A 44.ª Concentração do Moto Clube Faro começou com mais inscritos do que no primeiro dia de 2025. Organização prevê 20 mil participantes.
A 44.ª Concentração Internacional de Motos de Faro começou hoje, no Vale das Almas, com quase sete mil inscritos, um número ligeiramente superior ao registado no arranque da edição do ano passado. A organização acredita que poderá aproximar-se dos 20 mil participantes ao longo dos quatro dias do evento.
«Neste momento, temos mais inscritos do que no ano passado. Não são muitos mais, é apenas um pequeno aumento. Portanto, as coisas estão num bom caminho», afirmou Pedro Baptista, presidente do Moto Clube Faro, durante a conferência de imprensa oficial, realizada esta quinta-feira, 16 de julho, na Tenda VIP do recinto.
Perto das 11h00, estavam contabilizados quase sete mil inscritos, número que não inclui os bilhetes diários vendidos para o primeiro dia da Concentração.
«Acredito que consigamos chegar perto dos 20 mil inscritos, como temos previsto e esperamos», adiantou Pedro Baptista.
O presidente do Moto Clube Faro reconheceu que o aumento do preço dos combustíveis foi uma das preocupações analisadas pela organização, embora não antecipe um impacto significativo na participação.
«Como estes eventos acontecem apenas uma vez por ano, muitas pessoas acabam por conseguir fazer algumas economias e juntar algum dinheiro para estarem presentes nos eventos de que realmente gostam», considerou.
«Acredito que possa ter alguma influência, mas não penso que seja nada de mais», acrescentou.
A 44.ª edição decorre até domingo, 19 de julho, no Vale das Almas, junto à Praia de Faro, voltando a transformar um terreno habitualmente ocupado por «terra, árvores e natureza» numa cidade temporária preparada para receber milhares de motociclistas.
«No espaço de um mês, preparamos tudo isto graças ao apoio dos voluntários, dos sócios do Clube e ao grande empenho da direção», explicou Pedro Baptista.
Mais espaços e um percurso GPS para explorar e conhecer Faro
Sem alterar profundamente a estrutura do recinto, o Moto Clube Faro introduziu este ano várias novidades, desde novos espaços de convívio e alimentação a um percurso orientado por GPS para dar a conhecer o concelho.
Uma das mudanças mais visíveis encontra-se logo à entrada, onde o bar foi melhorado para criar «um espaço mais acolhedor» e melhorar o primeiro contacto dos participantes com o recinto.
Outra novidade é o regresso do chamado «oásis», uma área que já não era montada há alguns anos e que inclui agora um espelho de água, um palco e concertos.
«Esperamos que as pessoas o utilizem, em vez de apenas passarem por lá. Queremos que seja também um espaço agradável», explicou o presidente do Moto Clube Faro.
O Bike Show apresenta igualmente novas categorias, numa tentativa de atrair outros participantes e diversificar as motos a concurso.
Atrás do palco principal foi ainda criada uma zona de alimentação, que concentra vários pontos de venda de comida e acrescenta mais um espaço de permanência no recinto.
Estas alterações respondem, segundo Pedro Baptista, à preocupação de proporcionar diferentes atividades a quem permanece vários dias na Concentração.
«Há várias coisas para ver e tentamos proporcionar mais animação, para que as pessoas tenham com que se ocupar durante esse tempo», salientou.
Fora do recinto, a principal novidade é um percurso pelo concelho de Faro, que pode ser seguido através de GPS.
A rota está disponível no site e nas redes sociais do Moto Clube Faro. Os participantes inscritos podem também aceder à informação através de um código QR.
«Quem quiser dar uma volta e conhecer melhor o concelho pode fazê-lo. É uma forma de as pessoas ocuparem mais o seu tempo, além do convívio e de tudo o resto», explicou Pedro Baptista.
Evento «será sempre uma concentração de motos»
Apesar do peso crescente dos concertos e da componente de entretenimento, o presidente do Moto Clube Faro rejeita que o evento possa transformar-se num festival de verão.
«Enquanto eu cá estiver e esta direção estiver, esta será sempre uma concentração de motos, nunca um festival de verão», afirmou.
Pedro Baptista reconhece que a música faz parte da identidade e da programação do evento, mas insiste que a razão de ser da iniciativa continua a ser o motociclismo.
«Apesar de a música estar sempre presente e de as duas coisas acabarem por estar ligadas, fazemos questão de referir que isto será sempre uma concentração de motos», reforçou.
