Ainda na sequência do surto de intoxicações alimentares provocadas durante o evento que decorreu de 23 de julho a 2 de agosto, os familiares das pessoas atingidas e também as vítimas, endereçaram esta semana uma carta formal a várias autoridades.
Os signatários do abaixo-assinado exigem «que seja instaurado um inquérito que apure o que efetivamente aconteceu, com a devida imputação das responsabilidades» na infeção de salmonella que levou «centenas» de pessoas, incluindo crianças, ao hospital e a necessitarem de internamento.
A carta é dirigida ao ministro da Saúde, Paulo Macedo, contestando a decisão das autoridades locais de saúde em não encerrarem de imediato quer o evento, quer o foco suspeito de ser a fonte de infeção, após o sinal de alarme, como foi aliás, noticiado no «barlavento».
«Não obstante a Delegação de Saúde ter tido conhecimento de um foco contaminador infecioso da saúde humana, com origem na atividade comercial desenvolvida pelo estabelecimento de restauração «Mr. Pig» logo na noite de 30 de julho, continuou a permitir com a sua (in)ação que essa atividade comercial continuasse tranquilamente a ser desenvolvida e que os cidadãos que afluíram ao evento Street Food Festival (..) permanecessem inocentemente a consumir alimentos contaminados num dos seus estabelecimentos», argumentam.
No documento, os signatários «não se conformam com os factos ocorridos, em especial com a atuação das entidades que exercem o poder de autoridade de saúde». E fundamentam que «o sistema de saúde nacional, que visa proteger os cidadãos, não funcionou», pedindo «o apuramento da verdade», «para que no futuro estas situações não se voltem a repetir».
A carta é dirigida ainda à Direção Geral de Saúde, Autoridade de Saúde da Região do Algarve, Unidade de Saúde Pública dos Centros de Saúde do Barlavento, ASAE – Autoridade de Segurança Alimentar e Económica em Lisboa e Faro, e finalmente, à própria organização do evento, Associação Street Food Portugal.