O «barlavento» falou com Peter Adams, diretor de competições internacionais no PGA European Tour.
Nascido em Inglaterra, Peter Adams sabe desde jovem o que é lidar com o desporto. Começou como jogador de futebol na escola e depois na universidade.
Em paralelo, gostava de dar umas tacadas de golfe, embora sem qualquer premonição do que seria a sua carreira. Assume, contudo, que sempre teve noção de que não era «bom o suficiente» para praticar estes desportos a nível profissional, e, por isso, ingressou numa agência de marketing desportivo, em Londres.
Foi aí que teve o primeiro contacto com o mundo do desporto de outra perspetiva, mais cerebral e ponderada. Em 1989, surgiu o primeiro trabalho de envergadura relacionado com o mundo dos greens: o Bell’s Scottish Open Golf Championship, competição em que Adams se estreou como diretor de operações.
Depois, com a adesão da agência onde laborava ao European Tour de golfe, foi trabalhando em vários eventos do Circuito Europeu e do World Golf Championship. Agora, e desde 1994, é diretor de competições internacionais no PGA European Tour.
«Gosto mesmo disto», confessa, antes de acrescentar que, apesar da agenda bastante ocupada na organização dos torneios, continua a jogar golfe amador. «Adoro o jogo.»
Adams é hoje o cérebro do Portugal Masters, importante torneio de golfe que será disputado entre os dias 24 e 27 de outubro, no Dom Pedro Victoria Golf Course, em Vilamoura.
É assim desde 2007, quando a competição tomou o lugar do antigo World Cup Golf, que se extinguiu em 2005. «O evento exige uma preparação meticulosa, que começa assim que o torneio termina», explica.
Ou seja, esta competição está em preparação há um ano. «Quando acaba o torneio, discutimos os pontos positivos, os negativos e, a partir daí, começamos a moldar e a dar forma ao evento do ano seguinte.»
Um dos pontos mais desafiantes em todo o processo organizativo é a angariação de patrocinadores. «O golfe é um desporto muito importante para a indústria turística em Portugal e com muitos praticantes estrangeiros, mas também portugueses», afirma.
Além disso, o Portugal Masters é um caso sério de mediatismo, pois «é televisionado em todo o mundo». É um dos poucos com capacidade «de atrair patrocinadores nacionais e internacionais, que tenham ligação a todos os envolvidos na competição».
E desengane-se quem pensa que o dinheiro é a principal razão para atrair estrelas de toda a Europa ao torneio português: «Os profissionais adoram vir para Portugal por vários fatores. Temos viagens fáceis e curtas dentro da Europa, o Aeroporto de Faro está perto de vários hotéis e temos campos de grande qualidade. Tudo isto facilita a atração de jogadores para o torneio», diz Adams.
Além disto, segundo o diretor, «o clima e a cultura são pontos muito fortes do País», sobretudo no que ao turismo diz respeito.
A todas estas atrações, junta-se a alma portuguesa: «A comida é excelente, tal como os vinhos tintos e os brancos, sem esquecer a fantástica hospitalidade do povo», sublinha. Para convencer os mais relutantes — que são cada vez menos, fruto do Portugal Masters ser um dos eventos desportivos mais fortes no panorama europeu — a organização cria infraestruturas de qualidade.
«Temos o Player’s Lounge, onde tudo é grátis para os jogadores. Servimos comida espetacular e deliciosa, bebidas e outras cortesias, e existem hotéis fantásticos perto dos campos. Nunca seduzimos os jogadores por prémios monetários para estarem presentes, mas sim pelas condições que eles têm onde vão jogar. E a verdade é que eles gostam e voltam.»
Para esta edição do Portugal Masters são esperados 126 jogadores no campo de Vilamoura, «incluindo grande parte dos grandes jogadores do circuito europeu», explica o organizador, que aponta uma tendência para ter nomes «cada vez melhores» no torneio português, admitindo que ainda é algo utópico ter um jogador do top 10 mundial a participar. No entanto, na última edição, participou o espanhol Sérgio Garcia, atual número 32 do ranking mundial.
O prémio monetário da competição cifra-se nos 1,5 milhão de euros, dos quais 250 mil euros cabem por inteiro ao vencedor. Juntando as estrelas a todo o trabalho de suporte dentro e fora dos greens, Peter Adams estima, entre voluntários e staff, uma massa humana superior a mil pessoas em trabalho no evento, para que tudo corra da melhor forma e sem contratempos.
E, num desporto cada vez mais praticado pelo mundo e também no nosso País, o diretor de competições internacionais do PGA European Tour deixa alguns conselhos para aqueles que têm o bichinho do desporto mas não sabem por onde começar.
«O grande segredo é dedicar o máximo de tempo que consiga a praticar, e, sobretudo, arranjar um bom treinador para aprender. Se começar a fazer as coisas bem, tem de participar no máximo de competições possível, e entrar no ranking amador. A partir daí, luta-se por uma oportunidade para representar a cidade, a região ou, quem sabe, o País numa competição. Pode até tentar ir como amador à qualificação do European Tour. Mas o mais importante é sem dúvida a prática, um bom treinador e bons conselhos.»