O mês de novembro é o mês da Diabetes, uma doença multisistémica, crónica, de evolução silenciosa e complicações variadas, que teima em aumentar a sua prevalência no nosso país e na maior parte do mundo. Este ano, o foco do Dia Mundial da Diabetes (14 de novembro) foi a Retinopatia Diabética, sob o lema emanado pelas organizações nacionais e internacionais «Olhos na Diabetes». A Retinopatia Diabética é mais uma das suas complicações, a par das feridas crónicas e consequentes amputações, da insuficiência renal e da precipitação que provoca para a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais e enfartes do miocárdio (cerca de 28 por cento das pessoas que sofrem acidentes vasculares são diabéticos e 31 por cento dos indivíduos internados por enfarte do miocárdio têm Diabetes). A Diabetes carateriza-se pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue (glicose) devido a uma diminuição ou ausência na produção da insulina pelo pâncreas.
Esta persistência da hiperglicemia provoca lesões nos tecidos, com maior evidência nos rins, olhos (retina), nervos periféricos e sistema vascular, com desfecho muitas vezes fatal. No caso da Retinopatia Diabética este aumento dos níveis de açúcar no sangue, provoca alterações nos pequenos vasos sanguíneos da retina, no interior do olho. A retina é a camada do olho onde estão alojadas as células que recebem a luz e que fazem o processamento das imagens para o cérebro. O excesso de açúcar no sangue produz deterioração dos vasos sanguíneos da retina, tornando-os mais permeáveis e possibilitando o extravasamento de sangue e fluido.
Esta acumulação anormal nos vasos sanguíneos do fundo do olho ocasiona o seu entupimento ou enfraquecimento, levando ao rompimento desses vasos e lesando a retina. Se bem que a Retinopatia Diabética seja a manifestação mais prevalente da Diabetes, outras condições oftalmológicas importantes e igualmente graves devem ser tidas em conta nesta doença. Falamos do glaucoma e da catarata. Os dados sobre a Retinopatia Diabética, segundo o RETINODIAB (Study Group for Diabetic Retinopathy Screening), o primeiro estudo epidemiológico português que decorreu entre 2009 e 2014, com mais de 52 mil pessoas diabéticas rastreadas, não são animadores.
Esta investigação concluiu que 16,3 por cento sofre da doença, cujo impacto é ser a principal causa de cegueira na população ativa. Os dados resultantes das 109 543 retinografias realizadas demonstraram ainda que a duração da evolução da Diabetes, a idade do diagnóstico e o tratamento de insulina estão associados ao aumento do risco da prevalência, incidência e progressão da doença. O estudo RETINODIAB permitiu ainda perceber a importância dos rastreios, enquanto elemento fundamental e determinante para que se possa diminuir a carga enorme de incapacidade que a Retinopatia Diabética acarreta. Não tem cura, sendo tratável exclusivamente através de cirurgia, por exemplo por fotocoagulação, injeção intravítrea ou vitrectomia, se bem que não haja reversibilidade total da lesão. Controlar com regularidade os níveis de açúcar, a pressão arterial e o colesterol é a forma mais eficaz de abordar a doença. Consultar o oftalmologista pelo menos uma vez no ano é a única forma de a controlar.
Espaço Saúde do Hospital Particular do Algarve (HPA)