André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, revelou esta tarde na BTL, em Lisboa, que a efeméride dos 55 anos da instituição será celebrada em toda a região, de 18 de março a 27 de setembro.
É uma efeméride que se cruza com várias outras e que merece uma programação especial, revelou hoje aos jornalistas André Gomes, presidente do Turismo do Algarve.
«Acho que este eventos são todos relevantes. O que posso dizer é que eles vão ocorrer nos 16 municípios da região, portanto vão ter toda uma transversalidade regional. Vão desde eventos culturais, desportivos, a conferências estratégicas, até ao assinalar de efemérides, como os 60 anos do Aeroporto de Faro, em julho, ou mesmo os 30 anos da AHETA, a nossa principal associação hoteleira da região, que também este ano comemora 30 anos».
«O que pretendemos com estes 55 anos e 55 eventos é, de alguma forma, alavancar em termos de divulgação e de promoção muitos dos eventos que já vão sendo tendo icónicos anualmente na nossa região. Reconhecemos que trazem uma grande mais-valia ao relevante interesse turístico do nosso território», disse André Gomes, esta tarde aos jornalistas, na BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market, a maior feira de turismo do país, organizada pela Fundação AIP, que decorre até 16 março 2025, em Lisboa.
A lista de evento estará prestes a sair, e inclui eventos de 18 de março até dia 27 de setembro.
Outro ponto alto será a chegada do voo direto da United Airlines entre Nova Iorque/Newark e Faro, já em maio.
«É bastante relevante para a região. O feedback que temos por parte da United é que as vendas estão a correr a bom ritmo e a bom preço. Portanto, as coisas estão a correr muito bem. E para potenciarmos esta nova rota, uma semana antes do início, vamos também com empresas da região, um roadshow pelos Estados Unidos da América, em particular por Boston e Nova Iorque, aproveitando a conectividade que temos com a SATA, com Ponta Delgada, para fazermos apresentações do destino, propiciarmos oportunidades de negócio entre as nossas empresas e muitos operadores e agentes turísticos norte-americanos», de modo a «explorar este potencial deste mercado».
Ainda sobre o mercado norte-americano, apesar da nova realidade geopolítica, Gomes mostrou-se otimista.
«A avaliar pelos reflexos que temos verificado nos últimos meses, a presença de investimentos norte-americanos na região tem-se evidenciado de uma forma muito clara. Tenderia a dizer que os impactos estarão a ser positivos. É com bons olhos que vemos investimentos norte-americanos na região, que estão a trazer uma requalificação extraordinária da nossa oferta hoteleira. Estão a trazer marcas de grande notoriedade internacional para a nossa região. Não é construção nova, mas sim qualificação de unidades já existentes».

Um possível ano de novos recordes
André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, frisou que «depois de em 2023 já termos registado dados históricos no desempenho da atividade, 2024 veio consolidar o Algarve como um dos principais destinos turísticos da Europa. Registámos pela primeira vez 5,2 milhões de hóspedes, marca nunca tinha sido atingida pela região, e que representa um crescimento de 1,3% ao nível do turismo nacional e 3% ao nível do turismo internacional».
Para contrariar algumas narrativas sobre o mercado interno, sobre «que havia menos turistas nacionais na região em 2024, de facto, é com agrado que os dados demonstram o contrário».
Questionado sobre as perspectivas para 2025, o presidente do turismo do Algarve prevê mais uma excelente performance, a julgar pelos números disponíveis, referentes a janeiro, mês em que «voltamos a crescer 1,1% relativamente ao ano passado, nos estes principais indicadores».
Citando o feedback do sector empresarial algarvio no que toca a reservas para a Páscoa que se aproxima, e também para o verão, «já estamos com números superiores àquilo que verificávamos na mesma altura no ano passado. Portanto, as expectativas são boas».
«Claramente. Queremos que em 2025 se registe mais um ano de crescimento da nossa atividade», embora, «um crescimento sustentável e sustentado da nossa oferta e procura turística, que não venha colocar em causa os nossos recursos, a nossa autenticidade e a experiência que nós queremos proporcionar a quem nos visita».
