Violência doméstica marcou durante anos a relação entre mãe e filha. A suspeita estava fugida da cadeia quando foi detida pela PJ em Olhão.
A mulher detida por suspeitas de assassinar a mãe, na segunda-feira, 13 de julho, em Olhão, já tinha cometido dezenas de crimes de violência doméstica, cumpria pena de prisão e não regressou à cadeia após uma saída precária, disse hoje fonte policial.
O responsável pela diretoria do Sul da Polícia Judiciária (PJ) disse aos jornalistas que os crimes de violência doméstica cometidos pela suspeita, de 40 anos, tiveram sempre como vítima a mãe, de 58, cuja residência a alegada agressora frequentaria, apesar de se encontrar fugida da cadeia, desde janeiro.
«A Polícia Judiciária iniciou as investigações no dia de ontem [quarta-feira], de manhã, na sequência de uma comunicação de um cidadão que dá notícia do desaparecimento […] da senhora. Iniciaram-se as diligências de investigação tendentes à localização […] e acabou por ser localizado o cadáver numa habitação, com alguns contornos macabros», contou João Garcia.
A mesma fonte adiantou que a vítima apresentava «evidentes sinais de a morte ter sido provocada por ação violenta» da filha, que «ultimamente estaria a habitar na residência, localizada na cidade de Olhão».
Nas diligências de investigação realizadas, foram recolhidos indícios de que a suspeita se «preparava para abandonar a região» e tinha «alterado a sua fisionomia», tendo cortado o cabelo curto e começado a usar outra indumentária, mas a PJ acabou por localizá-la e detê-la na noite passada.
«Estamos na presença de um homicídio, um homicídio qualificado, e vai ser presente às autoridades judiciárias competentes, a quem já comunicámos todo o circunstancialismo esclarecido até agora», tipificou.
A detida «tem um histórico criminoso associado à violência doméstica» e estava a cumprir uma pena de prisão desde 2021, mas foi libertada numa saída precária em janeiro de 2024 «e não regressou ao estabelecimento prisional onde cumpria a sua pena», observou.
O diretor da Diretoria do Sul salientou que a Polícia Judiciária só entrou em ação quando foi dada a notícia do desaparecimento da vítima e desconhecia o histórico social familiar de «discussão e de conflito» entre a vítima e a filha.
Após o crime, a mulher deixou de ser vista nos lugares que frequentava, «alterou completamente a sua fisionomia» com um corte de cabelo «muito curto» e mudou a indumentária que habitualmente utilizava, levando os investigadores a considerar que havia «sinais muito fortes» de que se estaria a preparar «em termos logísticos» e a «definir o seu destino» para prosseguir a fuga e evitar a detenção, acrescentou.
«A perturbação emocional que resulta de uma ação desta natureza também não dá tranquilidade a ninguém, é um comportamento criminoso que altera as pessoas e é possível que tenha ficado perturbada, de forma a levar algum tempo a definir para onde é que ia e como ia», considerou.
A PJ avançou previamente num comunicado que a «vítima foi encontrada cadáver, pela PJ, soterrada num canteiro de uma varanda na sua residência, em Olhão, com evidentes sinais de morte violenta».
A vítima vivia sozinha e, nos últimos tempos, a sua filha ter-se-á mudado para a sua residência, «tendo-se apurado que socialmente era conhecido um clima de conflito e discussão entre ambas», referiu também a PJ no comunicado.
A suspeita do crime ainda vai ser presente a primeiro interrogatório judicial, para aplicação das medidas de coação.
Foto: Tumisu /Pixabay.