O que é feito da geração (de esquerda) dos anos sessenta/ setenta? Uns, porventura, poucos, continuarão, militantemente, «sonhadores», outros, quiçá a maioria, ter-se- -ão «acomodado» em nome do «pragmatismo» e criado «barriguinha» nas novas e diversas instâncias de poder nascidas pós-25 de Abril e, finalmente, outros, ainda, «metamorfosearam-se» sem pudor algum, passando para o outro lado da barricada, a pretexto do «fim da História».
Entretanto, os «rebentos» de tal geração desesperam por um emprego, pela precariedade e cada vez mais baixos salários dos empregos que, ainda, vão aparecendo, em suma, por um futuro que teima em ser-lhes negado, vendo-se, em última instância, obrigados a emigrar, em levas a lembrar as do tempo de Salazar para os bidonvilles parisienses, ou, então, participam em sucessivas conferências recheadas de «gurus» de toda a espécie e feitio – com que, nomeadamente, certas empresas de comunicação social, em paralelo com o «ligue já e tente a sua sorte!», atenuam problemas de tesouraria -, procurando, assim, não menos desesperadamente, ser «empreendedores/empresários de sucesso», que o mundo do «trabalho» não terá dignidade. Isto, enquanto a História, afinal, parece manter-se bem viva, para desassossego de «acomodados» e irritação dos «metamorfoseados».