Estão em marcha vários trabalhos junto ao acesso à Praia de Faro. A obra não vai ter paragens durante o fim de semana, e dada a proximidade das férias da Páscoa, que traz um aumento da afluência ao local, é expectável que se formem filas ainda mais longas e complicadas.
Rui Botelho, diretor de obra, responsável pela empreitada, explicou ao «barlavento» o ponto de situação e o porquê dos constrangimentos no acesso à Praia de Faro.
«Neste momento estamos a fazer passagens hidráulicas. Ou seja, havia aqui um problema em que a maré só tinha um ponto de passagem, por debaixo da ponte».
No lado poente, junto ao Ludo, «a água da Ria tinha pouca oxigenação, privando o crescimento normal dos bivalves» nos viveiros ali existentes, «que estavam debilitados». «É esse o intuito» desta primeira intervenção.
A consequência é que «temos o trânsito muito condicionado. Esperamos que dentro de um mês e meio toda a circulação automóvel seja reposta, dentro da normalidade. Até lá, vai ficar condicionada a apenas uma faixa de rodagem», explicou.
«É uma questão técnica. Estamos a intervir e a construir diques. Os buracos ficam abertos» e daí a necessidade de prolongar os trabalhos além dos dias úteis. As marés não condicionam a intervenção, pois foram colocados grandes sacos de areia de forma a estancar a preia-mar.
«Depois disto, prevemos iniciar o novo passadiço», uma obra que, segundo Rui Botelho, já tem em consideração o projeto existente para a construção da nova ponte da ilha de Faro.
É um caminho para um futuro incerto, já que a infraestrutura ainda não tem data para sair do papel.
No passado dia 19 de janeiro, o presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau reuniu com Célia Ramos, secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza.
A governante informou o autarca que não existe financiamento que permita lançar este ano o concurso para a nova ponte e também não avançou com uma previsão.
Já em relação ao passadiço, o engenheiro da «Maja Construções», prevê que esteja tudo pronto «nos próximos dois meses», isto é, mesmo a tempo da próxima época balnear.
Questionado sobre as dificuldades de trabalhar neste local, Rui Botelho apontou alguns imprevistos. No lado nascente «é preciso desviar algumas infraestruturas existentes, como a conduta elevatória de esgoto, que está a atrasar um pouco a obra. Estamos a trabalhar em conjunto com a FAGAR», para o efeito.
«Já está a ser estudado o desvio. Vai ser necessário o recurso a ventosas, que não estava previsto no projeto. Também existe o terno de média tensão que leva toda a energia elétrica para a ilha de Faro. Terá que ser levantado um pouco para podermos encaixar a passagem hidráulica, que é um elemento pré-fabricado», explicou. Há ainda uma conduta de abastecimento água, no lado poente, também a desviar.
A única faixa de rodagem disponível é partilhada para escoar o trânsito em ambos os sentidos, controlado por um semáforo portátil. Mas mesmo com a sinalização e numa estrada que não tem bermas, muitos automobilistas ignoram as mais elementares regras de segurança. «Havia de ver a velocidade com que passam aqui. Nem ligam ao semáforo», denunciou ao «barlavento» um dos operários que trabalha no local.
Também a construção do parque de estacionamento exterior à praia, junto ao Aeroporto de Faro, está a avançar, um investimento que ronda os 815 mil euros. A requalificação do acesso rodoviário à ponte e o passadiço têm um orçamento estimado de 543 mil euros.