Programa ATOS, iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II e Fundação Calouste Gulbenkian, vai estar em Loulé, de 29 de outubro a 6 de dezembro.
Loulé vai ser palco de sete microprojetos participativos, promovidos e executados pela sociedade civil no âmbito do programa ATOS, uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II e da Fundação Calouste Gulbenkian.
Criado em 2023, o programa tem vindo a promover práticas culturais e artísticas de participação em todo o país, estimulando iniciativas cívicas e artísticas das comunidades e gerando novas centralidades culturais.
Desenvolvidos em colaboração com mentores das práticas artísticas participativas, e após vários meses de formação e mentoria, os projetos serão apresentados às comunidades entre 2 de novembro e 6 de dezembro, tornando-se parte do tecido cultural da região.
As apresentações incluem percursos performativos, conversas, encontros, uma exposição e um piquenique. Os mentores António Pedro Lopes e Patrícia Craveiro Lopes destacam «a diversidade de experiências, mundivisões e ideias» dos participantes, «uma mais-valia para construir um lugar de encontro, conversa e intercâmbio».
A diretora municipal de Loulé para a Cultura, Dália Paulo, sublinha a importância deste programa para o território. «O ATOS representa o que de melhor podemos fazer em termos de política cultural — criar condições para que as comunidades participem ativamente na criação artística, promovendo pensamento, diálogo e pertença. Este tipo de projetos traduz a nossa visão para um concelho culturalmente vivo e socialmente coeso», diz.
Para além dos microprojetos, realiza-se também um Fórum ATOS em cada município parceiro. Com curadoria de Elisabete Paiva, estes fóruns são espaços de debate sobre o papel da sociedade civil na democracia cultural, desde o desenvolvimento de projetos participativos à definição de políticas públicas.
Abertos à comunidade mediante inscrição prévia, os Fóruns ATOS incluem debate, reflexão e apresentação de dois projetos — um local e outro convidado de um município parceiro. O objetivo é alargar o horizonte de possibilidades e criar redes de cumplicidade entre territórios.
Em Loulé, o Fórum realiza-se a 29 de outubro, no Palácio Gama Lobo, com intervenções da Almargem – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve e de Álvaro Gouveia, da empresa CEI, de São João da Madeira.
No seu terceiro ano consecutivo, o ATOS continua a envolver comunidades em todo o país, promovendo a participação artística e cultural e reforçando o pensamento crítico e colaborativo.
No Algarve, este programa conta com a parceria da Câmara Municipal de Loulé e do ARTERIA_LAB – Universidade de Évora.
O programa completo está disponível aqui.
Os sete microprojetos de Loulé
Em Alte, o projeto àmonstra propõe uma reflexão sobre o lugar do coletivo e a forma como a arte pode reocupar o espaço público. Através de ações comunitárias e de encontros informais, a iniciativa procura despertar novas formas de convivência entre vizinhos, criar pequenas interrupções poéticas na paisagem e questionar o modo como nos relacionamos com o território.
Também em Alte, o Laboratório da Terra convida residentes e recém-chegados a partilhar o gesto antigo de trabalhar o barro. A iniciativa pretende integrar a comunidade estrangeira e explorar a argila como matéria de diálogo intercultural. O percurso inclui recolha de argilas locais, conversas sobre o valor simbólico da terra e uma exposição final, onde o público será convidado a tocar, cheirar e reconhecer o território através das mãos.
Em pleno centro de Loulé, o projeto Lojas de Rua transforma o comércio tradicional em cena viva. As portas abertas da Rua 5 de Outubro revelam as histórias e os gestos de quem faz parte da vida económica e afetiva da cidade. Entre montras, cheiros e memórias, este percurso performativo devolve visibilidade a um quotidiano que resiste ao tempo e às mudanças.
Na aldeia de Querença, Ponto a Ponto costura gerações em torno do croché, da partilha e da palavra. O gesto repetido do fio e da agulha torna-se uma forma de expressão artística e comunitária, que liga a sabedoria das mais velhas à curiosidade das mais novas. Cada ponto é também uma memória, uma conversa, uma imagem do que permanece na vida rural.
Na Mákina de Cena, o projeto Aldeia-Também nasce de uma série de encontros sobre maternidade e comunidade, refletindo sobre o papel das mulheres na criação e no cuidado. A proposta, integrada no Festival Contrapeso, articula performance, partilha e escuta, convidando o público a reconhecer a dimensão política do ato de cuidar.
Mais à frente, Lugar para toda a gente chama a atenção para a acessibilidade cultural e a presença de corpos diversos nos espaços públicos e artísticos. Através de oficinas e de um percurso urbano, procura-se imaginar uma cidade inclusiva, onde cada pessoa encontra o seu lugar, independentemente das suas limitações ou diferenças.
O ciclo encerra no Solar da Música Nova, com a performance És o dono do oxigénio, quanto cobras por um minuto de ar?, criada por um grupo de jovens. A partir de uma pergunta provocatória, o espetáculo explora as tensões entre poder, consumo e natureza, numa metáfora urgente sobre o colapso ambiental e o futuro comum.
Cada um destes projetos afirma-se como um gesto de criação partilhada e uma prova de que o território pode ser um espaço vivo de experimentação artística. Em Loulé, o programa ATOS assume-se como uma plataforma de encontro e de diálogo entre cultura e cidadania, entre arte e comunidade.