A estreia do Open Internacional de Xadrez de Silves contou com 88 jogadores inscritos, num torneio que se destacou pela qualidade e competitividade, entre 1 e 7 de março.
O canadiano Kevin Spraggett, atualmente a viver no norte de Portugal, era o favorito à vitória, mas o desempate acabou por favorecer o Grande Mestre argentino Daniel Hugo Campora, radicado em Sevilha, que ganhou o torneio.
«Na última partida, empatei com o Kevin e acreditei que seria ele a vencer. Mas quando saíram os resultados finais, venci e estou muito feliz. Acho que neste torneio havia 10 jogadores muito equivalentes. Qualquer um deles poderia ter ganho porque são todos muito competitivos. Mas, para mim, o mais importante é estar na luta», comentou Campora ao barlavento na sexta-feira, 7 de março.
O mestre manifestou-se feliz por estar a jogar próximo de casa e a competir, de novo, em Portugal, país onde diz ter muitos amigos.
Transmissão online inédita
Satisfação mostrou também Tiago Custódio, presidente da Sociedade de Instrução e Recreio Messinense (SIRM), que organizou a prova, através do seu Clube de Xadrez, em parceria com a Câmara Municipal de Silves e a Federação Portuguesa de Xadrez, que sublinhou a inovação tecnológica do evento.
«Foi a primeira vez que tivemos 39 tabuleiros digitais a transmitir online os jogos em tempo real, no nosso país. Tivemos assistência em países como a Sérvia, Polónia e Inglaterra, a comentar as partidas. Algumas foram divulgadas nos seus próprios canais. E contámos com a presença de jogadores importantes», sintetizou ao barlavento.
Um feito, pois «conseguimos levar o nome da SIRM ao panorama internacional do xadrez. Já tínhamos feito a nível nacional, mas fora de fronteiras foi algo que nem sequer conseguiria imaginar possível», disse.
Por sua vez, Rosa Palma, presidente da Câmara Municipal de Silves, disse não ter tido dúvidas em apoiar a dimensão ambiciosa da prova.
«Esta associação tem vindo a promover o xadrez, começando de forma singela em São Bartolomeu de Messines, depois organizando pequenos torneios dentro e fora do concelho. Foram crescendo, estimulando os mais jovens e agregando jogadores experientes. É uma coletividade dinâmica, presente e forte, que chega a todas as gerações», destacou.
Já o primeiro Open de Silves, «concentrou pessoas de nacionalidades diferentes em torno de um desporto que, por norma, não é muito divulgado. Mas pelo trabalho longo que têm vindo a desenvolver, acreditámos que iriam com certeza conseguir», explicou.
Por sua vez, Dominic Cross, presidente da Federação Portuguesa de Xadrez, elogiou a iniciativa.
«O xadrez, como modalidade federada, é das 20 mais praticadas em Portugal. No Algarve, tem crescido imenso. No ano passado surgiram mais dois novos clubes, em Vila Real de Santo António e em Tavira. E neste momento estão a aparecer novos valores, sobretudo nas camadas mais jovens», revelou.
O Open de Silves integrou o Portugal Chess Tour, circuito de provas internacionais. Segundo Dominic Cross, um torneio de alto nível deve ter «critérios standard de qualidade, contar com a presença de mestres de vários países, ter um prize money atrativo» – que neste caso foi de 4 mil euros – e uma duração alargada.
Tiago Custódio realçou ainda o impacto económico do evento. «Foi necessário alojar os jogadores e famílias em todas as unidades de alojamento disponíveis na cidade de Silves. A comunidade mostrou uma hospitalidade incrível», com o evento a ajudar a mitigar a sazonalidade desta época do ano.
Foi «maravilhoso» ver um português no Pódio
Na classificação geral, o espanhol Ismael Alshameary Puente ficou em segundo lugar, enquanto o jovem português Bruno André Leite, de 21 anos, ficou em terceiro.
Segundo Tiago Custódio, diz que foi «maravilhoso» ver um jogador luso entre os vencedores.
Apesar da idade, Bruno Leite «já tem um grande percurso no xadrez e foi campeão nacional. Mas realmente não é fácil subir ao pódio neste tipo de torneios. É muito difícil porque competimos com países que têm uma grande tradição no xadrez. Tivemos aqui presente uma grande armada espanhola, que ainda assim, que não conseguiu vencer totalmente a portuguesa», considerou.
Dominic Cross corroborou: «existem 200 federações de xadrez no mundo. Há uma enorme competitividade global. É um panorama em que começamos a entrar. E para isso temos que ganhar experiência e ritmo competitivo. São este tipo de competições que nos dão a oportunidade».
Xadrez é «excelente» ferramenta pedagógica
Questionado sobre se o xadrez ainda é capaz de gerar interesse, Dominic Cross sublinhou que quando ensinado nas escolas, «é um benefício para as crianças no desenvolvimento da sua capacidade de concentração, de memória, de pensamento crítico, e também de análise. E essa aprendizagem é muito importante no sucesso escolar no futuro. Além disso, o xadrez é uma ferramenta pedagógica muito simples de implementar em contexto escolar e com resultados excelentes».
Uma opinião partilhada por Tiago Custódio. «O interesse do xadrez é enorme. Temos no nosso clube várias crianças, que têm desenvolvido muito os parâmetros da concentração e da competitividade, porque o mais difícil para uma criança é saber perder. O xadrez ensina a respeitar o próximo, a manter a calma. Isto tudo ajuda no futuro, tanto na escola como em casa. Portanto, esta modalidade dá toda uma panóplia de utilidades, não só no jogo, mas também na vida».
O primeiro Open Internacional de Xadrez de Silves decorreu no pavilhão da Fissul e contou com o apoio institucional da Federação Portuguesa de Xadrez e da Junta de Freguesia de Silves, bem como da Teófilo, da Caixa de Crédito Agrícola das Terras do Arade, das Frutas Martinho e da Algarseguros.
Os resultados podem ser consultados aqui.


