O Movimento Associativo da Cultura do Algarve (MACA) reúne em Faro artistas, entidades e municípios para debater políticas culturais e o futuro do setor na região.
O III Encontro Presencial terá lugar na sede da Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM), na antiga Fábrica da Cerveja, na segunda-feira, dia 13 de abril, entre as 9h00 e as 18h00.
Mesas-redondas, plenário, debate e uma conferência com dois painéis vão preencher o programa e no final do dia, será feita «uma reflexão estratégica sobre o papel do MACA» e um «convívio entre artistas, agentes culturais, produtores, entidades e associações».
Três encontros e vários relatórios depois, em 2026 o objetivo deste movimento é «dar continuidade ao caminho feito e lançar novas pistas para a discussão sobre o estado da arte do setor cultural algarvio».
Para isso, a organização tem um programa intenso e bastante diversificado, com dois grandes temas: «Fazer Cultura no Algarve: como, para quem e para quê?» e «Associativismo e trabalho em rede: utopia e realidade».
Assim, o evento irá «promover um momento de convergência e construção coletiva, reunindo associações, agentes culturais, entidades do setor privado e artistas (profissionais e amadores), para refletir sobre o presente e projetar o futuro da cultura no Algarve, contribuindo para uma visão comum da região, assente numa lógica participativa, o encontro pretende gerar reflexão, posicionamento e ação».
Pela primeira vez, diz o MACA, o evento «contará com um momento de debate com representantes de instituições culturais e municípios promovendo o diálogo entre criadores, estruturas culturais e entidades públicas, com vista à construção de caminhos articulados que contribuam para o fortalecimento do setor cultural regional no contexto atual. Quem participar estará a contribuir para um processo coletivo que reforça a colaboração e afirma a cultura como dimensão essencial do desenvolvimento do Algarve».
Trabalho coletivo em prol das políticas públicas culturais regionais
Durante a parte da manhã, e em formato de mesas-redondas e plenário, serão desenvolvidos vários trabalhos de análise, reflexão, coelaboração e debate «em prol de um pensamento crítico sobre as políticas públicas culturais regionais, e que irão desde temas como a descentralização da cultura, o acesso à cultura, o combate às assimetrias territoriais, o financiamento de projetos locais, bem como a gestão dos equipamentos públicos».
Para o MACA, «o trabalho em rede, ou seja, o reforço interassociativo, é decisivo neste processo e será um dos alicerces do pensamento coletivo quando o tema é a articulação nas políticas públicas culturais regionais».
Conferência com dois painéis à tarde
A parte da tarde será preenchida por uma conferência com dois painéis. Para ajudar ao debate e à construção coletiva o MACA vai contar com os contributos de Diana Bernedo (diretora Artística do Coletivo JAT: Janela Aberta Teatro); Bruno Inácio (vice-presidente CCDR Algarve – área da Cultura); Dália Paulo (diretora municipal em Loulé); Nuno Pereira (presidente da direção do LAC Laboratório de Atividades Criativas, Lagos); José Jesus (artista visual, músico, produtor executivo de Évora_2027); Paulo Francisco (programador e diretor Artístico do Auditório Carlos do Carmo, Lagoa); Carolina Santos (diretora artística da Associação Cultural Mákina de Cena) e Ana Bela Conceição (coordenadora intermunicipal no Algarve do Plano Nacional das Artes).
Segundo a organização, «todas as pessoas, sem excepção, vão ser incentivadas a discutir ideias e questionar nos vários debates previstos durante a conferência».
A iniciativa terá ainda colaboração de Pedro Prista, antropólogo, investigador colaborador no Centro em Rede de Investigação em Antropologia e do Instituto de Ciências Sociais de Lisboa.
Prista tem trabalhado em processos de mudança social, sobretudo no Alentejo e Algarve, sobre temas como o património etnológico, os museus e os projetos culturais.
Em Faro terá «o papel de ser observador dos trabalhos, dinamizador de debate, bem como vai cocriar, para depois apresentar, uma reflexão estratégica, tendo em conta os objetivos a que o MACA se propõe».
Reflexão, estatuto e manifesto MACA
O MACA surgiu de uma grande necessidade sentida no seio do setor cultural aquando da extinção das direções regionais de Cultura em 2023 e a consequente transferência de competências para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).
Desde então, tem um histórico de reflexão, de debate, assim como produziu um manifesto e criou estatutos de atuação, que servem de orientação a um coletivo que está desde o seu início empenhado em criar uma rede informal e alargada de artistas, agentes e produtores culturais no Algarve.
«Sempre aberto a quem quiser aderir, o encontro presencial é o momento-chave anual que permite o cruzamento de ideias, a discussão franca e a reenergização do grupo informal que tem como uma das suas metas unir o setor cultural e artístico do Algarve. O objetivo é promover a discussão ativa sobre as políticas públicas do setor na região, contribuindo para o seu desenvolvimento sustentável e para a necessidade de uma participação coletiva. Persistir para ajudar ao estímulo colaborativo da coesão de oportunidades e do intercâmbio cultural e artístico no território mais a sul de Portugal».
As duas edições anteriores de encontros presenciais tiveram lugar em Loulé, no NERA (2023), e em Lagoa, no Centro Cultural Convento de São José (2024), contando ambas com uma média de 70 participantes.
A participação é gratuita, mas requer inscrição prévia devido à lotação do espaço.
Foto: Bruno Filipe Pires