Os estados tem por função, dedicar-se a questões essenciais para as comunidades humanas, não porque sejam funções lucrativas, mas porque são funções essências à segurança e à vida humana. Nesse sentido os estados, quer de Portugal, quer do resto do mundo, pois muitos têm a mesma visão economicista, deverão colocar como no centro do seu orçamento as necessidades para a evolução das sociedades humanas.
Quando hoje vemos a redução de funcionários públicos, para que o estado reduza a sua despesa, estamos a reduzir despesa no pagamento de salários de trabalhadores essenciais, para pagar juros aos grandes capitais.
O despedimento de funcionários públicos na segurança social, alguns ligados a situações de crianças em risco, poderá estar a gerar o aparecimento de pessoas que possam executar o mesmo tipo de crimes que ocorreram em Paris.
A falta de funcionários na escola, que é onde se desenvolvem os valores de uma sociedade, também leva ao aparecimento de pessoas com falta de valores, que permitem não respeitar o maior valor do ser humano, a vida.
O número elevado de desempregados, é outro dos fatores que levam ao aparecimento de cidadãos descontentes com o sistema, e novamente, estamos a ver a necessidade dos funcionários da segurança social, que lidam com este grupo de cidadãos.
Como podem verificar até ao momento ainda não cheguei sequer a mencionar as necessidades das forças de segurança, para evitar os casos que levaram à catástrofe de Paris, pois o problema é muito mais profundo, do que o número de policias, que também estão em falta, mas não pode ser visto só por esse ponto.
Temos que virar a gestão dos governos para as necessidades da nossa sociedade, permitindo que os cidadãos tenha uma vida equilibrada, cumprindo as necessidades de segurança, saúde, educação e muito importante, a criação de laços familiares.
Uma boa parte das pessoas, não se dão conta, mas são inúmeros os casos em que os empregadores não respeitam as necessidades da vida familiar, sendo que é nesse meio que os valores da vida humana são passados entre gerações.
Mais grave é que uma boa parte desses empregadores, até é o próprio estado, que por vezes nem respeita as leis que desenvolve, nas matérias de direito à família.
Se tivermos oportunidade de falar com muitas pessoas, vemos atropelos, por todo o lado às leis de parentalidade.
É importante que a sociedade comece a olhar para o seu centro, reformulando as suas ações e cumprindo a lei, no sentido de podermos desenvolver uma sociedade melhor. Não devemos estar a satisfazer as necessidades dos grandes capitais, mas sim, o maior valor que nós temos, que é a vida humana.
Vamos pensar na nossa sociedade de forma começar a olhar para os indivíduos, vamos conhecer a realidade e as necessidades das nossas sociedades, permitindo uma vida melhor para todos, dando valor aos valores humanos e não aos valores de capital.
*STAPEFP – Secretariado Regional do Algarve