Ainda assim, é preciso alguma prudência, «não obstante, como sabemos, é um sector de alguma forma vulnerável a circunstâncias externas as quais não controlamos e que, obviamente, influenciam aquilo que são os desempenhos de alguns dos nossos mercados emissores».
Agora, que foi ultrapassado o número recorde de 20 milhões de dormidas, a estratégia do Turismo de Portugal 2020 – 2035, «mais do que da percentagem de turistas ou de dormidas, ou mesmo até dos proveitos, que são extremamente importantes para as economias regionais e nacional», dita que o «foco será muito mais a capacidade do sector de acrescentar valor e de valorizar os nossos territórios e a vida cotidiana dos residentes».
«Podemos estar a falar de muitos milhões do turismo, mas se esses milhões não se refletirem também na maioria das condições de vida, por exemplo, dos trabalhadores do turismo, e se não se verificarem ao nível daquilo que são as nossas comunidades locais, que é o nosso principal ativo na hospitalidade e na forma como recebem os nossos turistas, nada disto faz sentido. Os trabalhadores do turismo têm que ser mais bem rememorados», afirmou.
Golfe vale 67% do total nacional
Contas redondas, a região representa «67% de todo o golfe que é jogado a nível nacional e, portanto. Isso é fruto de um trabalho que fazemos junto de muitos operadores internacionais que continuam a encontrar no Algarve a oferta de qualidade que muitos praticantes de golfe procuram».
Gomes apontou que «continuamos a crescer naquilo que são os nossos mercados mais tradicionais e com os quais até temos uma ligação histórica» como o britânico, irlandês e alemão, mas «vemos o crescimento de mercados potenciais», sobretudo o norte-americano e outros do centro e norte da Europa que «encontram cada vez mais motivações de visita ao Algarve, ao longo de todo o ano».
«Já não deve haver aeroporto do Reino Unido que não tenha um voo direto para Faro, mas que de facto não deixamos de apostar perante aquilo que é a potência da região para esses novos destinos. Não podemos anunciar ainda muito mais, mas posso-vos dizer que vamos ter novidades ainda ao longo de 2025».
Selo «Save Water» é aposta ganha
Numa altura em que se prevê algum alívio na seca que tem assolado o Algarve, André Gomes disse hoje estar «muito orgulhoso, não só do trabalho do setor do turismo, mas também do trabalho de toda uma região, para fazer face a um desafio que de facto foi o desafio do ano, creio eu, em 2024».
«Perante a situação de alerta com que iniciámos o ano passado, com as reservas mais baixas de sempre em termos históricos de água disponível nas nossas barragens, houve a necessidade de dar resposta a esse desafio de uma forma urgente. Os diferentes sectores da atividade da região tiveram essa capacidade, desde a agricultura aos setores públicos, com uma redução drástica das perdas de água que todos nós considerávamos inadmissíveis».
Com o lançamento do selo «Save Water», durante a BTL 2024, uma certificação hídrica dirigido aos empreendimentos turísticos, «conseguimos registrar uma redução de 16% no volume global de água consumida pelos nossos hotéis versus 2023. E, portanto, isto num ano em que inclusivamente crescemos em atividade», sublinhou.
«Demonstrou bem aquilo que foi a capacidade do sector, e em particular das nossas empresas, de investir, de gerir melhor a água, de serem mais eficientes, de sensibilizarem os seus trabalhadores, mas também os turistas que recebem para termos uma gestão mais eficiente deste recurso, para que possamos tornar o nosso destino mais resiliente e capaz de fazer face a este desafio que não vai terminar, não obstante as chuvas que têm caído agora nos últimos tempos».
«Independentemente daqueles que venham a ser os objetivos que nos venham a ser colocados relativamente a este desafio da água, eu estou certo de que a região do Algarve, não só turismo, mas também os restantes sectores, vão continuar a fazer este trabalho», concluiu.

