O relatório examinou as lições aprendidas com a recessão por forma a concluir se o seu impacto negativo no emprego e nos rendimentos teria sido menor nos países com mercados de trabalho mais abertos e menos segmentados, e com investimentos mais significativos na aprendizagem ao longo da vida. Nestes países, as prestações de desemprego tendem a abranger muitos dos desempregados, estão ligadas a medidas de ativação e são reativas ao ciclo económico.
Marianne Thyssen, Comissária para o Emprego, os Assuntos Sociais, as Competências e a Mobilidade dos Trabalhadores, comentou: «A criação de emprego é a tarefa mais urgente e as consequências da crise tornam este desafio ainda mais crítico. O relatório conclui ser necessário implementar reformas estruturais e medidas para sustentar o consumo e a procura. Há que investir mais nas pessoas, de modo a melhor educar, formar e ativar os europeus para o mercado de trabalho. A ofensiva em prol do investimento da Comissão Juncker contribuirá para fazer uma diferença real e substancial nestas áreas cruciais.»
O relatório destaca que vários Estados-Membros estão a transitar progressivamente para um modelo de investimento social que promove o potencial das pessoas ao longo das suas vidas e apoia uma participação mais vasta no mercado de trabalho. As reformas efetuadas no passado para trazer ao mercado laboral mais mulheres e trabalhadores mais velhos contribuíram para manter as taxas de atividade na Europa. Este facto vem confirmar a necessidade de prosseguir as reformas do mercado de trabalho e a modernização da proteção social.
Melhores competências a que correspondem melhores empregos
Tendo em conta uma população em envelhecimento e retração na UE, o investimento em capital humano é essencial para apoiar a produtividade e garantir um crescimento inclusivo e rico em emprego no futuro. O relatório sublinha que um investimento eficaz em capital humano implica não apenas educação e formação nas competências certas, mas também quadros adequados que ajudem as pessoas a manter, atualizar e utilizar essas competências ao longo das suas vidas profissionais. Neste sentido, são necessárias políticas adequadas para evitar o desperdício de capital humano decorrente da inatividade ou da subutilização do potencial de emprego das pessoas.
Por outro lado, a um aumento da procura de capital humano especializado terá de corresponder um aumento da oferta de empregos de qualidade, de modo a rentabilizar uma mão-de-obra mais produtiva. Analisando os desafios e as oportunidades do futuro, o relatório nota que os desafios em curso associados ao progresso tecnológico, à globalização, à evolução demográfica e à transição para uma economia verde devem proporcionar oportunidades para criar postos de trabalho de qualidade elevada, mas podem também tornar alguns empregos e competências desatualizados e os salários mais polarizados. Por conseguinte, para prever e implementar as inovações, são necessárias políticas proativas de apoio à aprendizagem ao longo da vida, uma assistência melhorada à procura de emprego e um diálogo social mais eficaz.
Repor a convergência
Por último, o relatório refere ainda que outra tarefa importante após os anos de crise é a reposição da convergência socioeconómica, em especial no que respeita aos 15 Estados-Membros do sul e da periferia da UE. Na origem da divergência induzida pela crise está não apenas a envergadura do choque económico, mas também desequilíbrios estruturais que existiam já antes da crise nos países mais afetados, designadamente uma fraca produtividade, a falta de investimento em capital humano, fragilidades do setor bancário e bolhas imobiliárias, bem como nos sistemas de previdência. O relatório contribui para o debate em curso sobre as formas mais eficazes de repor a convergência, aprofundar a união económica e monetárias e reforçar a sua dimensão social.
Nova edição do Relatório sobre a evolução do emprego e da situação social na Europa
Esta é a quarta edição do Relatório Anual sobre a evolução do emprego e da situação social na Europa, no qual a Comissão dá conta das tendências recentes em termos sociais e de emprego e reflete sobre os desafios futuros e possíveis respostas políticas. Com este relatório, a Comissão satisfaz igualmente a obrigação imposta pelo Tratado de dar conta da situação social na UE.
O relatório apresenta uma análise fundamentada por parte dos serviços da Comissão, tendo por base os mais recentes dados e estudos disponíveis, e os seus resultados contribuem para dar forma às iniciativas da Comissão na área social e do emprego.