O diretor internacional do Guia Michelin defendeu hoje que a presença de mais mulheres na gastronomia deve ser incentivada, sem que seja encarada como «um preconceito», e destacou que há cada vez mais protagonistas femininas no sector.
«[A falta de mulheres] é definitivamente uma realidade que reconhecemos plenamente, mas nem pensar que o guia vai distorcer as classificações para distinguir mulheres», disse à Lusa Gwendal Poullennec, em Albufeira, onde decorreu na terça-feira à noite a gala de apresentação do Guia Michelin 2024 para Portugal.
O responsável mundial da publicação salientou que «há muitas mulheres, mesmo de nível três estrelas, a serem galardoadas com o prémio Michelin, o que não se deve ao facto de serem mulheres, mas sim ao seu talento».
«Claro que precisamos de incentivar, mas não façamos disso um preconceito, porque o importante é pôr em evidência o talento e a capacidade de o conseguir», considerou.
Durante a cerimónia, e quando ainda não se conheciam os resultados, o ministro da Economia, António Costa Silva, disse que gostaria muito de ver uma mulher a ser distinguida com uma estrela Michelin, o que não aconteceu.
Na edição de 2024, há uma nova distinção de duas estrelas, no restaurante Antiqvvm (chef Vítor Matos, Porto) e quatro novas primeiras estrelas para os restaurantes 2Monkeys (Vítor Matos e Francisco Quintas, Lisboa); Desarma (Octávio Freitas, Funchal); Ó Balcão (Rodrigo Castelo, Santarém) e Sála (João Sá, Lisboa).

O guia distinguiu, como ‘jovem chef’, Rita Magro (restaurante Blind, Porto), e há seis mulheres nos 21 restaurantes recomendados pelo guia e duas entre os oito classificados como Bib Gourmand (boa relação qualidade/preço) deste ano.
«Há cada vez mais mulheres a entrar no setor, nem sempre ainda na posição de chef ou de proprietária, mas está a acontecer e vai mudar», comentou Poullennec.
O diretor internacional referiu-se também à falta de pessoal para trabalhar nos restaurantes, um problema que, disse, afeta o setor em toda a Europa.
«Somos apenas uma parte do processo, mas o que fazemos é aumentar a sensibilização sobre a indústria – não é só sobre os chefes de cozinha, mas toda a equipa», disse, recordando que o guia atribui prémios aos chefes de sala e escanções.
O guia, salientou, coloca «o foco no talento das pessoas».
A ideia é que os jovens se sintam inspirados.
«Os jovens estão dispostos a ser reconhecidos. Mas, mais do que isso, querem sentir-se realizados. Não é uma questão de dinheiro. Há muitos restaurantes que estão a abrir e são projetos de vida», comentou.