A mostra coletiva ao ar livre,«Created in Faro», localiza-se na baixa, é organizada pela ALFA e dá a conhecer o que é produzido no concelho.
Tem por título «Created in Faro», teve pré-abertura na tarde de sexta-feira, dia 11 de agosto, e é uma exposição coletiva que alia a fotografia industrial e documental a empresas e marcas de sucesso e relevo de Faro, a maioria das quais com mais de meio século de vida. Organizada pela ALFA – Associação Livre de Fotógrafos do Algarve, a mostra está patente ao público no Jardim Manuel Bívar, onde poderá ser vista até dezembro.
- A perspetiva dos fotógrafos sobre a participação no projeto
- Bernardo Lúcio:
- A maioria do trabalho que desenvolvo, enquanto fotógrafo de arquitetura e interiores, é feito para empresas e com objetivos comerciais. E essa componente comercial acaba por ditar várias regras, desde a iluminação, o material a utilizar, a edição e toda a abordagem que visa ajudar a vender um produto ou serviço. Embora haja sempre liberdade criativa, todos esses fatores condicionam o resultado e acabam por limitar as opções
- O que tornou a iniciativa da ALFA tão interessante, foi precisamente essa liberdade criativa que nos foi sugerida ao entrarmos nas empresas selecionadas. Isso permite uma abordagem mais natural, realista, o que é um desafio, mas, ao mesmo tempo, se torna mais estimulante.
- Muitos de nós desenvolvemos trabalhos pessoais, considerados mais artísticos, que é precisamente uma forma de exercer essa liberdade criativa sem preocupações comerciais, trabalhos esses que acabam por se aproximar da fotografia documental, como neste caso.
- Por outro lado, o projeto tornou-se mais aliciante ao abrir portas de empresas de Faro que, não só não estão diretamente ligadas ao turismo – que domina o panorama empresarial – como ainda têm uma componente industrial, algo raro no Algarve. Algumas delas até serão desconhecidas de muitos farenses e algarvios em geral
- Embora já tenha realizado vários trabalhos de fotografia corporativa, a maioria está associada a serviços e escritórios, ou seja, ambientes imaculados e silenciosos. Nestas fotografias, até o ruído tem presença!
- Luís Trindade
- Tenho formação académica na área da Engenharia Civil, ramo de Hidráulica, e exerço funções na área dos Sistemas de Informação em empresa de referência no Algarve, mas a paixão pela fotografia sempre existiu. Foi com muito gosto que aceitei o convite de fazer um trabalho numa área onde a minha experiência era praticamente nula.
- Todo o meu trabalho tem sido feito com o uso de flashes. São raras as exceções. Gosto do efeito e do destaque que consigo dar aos retratados. Isso implica, na maioria dos casos, que o período para fazer os registos se resuma a cerca de duas horas de trabalho ao nascer ou ao pôr do sol.
- Falei com os responsáveis da Plantalgarve, expliquei as minhas ideias e conseguimos coordenar esforços para duas sessões. A primeira, ao final dia, juntou pai e filha para o retrato principal. A segunda, que começou às 6h30, focou-se nas áreas e pormenores operacionais da empresa.
- Em quase todos os retratos usei dois flashes. Um principal, com difusor, e um secundário, de recorte, onde apliquei um gel de tom laranja para simular a luz do sol. Não há sessão onde não ocorra um problema técnico. Às vezes, de resolução rápida e imediata. Outros, mais complicados, obrigam-me a ter um plano B ou C.
- Aqui, destaco toda a aprendizagem obtida, mas também aquilo que me explicaram sobre o processo de cultivo, a produção que exportam e sobre os problemas e desafios que enfrentam.
- Criada em 1985, a Plantalgarve é constituída por uma equipa de 23 pessoas, sendo uma empresa de referência não apenas regional, mas também nacional, na produção de hortícolas. Agradeço a todos os envolvidos, pela enorme disponibilidade e amabilidade com que me receberam e acompanharam.
- Paulo Côrte-Real
- A experiência de participar no «Created in Faro» resultou de um convite da equipa responsável por este projeto para integrar o grupo de fotógrafos convidados a trazer à luz o conceito deste. Face à ideia meritória de um projeto fotográfico desta natureza, que dá a conhecer ao público as indústrias de Faro, as quais representam uma importante força de produção e de empregabilidade, quer do concelho, quer da região, naturalmente que a minha resposta teria de ser afirmativa.
