A direção do Sindicato da Hotelaria do Algarve reuniu com André Gomes, presidente de Turismo do Algarve, para analisar a atual situação do sector, ontem, dia 10 de julho.
Da troca de impressões havida resultou «uma avaliação consensual de que é necessário uma política de valorização das carreiras e profissões, desde logo ao nível salarial, de maneira a reter a mão de obra qualificada com vista a garantir um serviço de qualidade ao cliente e a colmatar a alegada dificuldade em contratar trabalhadores para o sector», diz aquela estrutura sindical em nota enviada às redações.
O sindicato denunciou o bloqueio da negociação coletiva por parte das associações patronais do sector, por parte da Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve (AIHSA) que «desde 2018 bloqueia a revisão do Contrato Coletivo de Trabalho devido à tentativa de impor uma tabela salarial com salários muito baixos, uma maior desregulação dos horários de trabalho, a redução do pagamento do trabalho aos feriados, entre outras matérias lesivas para os trabalhadores».
Também a Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), que «pretende impor um acordo semelhante ao que tem acordado com a UGT com muito menos direitos, o que permite ao patronato impor condições de trabalho que levam os trabalhadores ao esgotamento e a terem rendimentos que não lhes permite fazer face ao aumento do custo de vida, o que os leva a não quererem manter-se nas empresas do sector».
Também com a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) que pelo «segundo ano consecutivo recusa a revisão dos contratos coletivos da hotelaria e da restauração, e que desde 2003 bloqueia a revisão do contrato coletivo do subsector da cantinas, refeitórios e bares concessionados».
O sindicato diz ainda que «com esta postura do patronato entende-se a sua opção pelo recurso aos trabalhadores migrantes para os explorar ainda mais e para continuar a manter os baixos salários e condições de trabalho cada vez mais penosas».
São opções «que têm encontrado respaldo na política dos sucessivos governos do PS e do PSD/CDS, com a situação a agravar-se ainda mais com a política do atual governo da AD (PSD/CDS) constante no seu programa de governo, que foi viabilizado por PS, Chega e IL, e nas medidas já anunciadas de revisão da legislação laboral», entre as quais, «a intenção de rever a Lei da greve para dificultar a justa luta dos trabalhadores por melhores salários e condições de vida dignas, a entrega de partes importantes das funções sociais do Estado ao negócio privado que criará maiores dificuldades de acesso à população em geral, ou a intenção de rever a Constituição da República para enfraquecer os direitos dos trabalhadores e os serviços públicos».
A direção do Sindicato da Hotelaria garante que irá «continuar a desenvolver o trabalho de esclarecimento dos trabalhadores nos locais de trabalho, apelando à sindicalização e ao reforço da sua ação organizada em defesa de aumentos salariais que reponham o poder de compra perdido ao longo dos anos e à defesa e melhoria dos direitos e melhoria das condições de trabalho».