A ZERO está presente na Conferência dos Oceanos, em Nice, para exigir «compromissos ambiciosos, vinculativos e transformadores» para resgatar o oceano das múltiplas crises que enfrenta.
No Dia Mundial do Oceano, que se assinala hoje, dia 8 de junho, a associação ambientalista ZERO marca presença na Conferência dos Oceanos, em Nice, onde ficará até ao encerramento do encontro.
A ZERO defende que, apesar de alguns avanços, a resposta política continua desfasada da urgência climática. Em nota enviada às redações, sublinha que o oceano e o clima «são dimensões interdependentes», mas continuam a ser tratados como esferas separadas.
De acordo com a associação ambientalista, o oceano esteve ausente das grandes agendas globais até 2015, quando foi criado o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14.
Desde então, têm surgido novas metas, como a Estratégia de Biodiversidade da União Europeia, que propõe proteger 30% do espaço marinho e terrestre até 2030, embora, esteja muito atrasada.
Em 2024, foi ainda aprovada a Lei do Restauro da Natureza, que obriga os Estados-Membros a restaurar pelo menos 20% das áreas terrestres e marítimas.
No plano internacional, a ZERO destaca o avanço do Tratado do Alto Mar, a negociação de um acordo global contra a poluição por plásticos e a decisão da Organização Mundial do Comércio de eliminar subsídios à pesca ilegal.
Ainda assim, a organização alerta para a gravidade da situação. A biomassa de espécies marinhas está em declínio, a temperatura da água do mar aumenta mais depressa do que a da atmosfera e o pH das águas superficiais já caiu 0,1 unidades desde o início da Revolução Industrial, aumentando a acidez em cerca de 30%.
A associação denuncia também o impacto da pesca de arrasto, que considera ser «uma prática destrutiva e insustentável».
Em Portugal, esta frota representa 14% do valor das capturas, mas absorve 32% dos subsídios públicos à pesca. «É um paradoxo», critica a ZERO, que apela ao redirecionamento desses apoios para formas de pesca sustentáveis.
Apesar das metas anunciadas, apenas 2,7% do oceano global está efetivamente protegido. Muitas dessas áreas não têm planos de gestão, fiscalização ou orçamento adequado. A ZERO acusa os Estados de manterem «uma governança fragmentada e pouco eficaz» e lembra que o ODS 14 continua a ser um dos menos financiados, com apenas 4 mil milhões de dólares anuais, quando seriam necessários cerca de 175 mil milhões.
A Conferência dos Oceanos, que decorre em Nice, é para a ZERO uma «oportunidade decisiva» para pôr fim ao ciclo de promessas falhadas e garantir ação política concreta.
Foto: Bruno Filipe Pires