O «barlavento» conheceu Ricardo Neto, portimonense criado em Silves, quando ele era ainda um jovem de 16 anos a tentar singrar no fado, como tantos outros. Entrou em concursos, cantou em restaurantes e afastou-se do panorama fadista algarvio. Contudo, numa altura em que diz estar prestes a completar 19 anos de uma carreira artística plena de sucessos, quisemos saber por tem andado.
«Criei o meu próprio caminho, tornando-me independente. Enveredei pela canção ligeira, mas nunca deixei o fado, onde tenho as minhas raízes. Atuo a solo, com a minha equipa, o meu sistema de som, um registo diferente à base de instrumentais com que me acompanho em palco», explicou, afirmando que tem cantado por todo o país e no estrangeiro. O músico tem vários trabalhos discográficos editados, embora destaque o último. «É um trabalho mais sério, foi gravado no excelente Alfa Estúdio, em Portimão. Não é propriamente de fado, tem vários registos, incluindo José Afonso, a Avé Maria de Schubbert e um clássico cantado em castelhano e latim», descreveu.
O tema «Mare Mia», que entoou na Sé de Silves, quando a Senhora das Angústias, padroeira de Ayamonte, visitou este monumento algarvio, é o sua coroa de glória e abriu-lhe as portas na província de Huelva, sendo música de fundo de alguns documentários.
Mas as pessoas não preferem ouvir fado com guitarra e viola ao vivo? Quando começou «não havia músicos suficientes no Algarve para acompanhar o número de fadistas que por aqui andavam. Felizmente, hoje há mais acompanhantes, vários músicos jovens com grande escola, a tocar muito bem. Mas continuo nesta via, porque uma atuação com músicos fica mais cara. Geralmente, apresento uma proposta com músicos e outra com faixas sonoras. De um modo geral, a outra parte contratante escolhe a mais acessível. E, nos últimos anos, tenho voltado aos mesmos locais, é sinal de que as pessoas gostam» do seu trabalho.
«Tenho um projeto com guitarra portuguesa e viola, chamado ‘Rosa do Fado’, uma iniciativa do guitarrista António Correia, que abracei. Já atuámos nas zonas históricas da cidade de Silves e também em Messines, mas está agora em compasso de espera».
Ricardo Neto estudou música em Lisboa, na sua juventude. Isso permite-lhe dar aulas de canto, compor, fazer arranjos musicais e gravar as faixas sonoras com que se acompanha em palco e ao vivo. Além disso, também escrever poemas para os seus originais.
Em jeito de confidência, admite que se considera um místico. «Sinto e tenho a certeza de que vim à Terra com uma missão, que é ajudar toda a gente que me bate à porta. Por isso, fui voluntário durante muito tempo na Sé de Silves, sou voluntário da Cruz Vermelha e dador de sangue. Além disso, colaboro com duas instituições de carácter social: a Santa Casa da Misericórdia de Silves, para a qual faço vários concertos por ano, e a CRACEP de Portimão, da qual sou padrinho artístico».
É o seu próprio agente artístico, porque considerar «difícil arranjar alguém à altura de fazer o trabalho de bastidores bem feito, para nos promover e projetar. E não abdico de ser eu próprio em palco. Se for eu a fazer, sei que as coisas vão correr minimamente bem. As vezes que fui à televisão (a última, em 2003, no Verão total da RTP, na sua cidade adotiva), fui sem agente». Por outro lado, os cachets são tão baixos, que se torna difícil pagar a agentes. Ricardo Neto tem um canal no youtube, página na rede social facebook e pode ser contactado pelo e-mail:
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