A organização procura também contrariar a ideia de que o evento se dirige apenas a uma determinada faixa etária. Segundo o responsável, entre os inscritos encontram-se crianças com poucos meses e participantes perto dos 90 anos.
«A Concentração de Faro não é especificamente para pessoas dos 30 aos 40 ou dos 30 aos 50 anos. Desde os mais novos aos mais velhos, existem condições para todos», garantiu.
Entre essas condições está o Bar dos Miúdos, espaço onde os pais podem deixar as crianças enquanto participam nas atividades espalhadas pelo recinto.
Bilhete diário para a comunidade
Hoje, primeiro dia, é também o único em que o Moto Clube Faro vende um bilhete válido apenas para essa jornada, permitindo a entrada de pessoas que não estejam inscritas para os quatro dias.
O bilhete custa 10 euros e dá acesso ao recinto e aos concertos, incluindo ainda um copo e uma imperial. Por cada entrada vendida, um euro reverte a favor da Cruz Vermelha Portuguesa.
À hora da conferência de imprensa, tinham sido vendidos cerca de 700 bilhetes diários. Pedro Baptista esclareceu, contudo, que as vendas só tinham começado na véspera e que esta quinta-feira seria o período de maior procura.
«É o único dia em que vendemos um bilhete válido apenas para o próprio dia, para darmos a conhecer a Concentração a quem ouve falar dela há muitos anos, mas nunca cá veio», explicou.
Quem compra esta entrada diária pode aceder aos espaços e à programação do recinto, mas não tem direito ao campismo, à alimentação e à camisola incluídos na inscrição completa.
Mais do que aumentar a afluência, o objetivo é aproximar a Concentração dos habitantes do concelho e conquistar novos interessados pelo motociclismo.
«É uma forma de poderem conhecer o espaço, com o objetivo principal de começarem a gostar das motos e de, mais tarde, eventualmente comprarem uma. Assim poderão perceber o prazer e o gosto que é andar de moto», disse Pedro Baptista.
Também António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Faro, destacou esta abertura à comunidade local, considerando que a ligação entre os farenses e a instituição tem vindo a tornar-se mais forte.
«Não é apenas um momento de diversão para os farenses. Representa também a união cada vez maior entre o Moto Clube Faro e os farenses. Esta simbiose é cada vez mais perfeita», afirmou.
O autarca classificou a Concentração como «um dos grandes eventos da região» e «certamente, um grande evento do município», destacando o apoio logístico e financeiro da Câmara de Faro, assim como a colaboração na resolução dos problemas que surgem durante a preparação.
«O município é um parceiro ativo, não só através do apoio logístico e financeiro que atribui ao evento, mas também pela preocupação permanente em ajudar a resolver os impasses que vão surgindo», salientou.
Organização dá boas-vindas ao público estrangeiro
A proximidade do recinto à cidade, à Praia de Faro e ao aeroporto é apontada pelo Moto Clube Faro como uma das principais vantagens da localização no Vale das Almas.
Este ano, a organização anunciou as datas da Concentração com maior antecedência do que era habitual, para permitir que os participantes, em particular os estrangeiros, planeassem a viagem.
«Durante muitos anos, acabávamos por anunciar as datas apenas no próprio ano em que a Concentração se realizava», recordou Pedro Baptista.
A divulgação antecipada permitiu estabelecer contactos com potenciais participantes do Reino Unido, um dos públicos que se pretende reforçar.
O presidente lembra que não é obrigatório chegar ao recinto de moto. A proximidade do Aeroporto de Faro — Gago Coutinho permite que muitos participantes estrangeiros viajem de avião, enquanto outros optam pelo automóvel.
«Não têm de vir apenas de moto. O importante é terem o espírito motociclista», defendeu.
Depois dos portugueses, os espanhóis representam o segundo público mais numeroso no evento. A participação de Espanha na final do Mundial de futebol poderá levar algumas pessoas a antecipar a partida no domingo, mas a organização não prevê um efeito relevante.
Também não está prevista a transmissão do encontro no recinto, devido às exigências logísticas e de segurança que implicaria manter todo o dispositivo em funcionamento depois do encerramento oficial.
«As pessoas podem ficar acampadas até segunda-feira. No entanto, o grosso do dispositivo de segurança e de toda a estrutura já não estará tão presente, porque o evento termina depois da entrega de prémios, no palco principal», explicou Pedro Baptista.
Hospital de campanha junta 39 médicos e 33 enfermeiros
A dimensão do dispositivo clínico montado no Vale das Almas permite tratar no próprio recinto grande parte das ocorrências registadas ao longo dos quatro dias.
