Macário Correia, ex-presidente das Câmaras Municipais de Tavira e Faro, critica a proposta de Plano de Mobilidade Sustentável da Cidade de Tavira (PMSCT) e diz que o «documento visa arrasar» a cidade.
Numa reação por escrito à qual o barlavento teve acesso, e que publica com a autorização do remetente, o ex-autarca Mácario Correia começa por se mostrar «estupefato com o que acabo de ler. Começa por não se perceber o motivo de uma consulta de oito dias sem divulgação. Depois não se percebe o calendário do documento. Que passos deu ou vai dar».
O atual presidente da Associação de Regantes do Sotavento Algarvio reage assim à contestação ao Plano de Mobilidade Sustentável da Cidade de Tavira (PMSCT), o qual, em sua opinião, «nem se sabe se é uma ideia de uma empresa ou se são ideias do executivo [municipal] para consulta».
«Percebe-se que o documento é escrito por defensores dos automóveis em todo o lado e antes das pessoas e da memória da cidade. O documento visa arrasar Tavira. Destrói os três jardins e largos da Baixa (Coreto, Corredoura e Alagoa), promove o alcatroamento do único espaço aberto (Largo da Feira) e arrasa no pior local o espaço do Posto Agrário/Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CEAT), além de outras propostas do domínio da tonteria».
Macário Correia diz ainda que «tudo farei para defender a minha cidade desta louca destruição» e lamenta que «quem escreve o documento nunca se socorre em lado algum de contagens de trânsito (TMD) básicas em estudos deste tipo».
«Nem parece que na tal empresa algum dia, tenham falado com algum urbanista, paisagista, historiador ou alguém de uma cultura mediana. Desconhecem o que se passa no mundo moderno em que a fruição do espaço público se deve fazer em função das pessoas e não dos carros. Andam 100 anos atrasados, voltando à época inicial do aparecimento do automóvel».
O antigo presidente da Câmara Municipal de Tavira deixa claro que «não faz sentido arrasar espaços públicos da memória da cidade para meter automóveis. Neste sentido, parece que se esqueceram de arrancar o anfiteatro da Praça da República e de lá voltar a fazer um parque de estacionamento», intervenção que foi feita no seu mandato para torna o centro da cidade pedonal e aprazível a eventos de verão, de forma a incrementar o turismo.
«Os pressupostos estratégicos e filosóficos do dito Plano são uma absoluta contradição com o que se pensa e faz pelo mundo fora. Não imaginava que se pudesse neste tempo gastar dinheiro dos nossos impostos par ter 98 páginas de texto de tão má qualidade».
Por fim, Macário Correia desafia o atual executivo municipal «a promover uma sessão pública com a dita empresa devidamente divulgada e onde sejam conferidos cinco minutos a quem queira falar. Eu inscrevo-me já e isso basta para envergonhar quem escreve coisas absurdas como as que se podem ler neste famoso plano», conclui.
Na sexta-feira, dia 15 de março, Ana Paula Martins, atual presidente da Câmara Municipal de Tavira disse à Lusa que nesta fase, o plano é apenas um «relatório com um conjunto de propostas para a melhoria da mobilidade e acessibilidade, que não vinculam o município», estando a ser recolhidos contributos para a versão final.
«Aguardamos também que outras sugestões sejam apresentadas pela população durante esta consulta pública para que seja elaborado um documento final para aprovação autárquica», esclareceu a autarca.
Entretanto, o barlavento sabe que a Associação Ecotopia Ativa e os Cidadãos pelo CEAT e Hortas Urbanas de Tavira apresentaram à Câmara Municipal de Tavira, um requerimento para que o município «suspenda» de imediato o Plano de Mobilidade Sustentável de Tavira, e que com adie o prazo de consulta pública, que decorre até dia 21 de março.
Os requerentes argumentam que «o Plano carece de explicações rigorosas, amplamente difundidas e de um debate pluridisciplinar com e entre os envolvidos», e consideram que o mesmo «trará consequências graves para a sustentabilidade e um retrocesso claro para a conservação do património histórico/social/cultural/natural da cidade, com mudanças irreversíveis para o quotidiano dos utilizadores do espaço público, e impacto na vida de quem reside e visita Tavira».
No requerimento, os coletivos propõem a «apresentação do Plano de Mobilidade Sustentável de Tavira através de sessões abertas ao público, até que existam condições de reflexão responsável por parte de todos os munícipes acerca das propostas expostas no documento», procedimentos que «constituem as boas práticas de uma administração pública aberta, com respeito pelo direito à informação e participação, que se encontram estabelecidos na legislação nacional em vigor».
