Se há domínios em que as novas tecnologias têm levado a ganhos de eficiência nunca antes registados, o do combate à fraude e evasão fiscal encontra-se entre eles, pelo cruzamento e tratamento de dados permitidos.
Vem isto a propósito da «auréola» gestionária recaída sobre Paulo Macedo, novo CEO (os nomes que eles arranjam para impressionar o Zé Povinho) da CGD, nascida, principalmente, pelo desempenho que terá tido à frente da, então, designada DGCI, hoje Autoridade Tributária e Aduaneira, nomeado que fora para Diretor-Geral da dita pela ex-Ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite e usufruindo de um vencimento que nenhum dos seus antecessores no lugar imaginara poder vir a ganhar algum dia (neste domínio, Paulo Macedo, sempre, patrioticamente, disponível para servir a República, nem por isso, por mais que a República possa atravessar dificuldades financeiras, deixa de se fazer pagar bem, como ir ganhar agora como CEO da CGD, ao que consta, cerca 432 mil euros anuais, não por resultados obtidos, mas como simples motivação para estes).
Ora, como já na época escrevemos* e sem se pretender pôr em causa os dotes gestionários da pessoa, a verdade é que, no exercício das suas funções naquele organismo, beneficiou de desenvolvimentos no domínio da informática, entretanto, registados, de que os seus mesmos antecessores não puderam dispor como instrumentos de trabalho! Como tal, num tempo de glorificações de quem «gere», mas de esquecimento de quem «executa» (o que seria do projeto do arquiteto sem o trabalho do pedreiro), por muito que possa ser o «deslumbramento» face à pessoa em causa, talvez não ficasse mal ter presente, também, este «pormenor».
*Semanário «Vida Económica», de 2007.02.02