O «Amante», nova criação da Mákina de Cena, sobe a palco entre 9 e 12 de junho em Loulé e promete surpreender o público, segundo aquela estrutura cultural algarvia.
A estreia da mais recente criação da Mákina de Cena está marcada para dia 9 de junho, na Cerca do Convento Espírito Santo, em Loulé.
«O Amante», clássico incontornável de Harold Pinter, é o ponto de partida para a nova criação da Mákina de Cena, que convoca o espetador a uma imersão na vida conjugal do casal Sara e Rodrigo: nas suas tensões e reflexos de amor e paixão.
Operando numa dimensão de estranheza e eventual pudor, convida-se o espetador-voyeur, a refletir sobre as suas próprias experiências e o estado das suas relações erótico-amorosas.
Esta, que é a primeira criação assinada por Carolina Santos em 2025 (que articula as valências de encenação, cenografia e direção de atores), explora o universo de Harold Pinter, numa das suas peças mais brutais e íntimas: «O Amante».
José Leite e Marlene Barreto formam a dupla de luxo que dará vida ao casal esculpido por Pinter e o elenco fica fechado com Rafaella Ambrozio que assume ainda a assistência de encenação.
Neste espetáculo, a Mákina de Cena aposta, «uma vez mais, num dispositivo cénico atípico – uma estrutura transparente com duas frentes – que convida o espectador a um voyeurismo onde quem vê, está também a ser visto, numa analogia à exposição, consentida ou não, que cada vez mais pauta a nossa sociedade».
«Neste mundo marcadamente tecnológico, a privacidade dos outros interessa-nos; a sexualidade dos outros «é» da nossa conta.
Na obra de Pinter, escrita em 1963, cabe tudo isto e muito mais: dos papéis de género à solidão do quotidiano ou ao papel do sexo nas relações amorosas adultas. O espetáculo explora um universo negro, sobre duas pessoas que se perdem e encontram de modo pouco usual.
A apresentação em espaço público, no coração da cidade de uma obra desta natureza – quase erótica e propositadamente dissimulada – tem tanto de provocatório como de arriscado.
Além de descontextualizar o teatro do seu edifício original, esta «ousadia» tem por objetivo explorar outras dimensões da criação teatral, de índole alternativa e com uma temática pouco explorada em «horário nobre», bem como, contribuir para a captação de novos públicos e abrir espaço para a discussão franca sobre sexualidade.
O espetáculo, para maiores de 16 anos, estará em cena ao longo de quatro noites – de 9 a 12 de junho – pelas 21h00, na Cerca do Antigo Convento Espírito Santo.
Os bilhetes para as sessões têm um custo de 5 euros e podem ser adquiridos na bilheteira do Cineteatro Louletano ou na plataforma bol.
A peça conta com a coprodução do Cineteatro Louletano e do Teatro do Eléctrico e com a parceria da Mescla – Associação Cultural.
