«Uma Europa com Amos – Portugal perante a integração realmente existente» foi o mote da palestra de João Rodrigues, professor auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais (CES), na passada quinta-feira, 24 de setembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
Rodrigues tem-se debruçado particularmente sobre temas de economia política, da história do neoliberalismo à crise do Euro, sendo autor de diversas publicações nestas áreas.
«Chamo à União Europeia (UE) a versão política de um OVNI. A UE é um objeto político não-identificado. É um Estado? É um super-homem? Ninguém sabe muito bem! Tem atributos de Estado federal ao nível monetário. Tem um Banco Central com um poder absolutamente desmesurado. A Comissão Europeia tem imensos poderes na regulação do mercado interno europeu, mas há uma assimetria na integração dos países», defendeu.
«Em 2015, durante seis meses, o Banco Central Europeu fez aquilo que nenhum banco de um Estado soberano alguma vez pode fazer: ameaçar a estabilidade interna do seu próprio sistema financeiro. Aquilo que o Varoufakis chamou de golpe de estado financeiro», apontou, entre várias outras razões para a atual decadência do projeto europeu.
O académico criticou ainda o Banco de Portugal que, em sua opinião, «não merece a designação que tem», sendo responsável pelo «sentimento de impotência generalizado» no país. Foi ainda feita uma analogia da realidade portuguesa comparativamente a países como a Grã-Bretanha, Islândia e Grécia.
Para Rodrigues, a melhor forma de Portugal ser de novo dono dos seus destinos, passará pela «recuperação de instrumentos de política. Isto implica reestruturar a dívida por iniciativa do país devedor. Exige um controlo do sistema financeiro e de capitais, e um desenlace tão negociado quanto possível da saída da UE. Portugal precisa de se libertar desse constrangimento», rematou.
O ciclo de conferências «Horizontes do Futuro» realiza-se desde 2009. Tem como objetivo aproximar reconhecidos pensadores e cidadãos. Até à data concretizaram-se 35 conferências, com uma periodicidade mensal, regra geral na última quinta-feira de cada mês. A próxima irá decorrer no dia 29 de outubro, pelas 21h00, e contará com a presença de Manuel Portela. Estão também previstos outros nomes como Ana Drago, Sobrinho Simões, Boaventura de Sousa Santos ou Viriato Soromenho-Marques.