A paixão de um casal pela natureza e património levou à transformação de uma antiga propriedade inabitada na Quinta do Tempo, em Monchique.
Situada no ponto mais alto do Algarve, a Quinta do Tempo dá vida a um espaço que estava inabitado, mas carregado de história. É a concretização do sonho do casal Laura Duarte e Jorge Albino, proprietários e responsáveis pela total recuperação das casas e do espaço, bem como da atual manutenção do terreno e gestão do turismo rural.
Ambos algarvios, Laura de Monchique e Jorge de Portimão, dedicam-se diariamente ao bem-estar e satisfação dos hóspedes que recebem de todo o mundo e proporcionam uma experiência rural única nesta encosta da Serra de Monchique.
A sua boa disposição e energia contagiante, aliada ao contacto com a natureza e conforto do alojamento, permitem um relaxamento total e uma sensação de leveza, praticamente imediata.
Iniciaram as obras na quinta em 2014 com o objetivo de preservar a estrutura e essência original e não demoraram mais de um ano a recuperá-la na totalidade.
«Fazemos questão de manter na construção a tipicidade, a traça tradicional que lhe confere o charme, a singularidade e o respeito pelos antepassados», explicaram os donos ao contar que começaram pelo telhado porque estava muito degradado e deixava passar a chuva e, assim, ainda conseguiram recuperar parte das telhas telhas de barro antigas.
Para ambos, esta caraterística é tão importante como fazer com que os hóspedes superem as suas expetativas e desfrutem ao máximo do seu tempo de férias, tanto nos seus estúdios como no jardim, deitados nas espreguiçadeiras, a fazer um churrasco ou a usar o forno de lenha.
O tempo aqui não falta, parece até que se prolonga e os dias são maiores e é precisamente essa a ideia que Laura e Jorge pretendem transmitir no seu «pequeno e humilde espaço», como descrevem.
O intuito é contrariar a sensação de que não temos controlo e sentir que podemos relativizar tudo o que está a acontecer, o que é fortalecido pelo ar puro, o chilrear dos pássaros, o coaxar das rãs e a vista para o mar.
Também o som da água da ribeira a correr, que passa dentro da propriedade e se acumula num tanque, é do mais tranquilo que se possa imaginar, o que se torna ainda melhor se nos deitarmos na espreguiçadeira por baixo da grande tileira mesmo ao lado.
A agitação urbana é deixada de lado para dar lugar a um ambiente aconchegante e sereno, onde é possível partilhar histórias e ficar a conhecer os hábitos algarvios.
Neste espaço de turismo rural, que alberga até nove pessoas, existe um contacto próximo e pessoal com os hóspedes, se assim o desejarem, e vive-se uma experiência familiar e de respeito, em que as visitas passam a fazer parte da casa.
O difícil será escolher entre os três estúdios – Si, Sá e Lage –, todos completamente equipados e com primeiro andar, decorados com um estilo rústico e simples, que maravilhosamente juntam o antigo ao moderno assim como o resto da propriedade.
Os nomes foram inspirados na família, sendo Lage a junção de Laura e Jorge que, por coincidência, significa «pedra plana com base estável» o que o torna, por isso, o estúdio com mais destaque, não só por ter vista mar como uma entrada mais privada.
A originalidade do design e preocupação com a qualidade dos materiais usados são notórias, o que seria de esperar visto Laura ser uma mulher criativa e Jorge um apaixonado por carpintaria, profissão que mantém.
Transformaram um espaço sem rede de saneamento público e cheio de vegetação brava, com romãzeiras, laranjeiras, figueiras e macieiras, num local cheio de cor e vida, em que se respira harmonia e se tem uma estadia incomparável.
«Quando chegamos havia muito para fazer, mas também havia muita vontade», recordou Jorge ao que Laura acrescentou: «tivemos família e amigos a ajudar-nos, a limpar as silvas, a plantar mais flores, laranjeiras, limoeiros, pessegueiros e ameixeiras».
Laura, que cresceu em Monchique e mudou-se para Portimão quando terminou a escola secundária, sentia falta da proximidade com o campo, por isso, decidiu trocar a sua vida profissional estável, um trabalho numa clínica médica que durava já há mais de 25 anos, por um negócio numa área completamente distinta que requer toda a sua dedicação e do marido.
Ainda que seja mais do que um trabalho a tempo inteiro, ambos veem o seu empenho ser reconhecido pelos que por aqui passam, seja através dos comentários que deixam no momento da partida como da emoção com que vivem os seus dias ao longo da estadia.
Vindos de França, Suíça, Alemanha, Países Baixos, Grécia, Turquia, Israel ou Estados Unidos da América, todos encontram na Quinta do Tempo o lugar para uns dias de descanso, em que desconectar da rotina e respirar ar puro são as maiores preocupações.
Já Jorge e Laura têm em atenção a sustentabilidade e o meio ambiente, daí o uso de um sistema solar de tratamento de águas sanitárias e reciclagem de todo o lixo.
Por acreditarem que «é nas coisas mais simples que podemos encontrar a felicidade,» os proprietários estão sempre dispostos a ajudar no planeamento das férias, com sugestões para todos os gostos, seja um percurso pedestre ou a cavalo pela serra ou uma tarde nas conhecidas Termas de Monchique.
Opções não faltam até porque a localização é convidativa a explorar tanto a zona central do Algarve como a Costa Vicentina, estando o Autódromo Internacional do Algarve a apenas 25 minutos de carro da quinta.
«Os últimos anos têm sido duros, mas bons, trabalhamos com muito carinho e alma. Deixamos sempre um miminho de boas-vindas aos nossos clientes, como um bolinho ou uma bebida típica e tem corrido tudo muito bem,» concordaram os proprietários sem conseguir esconder a sintonia entre si e felicidade pelo que alcançaram.
«Ficamos com o coração cheio quando as pessoas saem daqui contentes, por lhes termos conseguido proporcionar a calmaria e tranquilidade que procuravam e feito com que se sentissem bem,» concluíram.
Ficam as lembranças que os hóspedes lhes deixam, desde miniaturas com o símbolo do seu país a produtos naturais e, muitas vezes, mantêm uma relação de amizade em que os antigos clientes lhes vão enviando fotografias a partilhar momentos especiais das suas vidas. Objetos que guardam com muito afeto e fazem agora parte da história da Quinta do Tempo.