- Não sendo a primeira vez que realizo fotografia documental em ambiente industrial, este projeto representou uma nova oportunidade de ir ao encontro da realidade industrial farense, e contribuir para documentar os ambientes, as pessoas que dão vida a estas empresas, assim como produtos, sistemas e fases de produção.
- Para mim, e creio que para todos os meus colegas, narrar através de imagens fotográficas, aquelas que são as histórias de cada indústria, foi o grande desafio e motivação. Importa ainda salientar o facto que de as fotografias que materializam este projeto, serem vistas pelo público, e de se encontrarem expostas a céu aberto em contexto urbano.
- Aproveito a oportunidade para felicitar a ALFA por esta iniciativa, e o município de Faro, que pela parceria institucional, tornou possível a sua concretização. Deixo ainda uma palavra de apreço às indústrias pela forma como acolheram a iniciativa e os fotógrafos.
- Rui Serra Ribeiro
- O projeto «Created in Faro» foi um excelente desafio proposto pela ALFA. Para mim não foi uma novidade, mas antes um regresso às origens do meu percurso como fotógrafo profissional, onde após formação no Ar.Co em Lisboa, me iniciei como diretor de estúdio fotográfico numa empresa de design e fotografia industrial.
- Recordo que nessa época da fotografia analógica e a trabalhar para grandes marcas, não havia espaço para erros de exposição ou focagem. Hoje na era do digital, o trabalho está mais facilitado pois é possível ver e corrigir no momento. Neste desafio que englobou nove fotógrafos e nove empresas, calhou-me, em sorte, a empresa NF Cork
- Era necessário um trabalho prévio, pelo que pesquisei nas redes sociais conteúdo sobre a empresa e em seguida fiz uma abordagem telefónica com os responsáveis, para agendar a data e dar a conhecer um pouco aquilo que pretendia.
- Não podia ter sido mais bem recebido por Nuno Farias, CEO e fundador, e Tânia Loução, gerente, que me puseram totalmente à vontade para fotografar sem restrições e colaboraram prontamente com o que lhes pedi. Valeu bem a pena ver com agrado a reação de ambos, quando confrontados com o trabalho exposto.
- Foi uma grande surpresa! «O Rui é um artista», foi o melhor prémio que podia ouvir. Em fotografia, o mais importante antes e agora, é o entendimento da luz, depois vem a composição onde a criatividade e o olhar de cada fotógrafo fazem a diferença. Um novo desafio já chegou com a Inteligência Artificial
- Ao ganharmos esta nova ferramenta devemos, em primeiro lugar, aprender a colocar as suas mais-valias como nossos aliados, a trabalhar para nós, ganharmos mais tempo, sermos mais livres e criativos.
- A magia da fotografia não vai morrer. O meu agradecimento a todos os que me proporcionaram estes momentos.
- Vico Ughetto
- Como vice-presidente da ALFA, estive envolvido na criação inicial deste projeto, na candidatura à Câmara Municipal de Faro, e depois na sua curadoria geral, com especial destaque para a coordenação dos participantes. Isto implicou a criação de um manual de referência visual, não para formatar o trabalho dos fotógrafos, mas para servir de orientação global.
- O objeto foi obter diversidade criativa e, ao mesmo tempo, uma coerência geral da exposição. Enquanto fotógrafo, conhecia a empresa que me foi atribuída apenas de nome. Não fazia ideia da sua dimensão e áreas tão diversificadas de atuação. O desafio incluía também um retrato do responsável, fundador ou gestor. A reunião preparatória com a direção foi essencial para definir uma obra emblemática onde existisse um vasto conjunto de equipamentos, meios e estruturas montadas e construídas, como também o local e a indumentária a usar no retrato.
- Sinto-me confortável nesta variante de fotografia industrial, pois acompanhei algumas das obras mais emblemáticas do Algarve: os aterros sanitários, a Barragem de Odelouca e a recuperação de edifícios históricos, isto associado a muita fotografia por encomenda. Aqui a fasquia era mais elevada, pois teria de ir além da fotografia documental e dar-lhe um cunho de autor. Felizmente, já o coloco nos meus trabalhos.
