São Brás de Alportel emite voto de pesar pelo falecimento de Alberto Espírito Santo, figura marcante da vida cívica, política e associativa do concelho.
A Câmara Municipal de São Brás de Alportel manifestou voto de pesar pelo falecimento de Alberto Francisco do Espírito Santo Fernandes, aos 71 anos, considerando que a sua morte representa uma perda significativa para a comunidade são-brasense.
Nascido a 5 de setembro de 1953, Alberto Francisco do Espírito Santo destacou-se como uma figura marcante da vida cívica, política e associativa do concelho.
Viveu durante 52 anos com Maria Alice Ribeiro de Sá Teixeira Fernandes, com quem constituiu família, mantendo sempre uma forte ligação aos valores da liberdade, do humanismo e do compromisso com o bem comum.
Homem de causas e de liberdade, deixou marcas na terra onde escolheu viver, pela sua personalidade, cultura e bondade.
Concluiu o Curso de Regente Agrícola na Escola Superior Agrária de Santarém, formação que viria a ser designada como Engenharia Técnica Agrária após o 25 de Abril. O seu percurso profissional culminou ao serviço do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
A sua vida foi profundamente marcada pelo contexto político anterior ao 25 de Abril, tendo o pai sido preso pela PIDE ainda jovem. O contacto com diferentes correntes de pensamento levou-o ao exílio em 1973, juntamente com a esposa, passando por Argel e pela Holanda, onde nasceu o filho mais velho. À data da Revolução de Abril encontrava-se a residir em Amesterdão, regressando a Portugal em julho de 1974.
Teve ligação política à OCMLP (Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa) e participou ativamente no período revolucionário, envolvendo-se em ações cívicas e culturais no Norte do país, antes de regressar ao Algarve, no final de 1975.
Já na região, desempenhou diversas funções profissionais, incluindo na Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, nos serviços veterinários e florestais, integrando posteriormente estruturas que viriam a dar origem ao ICNF, onde permaneceu até à reforma.
Foi dirigente regional do Sindicato da Função Pública da Zona Sul e Açores e participou ativamente no associativismo local, integrando entidades como a Movimento Determinante e a Al-Portel.
Na vida política autárquica, integrou listas da CDU em várias eleições, tendo sido cabeça de lista à Câmara Municipal de São Brás de Alportel em 2009.
O seu falecimento precoce constitui, segundo o município, uma enorme perda para a vida cívica, política e social do concelho, deixando um legado de dedicação, coerência e intervenção ativa ao serviço da comunidade.