O parlamento aprovou ontem por unanimidade um voto de pesar pela morte da resistente antifascista e ex-deputada Margarida Tengarrinha.
O parlamento aprovou ontem por unanimidade um voto de pesar pela morte da resistente antifascista e antiga deputada do Partido Comunista Português (PCP) Margarida Tengarrinha, que morreu aos 95 anos, no dia 26 de outubro.
«Margarida Tengarrinha deixa uma vasta obra no domínio das artes plásticas e publicou diversos livros sobre pintura, cultura popular e sobre a sua experiência e intervenção política», é salientado na iniciativa, apresentada pelo Grupo Parlamentar do PCP.
A antiga deputada nasceu a 07 de maio de 1928, em Portimão, e no texto é lembrado que, «desde jovem, participou nas lutas estudantis de 1949 e 1954 em Lisboa, tendo sido membro da Direção Universitária do MUD Juvenil».
O PCP refere que Margarida Tengarrinha participou «nas Exposições Gerais de Artes Plásticas, tendo sido expulsa da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa – ESBAL, pelo papel desempenhado na direção da luta pela Paz aquando da reunião da NATO em Lisboa em 1952».
«Aderiu ao Partido Comunista Português, com 24 anos, em 1952 e passou à clandestinidade em finais de 1954. A sua primeira tarefa foi a criação, com o seu companheiro José Dias Coelho, da oficina de produção de documentos de identificação necessários à intervenção clandestina do Partido», lê-se no texto.
Em 1962, após o assassinato de José Dias Coelho – que morreu em 1961, assassinado pela PIDE (a polícia política do regime do Estado Novo) – Margarida Tengarrinha «foi para o exterior tendo exercido tarefas na Rádio Portugal Livre».
O PCP refere que em 1968 Margarida Tengarrinha «regressou a Portugal, tendo assumido outras tarefas partidárias na clandestinidade» e que participou no Congresso Mundial de Mulheres realizado em Copenhaga, em 1953, e em Moscovo em 1963.
Entre 1974 e 1988, Tengarrinha «pertenceu ao Comité Central do PCP e foi deputada à Assembleia da República nas III e IV legislaturas», e integrava atualmente «a Presidência do Conselho Português para a Paz e Cooperação».
Os deputados manifestaram desta forma o seu pesar pelo falecimento de Margarida Tengarrinha, apresentando «aos seus familiares e ao PCP, as suas condolências».