- Depois de tirar as fotos que me são pedidas e necessárias, gosto de dar mais uma volta, já sem obrigações, e ver o espaço com outro olhar para fazer um conjunto de fotografias que acho que só eu é que vou gostar, às vezes a preto e branco e tudo.
- Mas depois, com frequência (mais do que imaginava até), dizem-me que gostaram bastante, incentivando-me até a continuar a fazer algumas fotos «daquelas mais bonitas» e a incluí-las no conjunto.
- Vítor Martins
- Pessoalmente, tendo vivido em Los Angeles mais de 30 anos e trabalhado em fotografia e no mundo da arte como proprietário de uma galeria, com as subsequentes participações em feiras, aprendi o valor dos eventos culturais e o poder transformativo que produzem.
- É neste contexto que percebo o valor desta exposição coletiva e futuramente de mais e maiores, fazendo de Faro o centro cultural do Algarve. As cidades algarvias distinguem-se por personalidades e objetivos distintos.
- Faro, enquanto capital, tem uma responsabilidade acrescida, mais do que apenas servir a indústria mais prevalente, o turismo. Existem muitas outras áreas cujo interesse económico tem igual ou maior importância, seja a medicina, a agricultura, ou a logística, só para citar alguns exemplos.
- A infraestrutura e a energia existentes devem ser dirigidas para forjar Faro enquanto roda motriz da economia algarvia. Uma economia de vanguarda complementada por elementos sociais como arte, requinte, e um ambiente convidativo à cultura e educação. Como consequência importante, abrem-se oportunidades profissionais aos jovens que muitas vezes não veem alternativa à imigração.
- Esta é também uma cidade com um enorme potencial para o investimento. Merece ser considerada por empreendedores que procuram investir no Algarve. Foi com grande entusiasmo que aceitei esta oportunidade de participar neste projeto, um desafio fotográfico com uma mensagem importante e necessária, exposta num local onde será observada por milhares de visitantes. Que mais pode um fotógrafo desejar?
Dá a conhecer nove empresas, grande parte de cariz familiar, competitivas e «bons exemplos do que se produz no Algarve. Operam em diferentes áreas desde a transformação de alfarroba, cortiça, indústria alimentar e produção de energia verde», segundo a associação.
Assim, estão retratadas a Cacial (por Bernardo Lúcio); Corticape (por Marco Pedro); I’m Nat (Paulo Côrte Real); A Industrial Farense (por João Neves Santos); NF Cork (por Rui Serra Ribeiro); Marmistoi (por Eduardo Pinto); Metalofarense (por Vítor Martins); Plantalgarve (por Luís Trindade) e Grupo Rolear (por Vico Ughetto).
Na mostra, cada empresa é retratada em dois painéis de dimensões generosas. O primeiro painel mostra um retrato do fundador ou CEO, e o outro explica como é feito o processo produtivo.
Além de apreciar as imagens de autor, os visitantes podem através do smartphone ler os QR Code disponíveis e conhecer os detalhes sobre a história e atividade das empresas. Outro aspeto interessante é que algumas são vizinhas, têm instalações que distam algumas centenas de metros entre si, mas apesar disso, não se conheciam.

Esta é a terceira exposição de rua da ALFA que segue o conceito Large Street Photography (LSP), cujo objetivo é mostrar o trabalho de fotógrafos e/ou projetos fotográficos com impacto visual na comunidade.
A primeira foi «ASul Profundo», que mostrou duas dezenas de fotos do premiado fotógrafo e realizador João Rodrigues. A segunda foi «Vozes fora da Guerra», da autoria de Serhiy Stakhnyk, fotógrafo radicado no Algarve há mais de 20 anos, que mostrou os compatriotas que a guerra na Ucrânia empurrou para Portugal, e que esteve patente desde dezembro de 2022, tal como o barlavento noticiou.
Carlos Gama Cruz, presidente da ALFA, foi o gestor do projeto «Created in Faro», responsável pela produção executiva e coordenação editorial. Mauro Rodrigues ficou encarregue do design criativo da exposição e do catálogo bilingue, nas versões em suporte papel e online, publicação que será lançada no dia 6 de setembro.