Este ano, o hospital de campanha, no recinto, conta com 39 médicos e 33 enfermeiros. Segundo Bárbara Ribeiro, médica responsável pela estrutura, o dispositivo funciona em regime de voluntariado e em estreita colaboração com a Cruz Vermelha Portuguesa, que disponibiliza equipas de apoio, ambulâncias e respetivos tripulantes.
«O objetivo é tratarmos aqui todas as situações que for possível tratar, para tentarmos não dar muito trabalho ao Hospital de Faro nem o sobrecarregar», explicou.
Bárbara Ribeiro apelou à condução responsável fora do recinto e à moderação no consumo de álcool dentro da Concentração.
«Espero que, ao nível da população em geral, haja algum cuidado na condução, para não haver acidentes, e também aqui dentro do recinto, nomeadamente com os consumos de álcool, para que tudo possa correr da melhor forma», afirmou.
O responsável pela segurança, Pascal Cavaco, anunciou igualmente um reforço das equipas devido à afluência esperada.
«Reforçámos um pouco as equipas de segurança porque estamos à espera de muita gente, e é sempre bom termos tudo bem protegido para salvaguardar a segurança das pessoas», explicou.
As equipas estavam já posicionadas no terreno à hora da conferência de imprensa e a trabalhar em articulação com as diferentes entidades envolvidas na operação.
Por sua vez, o autarca António Miguel Pina destacou a evolução do dispositivo montado em torno do evento, tanto no interior como nas zonas envolventes.
Segundo o presidente da Câmara de Faro, a Concentração tem vindo a tornar-se «cada vez mais otimizada e mais segura», procurando garantir «que a festa cá dentro seja fantástica», mas também reduzir os conflitos que, por vezes, surgem nas imediações.
Segurança na estrada é a principal mensagem
A segurança rodoviária atravessou as intervenções da organização, do dispositivo clínico e dos representantes institucionais.
Armando Vieira Marques, presidente da Federação de Motociclismo, defendeu que o cumprimento das regras não limita a liberdade associada à utilização da moto, sendo antes uma condição para a preservar.
«A segurança rodoviária e o cumprimento das leis da estrada não são um limite que impeça as pessoas e os motociclistas de continuarem a ver a moto e a sua utilização como uma forma de liberdade. É o próprio cumprimento do Código da Estrada que permite que essa liberdade continue a existir», sustentou.
«Queremos que todos viajem em segurança. Queremos que todos regressem em segurança. A melhor forma de viajar e participar nesta Concentração é regressar em segurança», rematou.
Pedro Baptista encerrou a conferência com a mesma mensagem, lembrando que o sucesso da iniciativa depende também de todos os participantes conseguirem regressar ilesos.
«Uma das coisas mais importantes para esta direção e para o Clube é que todas as pessoas que venham a Faro cheguem depois bem a casa, que possam usufruir da Concentração e que tenham histórias para contar», rematou.
Turismo do Algarve considera Concentração um «evento âncora»
José Matias, membro da Comissão Executiva da RTA, em representação de André Gomes, que está em missão de trabalho nos Estados Unidos da América, classificou a Concentração Internacional de Motos de Faro como um «evento âncora», cujo impacto se estende à hotelaria, ao alojamento local e à restauração.
«Este evento já não é apenas de Faro. É de todo o Algarve e de Portugal, porque quem trabalha na hotelaria já conta realmente com ele, seja na ocupação dos hotéis, seja na ocupação dos restaurantes», afirmou.
Na perspectiva do Turismo do Algarve, a projeção da Concentração contribui para afirmar a região como um destino dinâmico e coloca o evento entre os grandes acontecimentos realizados no sul do país.
«Acho que podemos até compará-lo com os grandes eventos que têm lugar no Algarve, como o MotoGP, a Fórmula 1 ou o golfe», considerou.
A 44.ª Concentração Internacional de Motos de Faro prolonga-se até domingo, com concertos, exibições e várias atividades ligadas ao motociclismo.
O cartaz musical leva ao palco, esta quinta-feira, dia 16, GNTK, Xutos & Pontapés e David Antunes. Na sexta-feira, dia 17, atuam UHF, HMB e os espanhóis Mojinos Escozios. No sábado, dia 18, sobem ao palco Rui Veloso e os britânicos UB40, seguindo-se a festa M80, que encerra a última noite de concertos.











