A secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, disse que o governo «tem de olhar» para as bicicletas e mobilidade pedonal como um meio de transporte alternativo, de forma a cumprir as metas europeias de descarbonização.
«[O governo] tem de olhar, porque nós temos as metas que nos estão estabelecidas a nível europeu. Temos um propósito de fazer uma descarbonização, [e] 2030 é uma meta muito importante, temos de reduzir os nossos gases do efeito de estufa em 55 por cento, e o sector dos transportes é um sector crítico para o alcance desses objetivos», disse aos jornalistas.
A governante esteve ontem, dia 7 de agosto, na futura estação Hospital Santo António do Metro do Porto, onde assistiu ao furo do túnel que ligará à estação Galiza, parte da futura Linha Rosa (Casa da Música – São Bento).
Cristina Pinto Dias respondia após ser questionada se o novo governo (PSD/CDS-PP) iria olhar de forma séria para a mobilidade ativa (ciclável e pedonal), tendo afirmado que dentro da alteração da quota modal que pretende retirar do automóvel para o «transporte público», inclui «uma cadeia de valor onde estão envolvidos todos os modos».
«Não podemos só olhar para o metro ou só olhar para o autocarro, temos de olhar para todos os modos, e esses dois modos, o ciclável e o pedonal, nomeadamente nos grandes centros urbanos, são de facto uma alternativa que nós temos que acarinhar e estimular», vincou a governante.
Questionada se os portugueses continuam agarrados ao automóvel, Cristina Pinto Dias afirmou que «os estudos dizem isso mesmo», já que os dados do INE referem que a quota modal do transporte individual cresceu de 62 por cento em 2011 para 66 por cento em 2021.
«Há aqui uma cultura que nós temos que inverter, e temos que inverter com provas dadas. Melhor qualidade de serviço prestado, encurtar distâncias, promover uma boa intermodalidade entre os diferentes modos», considerou.
O governo pretende seguir uma estratégia de mobilidade «que seja segura, enlaçada, conectada, intermodal, inteligente e objetivamente sustentável».
Cristina Pinto Dias disse ainda que se tem reunido com «quase todas» as associações do sector da mobilidade ativa, que pediram concretização de metas e calendário para as políticas públicas públicas nesse sentido, cinco anos após a Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável ter sido publicada.
«Neste momento, o importante é executar o financiamento que lhe está atribuída. Nós estamos a falar da ordem dos três milhões de euros, e não está a ser executada na sua plenitude. Portanto, o ponto, para mim, não é ainda de financiamento, é mesmo de execução, e de haver uma estratégia clara de quem faz o quê e para quando», referiu.
Dois dias antes destas declarações, a MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, publicou uma carta aberta, a propósito do quinto aniversário da publicação da Estratégia nacional para a mobilidade em bicicleta, a pedir «urgentemente de liderança política e de recursos humanos e financeiros», tal como o barlavento noticiou.
Foto: Bruno Filipe Pires