A ALFA foi fundada em 2008 e tem por missão a divulgação pública da arte fotográfica, procurando uma programação cultural regular, caracterizada por diversas atividades desde os passeios fotográficos, que cruzam património, viagens e natureza, às exposições com fotógrafos consagrados e outros emergentes. Ocupa uma sala na Galeria Arco, na cidade velha, em Faro, onde dispõe de um estúdio de fotografia aberto à comunidade.
A perspetiva dos fotógrafos sobre a participação no projeto
Bernardo Lúcio:

A maioria do trabalho que desenvolvo, enquanto fotógrafo de arquitetura e interiores, é feito para empresas e com objetivos comerciais. E essa componente comercial acaba por ditar várias regras, desde a iluminação, o material a utilizar, a edição e toda a abordagem que visa ajudar a vender um produto ou serviço. Embora haja sempre liberdade criativa, todos esses fatores condicionam o resultado e acabam por limitar as opções
O que tornou a iniciativa da ALFA tão interessante, foi precisamente essa liberdade criativa que nos foi sugerida ao entrarmos nas empresas selecionadas. Isso permite uma abordagem mais natural, realista, o que é um desafio, mas, ao mesmo tempo, se torna mais estimulante.
Muitos de nós desenvolvemos trabalhos pessoais, considerados mais artísticos, que é precisamente uma forma de exercer essa liberdade criativa sem preocupações comerciais, trabalhos esses que acabam por se aproximar da fotografia documental, como neste caso.
Por outro lado, o projeto tornou-se mais aliciante ao abrir portas de empresas de Faro que, não só não estão diretamente ligadas ao turismo – que domina o panorama empresarial – como ainda têm uma componente industrial, algo raro no Algarve. Algumas delas até serão desconhecidas de muitos farenses e algarvios em geral
Embora já tenha realizado vários trabalhos de fotografia corporativa, a maioria está associada a serviços e escritórios, ou seja, ambientes imaculados e silenciosos. Nestas fotografias, até o ruído tem presença!
Luís Trindade

Tenho formação académica na área da Engenharia Civil, ramo de Hidráulica, e exerço funções na área dos Sistemas de Informação em empresa de referência no Algarve, mas a paixão pela fotografia sempre existiu. Foi com muito gosto que aceitei o convite de fazer um trabalho numa área onde a minha experiência era praticamente nula.
Todo o meu trabalho tem sido feito com o uso de flashes. São raras as exceções. Gosto do efeito e do destaque que consigo dar aos retratados. Isso implica, na maioria dos casos, que o período para fazer os registos se resuma a cerca de duas horas de trabalho ao nascer ou ao pôr do sol.
Falei com os responsáveis da Plantalgarve, expliquei as minhas ideias e conseguimos coordenar esforços para duas sessões. A primeira, ao final dia, juntou pai e filha para o retrato principal. A segunda, que começou às 6h30, focou-se nas áreas e pormenores operacionais da empresa.
Em quase todos os retratos usei dois flashes. Um principal, com difusor, e um secundário, de recorte, onde apliquei um gel de tom laranja para simular a luz do sol. Não há sessão onde não ocorra um problema técnico. Às vezes, de resolução rápida e imediata. Outros, mais complicados, obrigam-me a ter um plano B ou C.
Aqui, destaco toda a aprendizagem obtida, mas também aquilo que me explicaram sobre o processo de cultivo, a produção que exportam e sobre os problemas e desafios que enfrentam.
Criada em 1985, a Plantalgarve é constituída por uma equipa de 23 pessoas, sendo uma empresa de referência não apenas regional, mas também nacional, na produção de hortícolas. Agradeço a todos os envolvidos, pela enorme disponibilidade e amabilidade com que me receberam e acompanharam.
Paulo Côrte-Real

A experiência de participar no «Created in Faro» resultou de um convite da equipa responsável por este projeto para integrar o grupo de fotógrafos convidados a trazer à luz o conceito deste. Face à ideia meritória de um projeto fotográfico desta natureza, que dá a conhecer ao público as indústrias de Faro, as quais representam uma importante força de produção e de empregabilidade, quer do concelho, quer da região, naturalmente que a minha resposta teria de ser afirmativa.
Não sendo a primeira vez que realizo fotografia documental em ambiente industrial, este projeto representou uma nova oportunidade de ir ao encontro da realidade industrial farense, e contribuir para documentar os ambientes, as pessoas que dão vida a estas empresas, assim como produtos, sistemas e fases de produção.
