O Algarve concentra 6 dos 10 municípios onde a taxa de esforço das famílias para a compra de uma habitação é maior, segundo dados analisados pelo idealista.
Antes de comprar casa, as famílias têm em conta uma série de fatores, como é o caso do preço da habitação, localização, áreas, estado de uso, a par do custo do financiamento bancário, que soma às despesas domésticas que têm de assumir. Um dos critérios mais relevantes é, por isto mesmo, a taxa de esforço, que mede o peso da prestação da casa sobre os rendimentos médios da família e difere ao longo do país.
O que os dados analisados pelo idealista revelam é que o Algarve concentra 6 dos 10 municípios onde a taxa de esforço das famílias para a compra de uma habitação é maior no terceiro trimestre de 2024.
Olhando para o top 10 dos municípios que possuem as maiores taxas de esforço na compra de casa de todo o país, salta à vista que o Algarve domina.
Lagos, no Algarve, é a cidade onde a taxa de esforço das famílias para adquirir uma casa é mais elevada, atingindo 150 por cento dos rendimentos médios familiares no município.
A seguir estão Loulé (137 por cento), Albufeira (128 por cento), Silves (127 por cento), Cascais (114 por cento), Funchal (105 por cento) e Lisboa (101 por cento). Com taxas de esforço abaixo dos 100 por cento encontram-se Faro (99 por cento), Portimão (91 por cento) e Nazaré (88 por cento).
Municípios com menor taxa de esforço
Por outro lado, há municípios onde a taxa de esforço para comprar casa é significativamente mais baixa. Idanha-a-Nova, em Castelo Branco, e Vouzela, em Viseu, lideram a lista, com as famílias destinando apenas 15 por cento dos seus rendimentos para a aquisição de uma habitação. A seguir encontram-se Moura, no distrito de Beja (19 por cento), Soure, em Coimbra (19 por cento), Guarda (19 por cento) e Baião, no Porto ( por cento), além de Abrantes, em Santarém (22 por cento). Com uma taxa de esforço ligeiramente superior, estão Vila Viçosa, em Évora (24 por cento), Macedo de Cavaleiros, em Bragança (25 por cento), e Monção, em Viana do Castelo (25 por cento).
Maior e menor esforço em cada distrito
Esta análise também apresenta os dados do mercado que exige maior e menor esforço em cada distrito/ilha do país. As diferenças neste sentido são muito acentuadas, já que o mercado mais exigente do distrito de Faro (Lagos) é 128 pontos percentuais superior ao mais exigente da Guarda (Seia).
Relativamente aos mercados com menor taxa de esforço, as diferenças são menores. O menos exigente do distrito de Faro (Vila Real de Santo António) requer 86 por cento dos rendimentos familiares, enquanto em Castelo Branco e Viseu, os valores mais baixos, registados em Idanha-a-Nova e Vouzela, respetivamente, correspondem a 15 por cento.
Metodologia
A taxa de esforço mede o peso da habitação sobre o poder de compra do agregado familiar. Em particular, no caso de compra, o idealista/data mede a taxa de esforço como a percentagem anual dos rendimentos líquidos do agregado familiar destinada ao pagamento de um crédito à habitação «típico», no sentido em que este é estipulada com características médias em termos de duração e taxa de juro publicadas pelo BCE. O preço da habitação é determinado como o valor mediano de uma habitação de dois quartos, enquanto os dados do rendimento líquido familiar provêm do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Dados recolhidos e analisados pelo idealista/data, a proptech do idealista que fornece informação destinada a um público profissional para facilitar a tomada de decisões estratégicas, tanto em Portugal, Espanha como em Itália. Utiliza todos os parâmetros da base de dados do idealista em cada país, assim como outras fontes de dados públicas e privadas, para oferecer serviços de avaliação, investimento, prospecção e análise do mercado.
Foto: Bruno Filipe Pires