No próximo dia 28 de fevereiro, o PSD vai a votos na Capital. Fá-lo num novo ciclo político em que, ao cabo de 16 anos, passámos para a oposição.
Quem hoje governa Faro encontrou uma autarquia financeiramente saneada e com obra feita e lançada. Devemos estar vigilantes e não permitir que os novos «inquilinos» dos Paços do Município tentem construir uma narrativa que falseie esta realidade.
Os primeiros sinais não são tranquilizadores, mas os farenses sabem de onde partimos e o que foi feito. Não podemos contribuir, mesmo que seja por omissão, para a construção dessa «pós-verdade». Mas, se queremos voltar a ser verdadeira alternativa, não devemos olhar para nós e para o nosso passado como fonte miraculosa de onde jorra toda a virtude. Não fomos imunes ao erro e o eleitorado penalizou-nos duramente em 2025.
É preciso olhar para dentro e perceber onde e como falhámos. No exercício do poder, sobretudo na parte final do último mandato, ficaram expostas fragilidades na conservação do espaço público e de alguns equipamentos municipais. Pagámos caro por isso.
Mas as fragilidades não foram apenas executivas. Enquanto movimento político, devemos também refletir sobre o modo como acompanhámos, debatemos e enquadrámos a ação governativa. É uma reflexão necessária, que deve ser feita com sentido construtivo e espírito de responsabilidade.
A primeira resposta está na renovação. Rejuvenescer quadros, atrair gente nova, dar mais força aos jotas, às mulheres social-democratas e aos TSD, e abrir o partido à comunidade. Um partido que não se renova acaba a falar sozinho.
É preciso também refrescar as práticas. O partido é para as pessoas e tem de saber falar com elas. Comunicar mais, comunicar melhor, comunicar com transparência e abertura em todos os canais, muito em particular nos que a contemporaneidade nos faculta.
E comunicar não é ditar, nem proclamar. É também ouvir quem sabe e quem tem experiência num processo de troca de informações em que todos são chamados a participar ativamente na construção das políticas a construir. Promover a participação, assumir posições e estar presente no espaço público é, pois, corolário lógico desta premissa. Sem comunicação não há confiança, e sem confiança não haverá alternativa nem união.
E é a união que constitui o terceiro vértice do triângulo. Um partido vivo não pode funcionar com pensamento condicionado nem com disciplinas informais que tolhem a liberdade individual e minam a nossa união. Os sindicatos de voto não são concebíveis no partido de Sá Carneiro, Cavaco Silva, Cabrita Neto, Cristóvão Norte ou Mendes Bota.
O PSD tem de voltar a ser de todos. Porque um partido livre e esclarecido por dentro fala melhor e mais alto lá fora. Este sentido de liberdade leal e responsável é que nos permite encarar de frente o futuro que aí está. 2029 está mesmo aí e vai ter de ser outra vez um PSD moderado, responsável e exigente, a construir os eixos do desenvolvimento do nosso concelho como grande capital regional. Uma capital com ambição económica, universitária, cultural, social, desportiva e institucional.
No dia 28 de fevereiro, começaremos a traçar esse «objetivo 2029», onde queremos chegar plenamente reerguidos, renovados e unidos para podermos ser outra vez merecedores da confiança dos farenses e lutar por um concelho com alma e orgulho coletivo.
Como tantos outros, apetece-me também recordar a advertência que Francisco Sá Carneiro fez em tantas circunstâncias da sua vida: «a política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha». Cito-o para entusiasmar todos os militantes que amam a liberdade, que pensam pela sua própria cabeça e que sabem que votar sem medo é a primeira condição para um partido verdadeiramente livre.
Um partido de todos. Mesmo de todos. Entre a coragem de decidir e a liberdade de votar se constrói a alternativa. É esse caminho, numa palavra, que o PSD tem de voltar a trilhar.
Henrique Ascenso Gomes | Ex-gestor público, consultor, secretário-geral do PSD Algarve