidisciplinares, investigação clínica e acesso a terapêuticas inovadoras, os doentes passam a beneficiar de uma resposta cada vez mais diferenciada, independentemente da unidade da rede onde iniciam o seu percurso
O HPA construiu uma relação emocional muito forte com a comunidade algarvia. Como garante que essa proximidade não se perde quando uma estrutura regional passa a integrar o maior grupo privado de saúde do país?
Essa proximidade é um ativo muito importante e não queremos perdê-la. Pelo contrário, queremos valorizá-la. As unidades de saúde do HPA têm uma história muito relevante no Algarve, construída pelas suas equipas e pela relação de confiança estabelecida com a população. A integração na CUF não apaga esse percurso. Acrescenta-lhe a força de uma rede nacional, com mais capacidade de articulação, conhecimento e desenvolvimento. Queremos manter a ligação às comunidades, às instituições locais e às necessidades concretas da região, reforçando aquilo que já existe de positivo.
O Grupo HPA construiu uma identidade muito própria no Algarve ao longo de mais de duas décadas. Como se preserva essa proximidade regional numa organização de dimensão nacional?
Preserva-se respeitando a história, as equipas e a realidade de cada unidade de saúde. A integração é um processo faseado, que procura harmonizar sistemas, processos e modelos de trabalho, mantendo o foco na qualidade dos cuidados e na estabilidade das equipas. A CUF tem uma dimensão nacional, mas a sua atuação é sempre construída em proximidade com os territórios onde está presente. No Algarve, isso significa continuar a ouvir as comunidades, trabalhar com os parceiros locais e responder às necessidades específicas da região.
O HPA desenvolveu uma forte componente de eventos científicos, rastreios, sessões para grávidas, encontros de oncologia, simpósios, workshops e ações abertas à comunidade. Esta aposta vai manter-se? Há garantia de continuidade dos eventos de referência regional? A CUF pretende trazer ao Algarve congressos ou encontros científicos de dimensão nacional associados à rede CUF?
A formação, a literacia em saúde e a ligação à comunidade continuarão a ser dimensões estratégicas. O trabalho desenvolvido até aqui pelo HPA nesta área tem grande valor e faz parte da relação construída com a região. Iniciativas como encontros científicos, ações de literacia em saúde, rastreios ou ainda sessões dirigidas à comunidade são formas muito importantes de aproximar a saúde das pessoas. integração na CUF cria condições para reforçar esta dimensão, quer através da continuidade das iniciativas com maior impacto regional, quer através da possibilidade de envolver a rede CUF em projetos científicos, formativos e de literacia em saúde com maior alcance.
Naturalmente, este trabalho será desenvolvido de forma faseada e articulada com as equipas locais. O objetivo é preservar o que tem valor, reforçar o que pode crescer e trazer ao Algarve novas oportunidades de partilha de conhecimento.
A CUF assumiu o controlo de 75% do grupo. O que significa isso em termos de governação e autonomia das unidades algarvias?
Significa que estas unidades de saúde passam a integrar a rede CUF, beneficiando de uma governação mais articulada, de processos comuns e de uma visão estratégica integrada. Ao mesmo tempo, é fundamental preservar o conhecimento local e a capacidade de resposta das equipas que conhecem profundamente a realidade da região. A integração será feita de forma progressiva, garantindo estabilidade, proximidade e continuidade.
Há investimentos já decididos para o Algarve? Pode quantificá-los? O próximo passo é crescer dentro das atuais unidades ou construir novas infraestruturas na região?
Neste momento, a prioridade está na integração das equipas, dos processos, dos sistemas e do conhecimento clínico. Esse é o investimento mais relevante nesta fase, porque tem impacto direto na qualidade, na segurança e na continuidade dos cuidados. Naturalmente, olharemos para as necessidades futuras da região e para as oportunidades de reforço da oferta clínica. Mas qualquer decisão sobre novos investimentos ou infraestruturas será tomada de forma sustentada, em função das necessidades das populações e da evolução da procura.
Existem novas especialidades previstas para a região?
A integração na CUF permitirá reforçar progressivamente a oferta clínica e tornar algumas áreas mais robustas e diferenciadas. Nesta fase, mais do que anunciar especialidades concretas, estamos focados em perceber onde a rede CUF pode acrescentar mais valor às equipas locais e aos doentes.
A partilha de conhecimento entre profissionais de diferentes unidades de saúde CUF será muito importante para desenvolver respostas clínicas mais integradas e diferenciadas no Algarve.
A escassez de profissionais de saúde é hoje um dos maiores desafios do setor. Como vão enfrentar essa dificuldade?
A escassez de profissionais é um desafio transversal ao setor e particularmente sensível em algumas regiões, como o Algarve. A nossa resposta passa por criar condições para atrair, desenvolver e reter talento. A integração na CUF permite oferecer aos profissionais um projeto sólido, com visão de longo prazo, acesso a formação contínua, partilha de conhecimento, colaboração entre equipas e oportunidades de desenvolvimento profissional. Num setor em que as pessoas fazem toda a diferença, a capacidade de criar estabilidade e perspetivas de carreira é essencial. Esta capacidade de atração resulta também do reconhecimento externo da CUF enquanto empregador. A CUF foi novamente distinguida pelo estudo Randstad Employer Brand Research como a empresa do setor da saúde mais atrativa para trabalhar em Portugal, integrando igualmente o top 10 das empresas mais atrativas do país.