Para mim, e creio que para todos os meus colegas, narrar através de imagens fotográficas, aquelas que são as histórias de cada indústria, foi o grande desafio e motivação. Importa ainda salientar o facto que de as fotografias que materializam este projeto, serem vistas pelo público, e de se encontrarem expostas a céu aberto em contexto urbano.
Aproveito a oportunidade para felicitar a ALFA por esta iniciativa, e o município de Faro, que pela parceria institucional, tornou possível a sua concretização. Deixo ainda uma palavra de apreço às indústrias pela forma como acolheram a iniciativa e os fotógrafos.
Rui Serra Ribeiro

O projeto «Created in Faro» foi um excelente desafio proposto pela ALFA. Para mim não foi uma novidade, mas antes um regresso às origens do meu percurso como fotógrafo profissional, onde após formação no Ar.Co em Lisboa, me iniciei como diretor de estúdio fotográfico numa empresa de design e fotografia industrial.
Recordo que nessa época da fotografia analógica e a trabalhar para grandes marcas, não havia espaço para erros de exposição ou focagem. Hoje na era do digital, o trabalho está mais facilitado pois é possível ver e corrigir no momento. Neste desafio que englobou nove fotógrafos e nove empresas, calhou-me, em sorte, a empresa NF Cork
Era necessário um trabalho prévio, pelo que pesquisei nas redes sociais conteúdo sobre a empresa e em seguida fiz uma abordagem telefónica com os responsáveis, para agendar a data e dar a conhecer um pouco aquilo que pretendia.
Não podia ter sido mais bem recebido por Nuno Farias, CEO e fundador, e Tânia Loução, gerente, que me puseram totalmente à vontade para fotografar sem restrições e colaboraram prontamente com o que lhes pedi. Valeu bem a pena ver com agrado a reação de ambos, quando confrontados com o trabalho exposto.
Foi uma grande surpresa! «O Rui é um artista», foi o melhor prémio que podia ouvir. Em fotografia, o mais importante antes e agora, é o entendimento da luz, depois vem a composição onde a criatividade e o olhar de cada fotógrafo fazem a diferença. Um novo desafio já chegou com a Inteligência Artificial
Ao ganharmos esta nova ferramenta devemos, em primeiro lugar, aprender a colocar as suas mais-valias como nossos aliados, a trabalhar para nós, ganharmos mais tempo, sermos mais livres e criativos.
A magia da fotografia não vai morrer. O meu agradecimento a todos os que me proporcionaram estes momentos.
Vico Ughetto

Como vice-presidente da ALFA, estive envolvido na criação inicial deste projeto, na candidatura à Câmara Municipal de Faro, e depois na sua curadoria geral, com especial destaque para a coordenação dos participantes. Isto implicou a criação de um manual de referência visual, não para formatar o trabalho dos fotógrafos, mas para servir de orientação global.
O objeto foi obter diversidade criativa e, ao mesmo tempo, uma coerência geral da exposição. Enquanto fotógrafo, conhecia a empresa que me foi atribuída apenas de nome. Não fazia ideia da sua dimensão e áreas tão diversificadas de atuação. O desafio incluía também um retrato do responsável, fundador ou gestor. A reunião preparatória com a direção foi essencial para definir uma obra emblemática onde existisse um vasto conjunto de equipamentos, meios e estruturas montadas e construídas, como também o local e a indumentária a usar no retrato.
Sinto-me confortável nesta variante de fotografia industrial, pois acompanhei algumas das obras mais emblemáticas do Algarve: os aterros sanitários, a Barragem de Odelouca e a recuperação de edifícios históricos, isto associado a muita fotografia por encomenda. Aqui a fasquia era mais elevada, pois teria de ir além da fotografia documental e dar-lhe um cunho de autor. Felizmente, já o coloco nos meus trabalhos.
Depois de tirar as fotos que me são pedidas e necessárias, gosto de dar mais uma volta, já sem obrigações, e ver o espaço com outro olhar para fazer um conjunto de fotografias que acho que só eu é que vou gostar, às vezes a preto e branco e tudo.
Mas depois, com frequência (mais do que imaginava até), dizem-me que gostaram bastante, incentivando-me até a continuar a fazer algumas fotos «daquelas mais bonitas» e a incluí-las no conjunto.
Vítor Martins
