Oriundo de uma família ligada ao futebol, Alexandre Moutinho, 15 anos, milita nos escalões de formação do Futebol Clube do Porto. Fomos encontrá-lo em Portimão, não em descanso de verão, mas ajudando a família como monitor nas «férias desportivas» da Associação Escola de Futebol João Moutinho. «É mais difícil ser aluno do que monitor», segredou-nos, e diz preferir a segunda função. O jovem, em entrevista ao «barlavento», conta que se iniciou, aos quatro anos de idade nesta instituição gerida pela família. «Fui sempre subindo de escalão, procurando cumprir os objetivos pessoais e os da equipa. Fui várias vezes ao Sporting Clube de Portugal, com o sonho de seguir as pegadas do meu irmão João, que se encontra no mais alto nível do futebol internacional. No passado ano, ingressei no Futebol Clube do Porto».
O «barlavento» não podia deixar de perguntar qual a importância, para um jogador em início da carreira, ser irmão de um internacional?
«Tem um lado bom e um lado mau. Gosto de ser reconhecido pelo que faço e não pelo que o meu irmão fez. Mas, num clube por onde ele passou e onde continua a ser muito acarinhado, acabam por surgir as comparações. Principalmente, se algo corre menos bem».
E como se sente um jovem, na altura com 14 anos de idade, a deixar a família para trás e rumar ao outro extremo do país para seguir um sonho?
«É difícil. Mas tenho tido muito apoio, tanto do clube, como de familiares que vivem da zona. Não só na parte futebolística, ajudando-me a dar o meu máximo, mas também nos estudos, para que as notas não baixem. Tento conciliar a escola com o futebol, porque este está repleto de incertezas e é importante possuir uma alternativa de vida», assegurou o jovem atleta que passou para o 10º ano, com uma boa média.
Joga habitualmente a médio campo, posição que prefere porque gosta de construir as jogadas. Na época passada, a primeira no FCP, veio, contudo, a ser usado como defesa-esquerdo, lugar onde se tem vindo a impor, conquistando o seu lugar na equipa. «Tenho trabalhado para isso a época toda e acho que tenho merecido a titularidade». Este ano vai jogar nos juvenis sub-16.
Pedimos-lhe que deixe um conselho para os jovens que pensam fazer carreira no futebol. A resposta é rápida e curta: «muito trabalho»!
Escola de Futebol João Moutinho: Formar homens e só depois jogadores
À procura do filho mais novo da família Moutinho, encontrámos outros membros que, tendo terminado as suas carreiras como jogadores, têm agora um papel preponderante na formação de jovens valores. Nelson Moutinho, o patriarca, fez formação nas escolas do Benfica, jogou em vários clubes de futebol e veio terminar o seu desempenho como jogador em Portimão. Embora tenha enveredado por uma carreira profissional na área comercial, nunca se afastou do futebol, treinando equipas da região.
Criar uma escola foi sempre o seu sonho, tendo iniciado, em 1998, a Escola de Futebol de Portimão. Devido ao sucesso do filho João, decidiu dar o seu nome ao projeto, surgindo a Escola de Futebol João Moutinho.
«Ele é um bom exemplo para as crianças, porque é extremamente generoso e joga sempre para a equipa. Traz–nos mais-valias para a formação dos mais jovens, quer como futebolistas, quer como cidadãos, que é o mais importante», disse ao «barlavento».
Com 120 formandos, espalhados pelos diversos escalões entre os 4 e os 14 anos, Nelson Moutinho é o presidente, o filho David, professor de Educação Física e antigo praticante, é o coordenador desportivo, a esposa deste, Misa, trata da parte burocrática. O filho mais velho, Nelson, professor de Educação Física e ainda praticante no Silves Futebol Clube, também dá uma mãozinha. No total, são 10 pessoas envolvidas na formação. Um plantel que vai ser alargado, porque vão estender o limite de idade até aos 16 anos, e portanto, aumentar também o número de equipas.
«Trabalhamos com uma enorme vontade para que as crianças possam atingir os seus objetivos, os seus sonhos. Temos vários jogadores que já entraram ou estão no processo de entrada em grandes clubes portugueses».
Que sente David Moutinho, responsável pela formação, ao ver sair para um grande clube, aos 14 anos, um miúdo que agarraram com apenas quatro anos e moldaram durante uma década?
«Dá prazer agarrar neles, de muito pequenos, moldá-los e ajudá-los a chegar ao patamar que sonham. Quando um formando nosso é chamado a um grande clube, sentimos muito orgulho. Se ficarem, é um prémio, a cereja em cima do bolo, porque sentimos que conseguimos realizar bem o nosso trabalho. Mas o grande objetivo desta escola é formar, primeiramente, homens; só depois, jogadores. Nem sempre é fácil e não depende só de nós».
Férias desportivas
Durante três quinzenas, durante as férias de verão, a Escola de Futebol João Moutinho promove férias desportivas, já pelo quinto ano. Embora o futebol seja o epicentro da rotina, as crianças são levadas a experimentar as mais diversas atividades. Encontrámos várias vindas de fora do Algarve, incluindo uma neta e um neto de um homem maior do nosso futebol, o treinador Jesualdo Ferreira. «Esta quinzena temos 24 alunos e foram recusados vários outros, por falta de capacidade logística. É muito bom para Portimão e para a região», disse Nelson Moutinho, frisando bem que «sem o patrocínio de VILA VITA Parc Resort & Spa, que muito agradecemos, nunca os participantes poderiam usufruir de tantas atividades diferentes».