O Teatro D. Maria II foi hoje desafiado a celebrar 20 anos do Teatro das Figuras, cujo programa terá início em julho de 2024.
O projeto Odisseia Nacional do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM) que traz este mês e no próximo vários espetáculos a diferentes salas do Algarve, deverá continuar em 2024 em todo o país, depois de, nos primeiros nove meses do ano, já ter percorrido 60 concelhos, com mais de 21.000 espectadores, e mais de 6500 participantes ativos nos vários projetos com as comunidades locais, com escolas, ações de formação e pensamento, e envolvendo a parceria de 93 municípios.
O projeto Odisseia Nacional surge com o fecho para obras do edifício histórico do Chiado, encerrado desde janeiro para obras de requalificação, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e que apenas deverá voltar a abrir portas no início de 2025.
«Foi logo muito claro desde o início do projeto, aquando ainda em altura de preparação, do quão necessária era esta visão diferente do que é ser um teatro nacional. Já havia projetos de circulação de espetáculos e de levar a nossa atividade ao resto do país, mas nunca nesta magnitude. Ficou muito claro o quão necessário é este papel de democracia cultural e de coesão territorial», disse hoje o administrador do TNDM Rui Catarino aos jornalistas, num encontro com imprensa e artistas, ao final da esta manhã, em Faro.
Paulo Santos, vice-presidente da Câmara Municipal de Faro, também presente no encontro, desafiou a equipa a participar nas comemorações dos 20 anos do Teatro das Figuras, a iniciar a 1 de julho de 2024.
Segundo o autarca, através dos «nossos serviços educativos e da relação com as escolas, estamos constantemente a criar massa crítica e novos públicos, que consigam interpretar e trazer para vida tudo aquilo que a cultura e teatro nos dá e permite evoluir enquanto sociedade. No próximo ano queremos muito entrar numa lógica de pensamento como o Teatro Nacional D. Maria II, e trabalhar em conjunto com a comunidade, com projetos diferentes. Já o temos feito nas ilhas-barreira, na Culatra, e em alguns bairros sociais da cidade. Para o ano, vamos reforçar substancialmente o orçamento do Teatro das Figuras e vamos fazer muito trabalho fora de portas, nas zonas socialmente mais vulneráveis e, dessa forma, levar estas ferramentas para que, de alguma forma, se possa melhorar o quotidiano das pessoas, acima de tudo numa perspectiva de futuro. Vamos ter uma odisseia mais pequena».
«E queremos contar convosco também, aqui fica o convite em primeira mão». disse.
Rui Catarino assegurou que «a dimensão da Odisseia Nacional é algo que queremos que deixe de ser um projeto e passe a ser parte integrante daquilo que é a nossa missão para os anos vindouros».
«Achávamos que conhecíamos o país cultural e na realidade conhecíamos muito menos do que achávamos. Portanto, quando trabalhamos durante semanas consecutivas, muito próximo com equipas de municípios, de estruturas locais, associações culturais e recreativas, agrupamentos de escolas, percebemos que os cidadãos e cidadãs não têm de ser discriminados negativamente e de se meterem num comboio para irem a Lisboa, ver aquilo que os seus impostos suportam», acrescentou.
Segundo Pedro Penim, diretor artístico do equipamento lisboeta, «estiveram já em circulação pelo país 16 espetáculos, além de outros projetos e atividades paralelas, como laboratórios teatrais, conversas com artistas e 42 projetos com a comunidade. Quanto a mim, esta é uma das dimensões mais revolucionárias, não só em termos daquilo que vai provocando» junto do público, «mas também, também para os artistas estão convidados», como é o caso do LAMA Teatro, estrutura profissional sediada em Faro que participa com a peça «Batalha», encenada por João de Brito.
Este fim de semana, o TNDM tem várias propostas para Faro e Portimão.