A integração na CUF permitirá oferecer carreiras mais atrativas aos profissionais do HPA? Pergunto ao contrário: há profissionais da CUF que querem fixar-se no Algarve?
Sim, acreditamos que a integração na CUF aumenta a atratividade destas unidades de saúde para os profissionais da área. Os colaboradores passam a integrar uma organização que investe na formação, no desenvolvimento profissional, na partilha de conhecimento e em programas de valorização das pessoas. A CUF é também a primeira empresa em Portugal certificada como Empresa Familiarmente Responsável (efr), refletindo o compromisso com a conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar e com o bem-estar dos seus colaboradores
Quanto à mobilidade interna, a força de uma rede nacional está também nessa possibilidade: criar oportunidades para que profissionais possam colaborar entre regiões, desenvolver projetos em diferentes unidades de saúde ou, em alguns casos, fixar-se em geografias onde existam necessidades e oportunidades.
Há risco de centralização de serviços ou decisões fora do Algarve?
Não é essa a lógica do processo. A integração numa rede nacional não significa afastamento da realidade local. Pelo contrário, queremos combinar a força da rede CUF com o conhecimento das equipas locais. Há decisões e processos que beneficiam de uma maior harmonização, mas a resposta assistencial tem de continuar próxima das populações e adaptada às necessidades de cada região, tal como já acontece nas restantes unidades da rede.
A Autoridade da Concorrência impôs condições à operação. Como vê essas exigências e que impacto terão na região?
As condições definidas pela Autoridade da Concorrência fazem parte do processo de avaliação de uma operação desta dimensão e serão integralmente cumpridas.
A CUF passa agora a ter uma posição muito relevante na saúde privada algarvia. No entanto, temos o grupo Lusíadas Saúde a investir 60 milhões num novo hospital em Faro. Não será oferta a mais?
O Algarve é uma região com características muito próprias: tem uma população residente em crescimento, uma forte presença de residentes estrangeiros e uma procura sazonal muito significativa associada ao turismo. A existência de investimento no setor da saúde demonstra que há confiança no potencial da região e nas suas necessidades futuras. Da nossa parte, estamos focados no nosso projeto: consolidar a integração das unidades de saúde CUF no Algarve, reforçar a qualidade assistencial e continuar a responder às necessidades das populações com proximidade, diferenciação clínica e visão de longo prazo.
O Algarve continua a receber milhares de turistas todos os anos. A procura de cuidados de saúde por residentes estrangeiros é um dos targets? Como lhes vão comunicar a nova marca?
O Algarve tem uma população muito diversa, que inclui residentes permanentes, residentes estrangeiros, visitantes nacionais e turistas internacionais. Naturalmente, todos estes públicos são relevantes para uma rede de cuidados de saúde presente na região.
A comunicação da marca CUF será feita de forma progressiva, clara e próxima, explicando o que muda e, sobretudo, o que esta integração representa: mais rede, mais continuidade de cuidados, mais segurança clínica e maior capacidade de resposta. Para os residentes estrangeiros, a confiança, a acessibilidade e a capacidade de acompanhamento ao longo do tempo são fatores muito relevantes.
A inteligência artificial está a entrar rapidamente na área da saúde. Que aplicações já estão a ser utilizadas ou preparadas pela CUF?
A CUF tem vindo a investir na inovação e na transformação digital como instrumentos ao serviço da qualidade clínica e da eficiência dos cuidados. A inteligência artificial é uma área com grande potencial, nomeadamente no apoio ao diagnóstico, na análise de informação clínica, na otimização de processos e na melhoria da experiência dos clientes. O objetivo nunca é substituir a decisão clínica, mas apoiar os profissionais com ferramentas que permitam maior rigor, rapidez e segurança. Qualquer aplicação destas tecnologias tem de ser feita com responsabilidade, validação clínica e foco no benefício para os doentes.
Como imagina a rede CUF no Algarve daqui a cinco ou 10 anos?
Queremos que o Algarve beneficie da capacidade da CUF para mobilizar conhecimento, tecnologia e competências clínicas em várias áreas, mantendo sempre uma forte ligação à região. Daqui a cinco ou 10 anos, espero que os algarvios reconheçam esta integração como um passo que trouxe mais qualidade, mais segurança, mais capacidade de resposta e mais confiança na prestação de cuidados de saúde
O HPA assumiu durante anos um papel relevante na formação contínua dos profissionais de saúde da região. Essa vertente científica continua a ser estratégica?
Sim, sem dúvida. A formação contínua dos profissionais de saúde é essencial para garantir qualidade, diferenciação e capacidade de inovação. A CUF tem uma forte aposta na formação, na partilha de conhecimento e no desenvolvimento científico. A integração destas unidades de saúde cria condições para reforçar essa dimensão no Algarve, promovendo a colaboração entre equipas, a participação em iniciativas científicas e a ligação a projetos formativos de maior alcance.
Através da CUF Academic Center e da colaboração entre profissionais de toda a rede, queremos reforçar ainda mais a formação, a investigação clínica e a organização de iniciativas científicas na região. A experiência desenvolvida em áreas altamente diferenciadas, como a CUF Oncologia, poderá também contribuir para aproximar o Algarve de projetos de investigação, inovação e partilha de conhecimento à escala nacional. Esta vertente continuará a ser estratégica, porque cuidar melhor implica aprender continuamente, partilhar conhecimento e criar condições para que os profissionais se desenvolvam ao longo da sua carreira.