A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) quer ajudar os empresários a cumprir a segurança alimentar, depois do apagão de ontem.
A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) está a acompanhar os efeitos do apagão de energia na segunda-feira e está a preparar com a ASAE orientações para ajudar empresários no cumprimento das regras de segurança alimentar.
A par do impacto que a falha energética teve na operação normal dos restaurantes, em que apenas os que tinham meios alternativos como fogões a lenha, grelhadores ou fogões a gás conseguiram operar, a AHRESP aponta a questão do funcionamento dos equipamentos de frio.
Neste sentido, a secretária-geral da associação, Ana Jacinto, adiantou que a AHRESP está já a preparar, em articulação com a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), um conjunto de «orientações claras para apoiar os empresários na gestão desta situação e assegurar o cumprimento rigoroso das boas práticas de segurança alimentar».
Ana Jacinto refere, contudo, que as empresas do sector que representa têm um grande histórico de responsabilidade e compromisso com a qualidade e segurança dos produtos e serviços e que «não há motivos para alarmismo».
Numa declaração escrita enviada à Lusa, Ana Jacinto reitera a disponibilidade da associação para colaborar com o Governo e autoridades e manifesta intenção de acompanhar de perto as medidas adotadas, de forma a garantir que os sectores da restauração e do alojamento turístico conseguem minimizar eventuais prejuízos.
«A AHRESP continuará a monitorizar atentamente o evoluir da situação, em articulação permanente com os empresários e as autoridades competentes», refere Ana Jacinto, assinalando que a falha no abastecimento de eletricidade casou a paralisação total ou parcial de alguns restaurantes.
Alguns restaurantes contactados pela Lusa indicam que o maior impacto do apagão resultou na quebra de faturação, com muitas reservas a não se concretizarem e diminuição no número de clientes, e não na parte da conservação dos alimentos.
Por sua vez, a associação PRO.VAR pediu hoje a criação de um fundo de emergência para apoiar a restauração após apagão de segunda-feira, alertando para «perdas graves» de mercadorias e faturação.
O corte generalizado no abastecimento elétrico afetou segunda-feira, desde as 11h30, Portugal e Espanha, continua, no entanto, sem ter explicação por parte das autoridades.
Aeroportos fechados, congestionamento nos transportes e no trânsito nas grandes cidades foram algumas das consequências do apagão. Apesar de ainda não terem sido divulgadas as causas, esta manhã, a empresa responsável pela gestão da rede elétrica de Espanha descartou a possibilidade de um ciberataque à companhia.
Também o operador de rede de distribuição de eletricidade E-Redes garantiu hoje ao início da manhã que o serviço está totalmente reposto e normalizado, tal como barlavento noticiou.
A energia elétrica foi reposta aos 6,4 milhões de clientes do país, que está agora «ligado com normalidade» e, durante a noite, não se verificaram perturbações de segurança ou de proteção civil, segundo adiantou hoje o governo.
Durante o dia de ontem, as redes sociais foram invadidas por uma onda de desinformação.
Foto: Bruno Filipe Pires