«Temos um território fabuloso, muita história e muito para oferecer», disse o presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Adelino Soares, no âmbito da fam trip (viagem de familiarização) promovida pela Região de Turismo do Algarve (RTA) no passado dia 6 de dezembro. O autarca referiu-se à importância geológica da Ponta do Telheiro, às pegadas de dinossauro na praia da Salema, com fauna e flora existente apenas neste local, e sobretudo aos mais de 250 menires espalhados pelo território. «No dia 24 de abril faz cem anos dos primeiros fundamentos associados à primeira guerra mundial e todo o património subaquático vai ser património da humanidade», avançou o autarca.
A visita iniciou-se na «Lota dos Percebes», um antigo mercado e matadouro municipal que acolhe agora o Centro de Interpretação de Vila do Bispo. O espaço exibe até ao final do ano a exposição «Paisagens Condutoras», o culminar de um projeto que teve início em 2013 e resulta da fusão de três vertentes: a criação artística, a gastronomia e o património local.
Adelino Soares, Alexandra Gonçalves e Desidério Silva
Outra das grandes atrações do concelho são os menires, um conjunto único em todo o Barlavento algarvio. O «Menir do Padrão», na Raposeira, tem «cerca de 6500 anos. Um dos primeiros erguidos pelo homem e o monumento megalítico melhor preservado», explicou Ricardo Soares, arqueólogo da Câmara Municipal de Vila do Bispo. Uma vez que existe uma extraordinária concentração nesta região – cerca de 250 assinalados – a Junta de Freguesia de Vila do Bispo disponibiliza o destacável «À descoberta dos menires», um roteiro pelo Monte dos Amantes com nove pontos de interesse. Soares sublinha ainda que «é a maior concentração de monumentos megalíticos do ocidente europeu e provavelmente também são os mais antigos. Há vários indicadores que nos permitem acreditar que estes menires foram os primeiros monumentos erguidos pelo homem».
O arqueólogo referiu ainda que «há pelo menos 33 mil anos que o homem vive em Vale de Boi», sendo este um dos locais mais antigos habitados de todo o sul peninsular.
O percurso mostrou ainda algumas praias como a Ingrina, Zavial, Salema e Boca do Rio, seguidas de uma paragem para almoço no Forte de Beliche. Foram degustadas especialidades gastronómicas como o xerém de marisco, grão com borrego, torta de amêndoa, filhoses e vinho tinto algarvio.
Outro dos pontos de interesse apresentados foi o farol do Cabo de São Vicente. Construído por volta de 1515, atualmente alberga a maior ótica em Portugal e uma das dez maiores no mundo. A partir deste farol é possível apreciar a passagem dos navios que transitam entre o mar Mediterrâneo e o Atlântico.
O périplo por Vila do Bispo terminou com o mítico apreciar do pôr-do-sol no Cabo de São Vicente, pelas 17h15. Uma autêntica romaria de pessoas desloca-se aqui diariamente para assistir a este «espetáculo natural», que neste cenário, não é imune à influência de um certo misticismo.
Novo Museu Municipal em 2017
Nos antigos celeiros da vila irá nascer um novo museu municipal. Durante o primeiro semestre de 2017 o antigo edifício dos celeiros da EPAC será convertido num espaço que pretende juntar e exibir parte do grande espólio arqueológico, geológico, paleontológico e natural do concelho de Vila do Bispo. Os mosaicos romanos, entre outros vestígios arqueológicos. Este novo espaço contará com o financiamento comunitário do CRESC Algarve 2020 e avalia-se que o investimento poderá chegar a um milhão de euros.
Rota Omíada em destaque
Alexandra Gonçalves, diretora regional de Cultura, reforçou ainda a importância da integração do concelho na Rota dos Omíadas no Algarve. Este itinerário turístico-cultural dedicado à dinastia árabe que há mil anos dominava o Mediterrâneo é «um projeto internacional que envolve sete países e atravessa 14 concelhos da região do Algarve». Apesar de «terminar oficialmente este mês, é um projeto que queremos que continue! Os técnicos dos municípios têm estado a fornecer os conteúdos para a estruturação da rota. Estamos a construir uma proposta de guia que deverá estar pronta muito em breve», avançou. A Rota Omíada foi criada para mostrar mais de 300 anos de história da dinastia árabe omíada no Algarve. Existe inclusive uma aplicação móvel que permite explorar o percurso na região, e onde pode obter informação sobre os 14 locais que a integram, bem como sugestões sobre o que visitar.


