À margem da cerimónia de entrega do donativo da Ryanair para a reflorestação de Monchique inserida no projeto ReNature, que aconteceu hoje, terça-feira, 22 de outubro, o CEO da companhia aérea irlandesa, Michael O’Leary, não se escusou a comentar a recente polémica sobre o possível fecho da base da companhia em Faro.
O líder da transportadora, presente há mais de 20 anos em Faro, confirma que «existiram algumas disputas com os trabalhadores recentemente, mas está tudo resolvido». O’Leary justifica esta turbulência com alguns problemas na entrega dos aviões Boeing para este inverno, que estão a chegar «em quantidades inferiores às encomendadas», o que deixa as bases sem aeronaves suficientes para a operação normal.
Além de tudo isto, segundo o CEO, «Faro perde dinheiro no inverno. Só temos lucro no verão, e por tudo isto a base ia mesmo fechar. Ainda ontem vim num voo com 20 pessoas. É um engano as pessoas pensarem que esta base é lucrativa todo o ano, tivemos que explicar que não é bem assim».
O cenário teve reversibilidade graças a um «acordo direto com os colaboradores, pilotos e pessoal de cabine e, portanto, vamos continuar em Faro. Continuamos a perder dinheiro, mas menos do que antes de celebrar este entendimento».
O acordo celebrado «é para quatro ou cinco anos», mas O’Leary pensa «que não deverá mudar. O futuro é brilhante para Ryanair aqui no Algarve. Já somos a maior companhia aérea e no próximo ano vamos anunciar novas rotas. Vamos trazer para cá pessoas de todos os cantos da Europa».
O líder da companhia aérea lembra que «ao contrário da Ryanair, há companhias que apenas voam para o Algarve em junho, julho e agosto e desaparecem. O que estamos a tentar fazer é consolidar rotas que estão abertas todo o ano, com um grande investimento no golfe. O golfe traz pessoas em outubro, novembro, fevereiro e março. É por isso que Monchique é tão importante. Estas são as atividades que as pessoas podem fazer no período de inverno».
Este é o ponto de partida para um futuro que o milionário irlandês considera poder ser «brilhante», pois «a base de Faro, que tem sucesso na época alta, continuará a crescer mais na época baixa, principalmente agora com a falência de outras companhias aéreas como a Thomas Cook». Além disso, quando a Boeing regularizar o fornecimento de aeronaves, «serão alocadas mais para Faro, o que permitirá expandir a base».
O Brexit, como não poderia deixar de ser, é «sempre preocupante» para Michael O’Leary, que apontou à «lendária capacidade dos britânicos para dar tiros nos pés, que continuará a acontecer até que não restem pés para levar tiros».
«Esperamos, tal como toda a gente, que haja um acordo de bom senso, que o Brexit seja harmonioso entre a União Europeia e o Reino Unido. O que toda a gente quer é evitar uma saída litigiosa – isso seria muito mau para o Algarve, para o país e para a Ryanair», remata O’Leary.